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É impressionante como as pessoas não suportam a felicidade alheia. Nos últimos dias, uma avalanche de textos foi escrita criticando o carnaval, como se ele fosse o culpado por todas as mazelas do País. Violência, estupros, prostituição e até mesmo o baixo desempenho da economia brasileira são os resultados da folia de fevereiro. Pelo amor de Deus!
É indiscutível que a festa é uma das poucas alegrias que o sofrido povo brasileiro tem. Nestes quatro dias, é possível esquecer o aluguel vencido que ele tem que pagar, os sapos que tem que agüentar no emprego para garantir seu mísero salário, entre outras coias que tem que enfrentar. Para grande maioria da população, o carnaval é isso, uma época em que os foliões se vêem libertos de todas as formas de controle e repressão, sejam elas por parte da sociedade, da família e, principalmente, das igrejas, cada vez mais repressoras com seus falsos moralismos. Em suma, é quando eles podem simplesmente ser o que são, fazer o que querem quando bem entenderem. Talvez por isso incomode tanta gente, que, quem sabe por medo, não tenha coragem de curti-lo.
Outra coisa propagada nestes dias é que o carnaval não é expressão popular coisíssima nenhuma. Como não? Apesar de não entender muito do assunto, creio que se não a maior, é uma das maiores expressões culturais populares. E não estou falando dos desfiles da Marquês de Sapucaí. O carnaval é muito mais do que isso. Em uma época em que a padronização da produção cultural está mais latente do que nunca; no carnaval, a variedade se destaca. A folia do Rio, com o samba, é diferente da realizado no Recife, onde a população cai no frevo, que por sua vez não é parecido com a da Bahia. Isso sem contar com o resto do País, principalmente nas cidades do interior, onde em alguns lugares ainda se preservam os bailes com suas marchinhas e fantasias típicas. Se isso não for cultura, o que é?
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