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Delúbio chorou. Ele chorou mesmo. Chorou porque tem sentimento, tem alma.
Delúbio Soares chorou para não fazer como muitos fizeram nas décadas de 60 e 70, que, dizendo-se de esquerda, simplesmente se escondiam dos familiares dos que iam presos ou tombavam nas linhas de frente contra a Ditadura Militar de 64.
Delúbio – que desde a primeira declaração de Roberto Jefferson (é ele mesmo, aquele da tropa collorida de Fernando Collor) foi chamado diversas vezes para depor e sofreu assédio intenso da imprensa – manteve até então no rosto não um certo sorriso, mas o seu sorriso. Sorriso de quem tem vergonha na cara, sorriso de lealdade, de companheirismo, de quem teve berço sólido em um lar humilde. Delúbio Soares sorria para não xingar aqueles que, até poucos dias atrás, o bajulavam, faltando pouco lamber os seus sapatos bem engraxados, mas que de repente começaram a lhe atirar pedras.
Quando da sua expulsão no sábado, dia 22, no momento em que se defendia no Diretório Nacional do PT, ele foi às lágrimas, sim. Eram lágrimas de um homem que se via diante de um tribunal composto em sua maioria por pessoas que o tinham procurado muitas vezes em desespero, e às quais ele, também muitas vezes, havia estendido as mãos, mas que agora estavam ali para implacavelmente ouvi-lo pedir clemência – clemência, vejam só, por atos praticados em benefício deles, pura e tão somente para ajudá-los. Eis aí a mais fina ironia de uma peça tão estranhamente escrita pelo sopro democrático que estamos vivendo.
Delúbio chorou. Chorou para não ter que seguir os conselhos daqueles que outrora se diziam enojados com comportamentos como o do ‘senhor’ Roberto Jefferson, que, se algum bem fez ao País com a sua delação que quisera ser premiada, foi deixar o seu processo ir em frente no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que recomendou ao plenário a sua cassação. Os fatos, até aqui, demonstram não ser Delúbio um corrupto. Ele é apenas um dos filhos de um casal humilde de Buriti Alegre, que, forjado na luta e convicto de seus ideais, jamais se orientará por aqueles que, para aparecer, indicam caminhos, propõem encaminhamentos que nunca serão os que o Brasil precisa. E falar agora em reforma política é o mesmo que brincar com a inteligência do povo brasileiro, diante das três CPIs em andamento e do punhado de medidas provisórias a todo momento trancando a pauta de votações no Congresso. Isso sem falar nos outros tantos assuntos de maior relevância que precisam ser apreciados e votados. Ora, para se fazer uma reforma política, é preciso mudar a Constituição, o que significa necessidade de dois terços dos votos do Congresso.
Fazer ilação sobre a compra de um carro e de uma fazendinha, isso então ‘é muita sacanagem’ – como se diz por aí –, para não dizer covardia, de alguém que não conhece os pais de Delúbio. É em momentos como este que se conhece aqueles que gostam de tirar proveito da desgraça alheia. Quanto a outra ilação, a de que está passando da hora de o governo de Goiás, via Secretaria Estadual de Educação, lotá-lo em uma sala de Matemática, não sei bem se é isso o que Delúbio quer ou precisa. Mas que é chegado o momento de o governador dar um basta nisso e mandar o seu delegado parar com esse inquérito idiota, disso, sim, não tenho dúvida, e está passando da hora de ser feito.
Também o governador precisa fazer gestões junto ao Ministério Público para que o senhor Fernando Krebs procure outro assunto para dar vazão à sua saga sanguinária. Pois, em sã consciência, querer fazer o povo acreditar que salário de professor recebido, como ele diz, indevidamente promove enriquecimento ilícito é no mínimo uma piada. E o governador já reconheceu os relevantes esforços do professor no governo Lula para trazer recursos para Goiás.
O que se deve observar agora, no que se refere a Delúbio Soares, não é se ele cometeu ilícitos, uma vez que isso já está sendo apurado pelas CPIs, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que fatalmente vão chegar a uma conclusão e propor as punições cabíveis. Que ele siga com o seu calvário. O importante é que, dessa crise ora instalada, sejam tiradas lições necessárias para que possamos ter propostas de avanços em nossa ainda incipiente democracia, pois isso nos ajudará a cobrar do novo Congresso e do novo governo que serão eleitos no ano que vem a implementação das reformas necessárias para o desenvolvimento do País.
Os brasileiros estão cansados de saber que, com as CPIs e o Orçamento 2005 a ser aprovado, nada mais será votado no Congresso. Portanto, chega de conversa fiada e de falácias.
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