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Palavras da moda às vezes soam bem; outras vezes, irritam. Lembram-se do tempo em que os moços respondiam afirmativamente com uma palavra ainda menor que sim?
- Só.
O sim, hoje, pede palavras maiores: pode ser “pior” ou “isso”. “Pior” é coisa de maconheiro preguiçoso, que não quer falar muito; é o sucessor do jovem de outros tempos, o que dizia “só” e “podes crer” - que também valia por “sim”. Menininhas metidas a moderninhas, nos dias de hoje, preferem dizer “isso” - e isso me lembra platéia de programa de auditório na tevê, aos domingos.
Estar triste ou deprimido, na minha mocidade, era “estar na fossa”, e gostar de alguma coisa, “um barato” - hoje, diz-se “tô curtindo”. Também naquele tempo, ser “cheio de ginga” já havia sido “cheio de bossa” ou de “malemolência”; ou de “chinfra”. Aos mais velhos, chamávamos “coroa”, e isso valia também para a mulher na idade que, muito antes, era “balzaquiana”. Moça bonita era broto; rapaz bonito, “um pão” - esta caiu em desuso quando alguém definiu o “pão” como “casca grossa, miolo mole, fácil de ser embrulhado e só presta se for fresco”.
Ah, e os gestos? A mocidade de trinta anos atrás simbolizava um xingamento tocando o polegar com o indicador, num círculo com os outros três dedos esticados; hoje, estica-se o dedo médio; curiosamente, os dedos formando um círculo, lá nas terras do tio-sam, significam “tudo bem”; aí, a juventude que se seguiu adotou o dedo médio em riste para dizer o que dizíamos com o anel formado pelo polegar e o indicador. O que nenhum desses aí sabem é que ambos os símbolos eram fartamente usados pelos antigos romanos, e ambos os gestos significavam a mesma coisa: mandar o sujeito “para aquele lugar” - e havia, ainda, um terceiro gesto, que também ainda é usado, mas que não tem (hoje) o caráter obsceno de outrora: trata-se de cruzar os dois braços no que dizemos ser “uma banana” - e a banana, é claro, é um expressivo símbolo fálico, tanto que é usada para ensinar meninos pré-adolescentes a vestir um preservativo.
Há bem poucos anos, a pessoa conversava dizendo “me telefona” gesticulando: os três dedos do meio fechados, o mindinho e o polegar esticados, mão junto à cabeça... Ridículo! Vejam o quanto se abusa, atualmente, da expressão “hoje-em-dia”, mesmo que não cabe na frase. Feito o já obsoleto “a nível de”, preferido por dez entre dez políticos, professores universitários, entrevistadores e apresentadores de rádio e tevê. Essas pessoas, agora, gostam de falar “enquanto” mesmo quando a condição é permanente: “Eu, enquanto ser humano...” (juro: dá-me uma tremenda vontade de perguntar: “E será ser humano até quando?”).
Irritam-me, muito, os que contestam alguém dizendo “me poupe”. Meus hormônios de tensão e de briga entram em ebulição. E não compro - jamais comprarei - disco de cantor que se dirige ao público aos gritos de “Aí, galeeeeraaaa!”. Para mim, galera é um navio antigo. Ah, e tem também o chatíssimo “d’xeu te falar”. Fala logo, siô. Ou siá, porque as meninas são as que mais usam essa falinha chata. Ah, também me dá nos nervos ouvir o vocativo “todos e todas”. Politicamente correto, não: chato mesmo!
E aí, faço coro com a meninada:
- Chega! Ninguém merece...
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