| 2005: o ano que precisa terminar
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Pendure figa no pescoço. Mas sem esquecer da ferradura atrás da porta. Aproveite a invasão da onda Power Flower no verão 2006 para encher os longos colares hippies de balangandãs. Neste ano não é preciso sair da moda para conseguir usar amuleto contra possíveis desgraças. Não importa o tipo. Vale qualquer coisa contra inveja, mau olhado e outras urucubacas – sem referência ao nobre presidente – para receber de maneira pouco mais segura aos dias sombrios que começam oficialmente amanhã. Embora nos ronde há tempos.
Se 1968 perpetuou-se como o ano que não acabou, 2005 está fazendo hora extra. No ano de maldições nos quatro cantos do País é aconselhável se preparar para o pior na passagem de outubro para novembro. Religião à parte, corra para o calendário. Constate e se proteja. Não por caso o Dia de Todos os Santos faz ponte entre o Dia das Bruxas e o Dia de Finados. É uma pista velada. Haja patuá. É reza das “brabas”.
Os que fazem valer a assertiva “yo no creo en brujas pero que ellas hay, ellas hay”, mas acham que proteções contra vudu, mandinga, olho gordo e outras coisitas do gênero são heresias, recorra ao credo-em-cruz. Apele aos santos. De Nossa Senhora Aparecida a Iemanjá. Só não pode abrir mão de uma forcinha do além.
Basta correr os olhos pelos noticiários. A coisa está feia. Nem a economia, salvadora da pátria da ala lulista, que resistiu as máculas do mensalão, ficou imune por muito tempo. Respingou sujeira da mesada, é claro. Nada que olhos menos atentos percebessem. Mas bastou o mês de outubro chegar para apanhar duro no ringue contra a aftosa. A exportação de carne bovina está indo a nocaute.
As bruxas estão soltas desde a última virada do ano. E amanhã devem fazer a festa. A comemoração do Dia das Bruxas terá gostinho especial. Afinal, assombraram muita gente. Há fantasmas rondando por todos os lados. Cicarelli que o diga. A musa nem deve se lembrar da última vez que visitou uma benzedeira. Se bem que, pelo tamanho da urucubaca, nunca deve ter ido a uma. De princesa com direito a castelo real – numa espécie de reprodução da Bela e a Fera sem pagar direitos autorais –, tornou-se a megera. Enquanto Caroline Bittencourt deve ter sacado a aura escura e garantido seus apetrechos. Quem sabe uma figa embaixo do vestido que usou no casamento mais comentado da última década fez a carreira insossa há anos deslanchar. Quem mandou Daniela colocar em xeque as crenças populares? Por falta de um amuleto perdeu seu badalado lugar no mundo fashion para a bela rival.
Nem Eliana Tranchesi escapou de uma visitinha ao Orco – país dos mortos na mitologia grega. Preocupada com o empório de luxo Daslu, não percebeu sinais estranhos no céu. Como tudo em sua vida remete a glamour, não poderia ser diferente. Forças do mau reuniram-se em assembléia e as pedras em seu caminho apresentaram-se em forma de vestidos Dior, bolsas Prada, Maison Saad, ternos Armani. A onda de escândalo chegara de forma luxuosa ao maior símbolo nacional da ostentação. Até Maluf, que “dá nó em pingo d’água” há anos, não sobreviveu ao érebo de 2005. As bruxas devem ter acompanhado o Mais Você. A incrementada no livro de receitas é evidente. Estão superpoderosas.
O papa pop morreu. No lugar aparece a figura nada simpática de Ratzinger. Até o nome já dá arrepios. A suspeita de envolvimento de Ronaldo, Júlio César e Romário com traficantes de drogas foi o mero anúncio de um escândalo maior: a máfia do apito. Putz! A coisa fedeu até para a idolatrada ala do esporte. E continua fedendo muito. A catinga chegou até mesmo na ex-rainha dos baixinhos – e eterna na terra dos hermanos. Também, quem mandou Xuxa não colocar vassourinha atrás da porta para despachar visita mal vinda? Deixou a vontade no palácio rosa, deu no que deu. Mas nem pode reclamar. Talvez os gnomos tenham intercedido para que a imagem em reconstrução junto aos baixinhos não fosse arranhada. Afinal, crianças não se ligam em notícias sobre remessas ilegais para paraísos fiscais.
O pior é que a essa altura, às vésperas do dia 31 de outubro e 1º de novembro; o fedor das poções de bruxaria devem estar se misturando ao odor nada agradável da decomposição dos mortos. Coitado do Lula! É melhor tapar o nariz. O próprio já admitiu que a urucubaca anda solta pelo Planalto. Haja santo para dar uma maõzinha, jogar Bom Ar depois de – se conseguir – limpar tanta sujeira.
Conselho de amiga. Para os que não tiveram imunidade no nascimento, não têm corpo fechado por crença – ou conta bancária, como os Maluf – é melhor dar chances às crendices populares. Aposte na fé. Seja ela qual for. Na dúvida, é melhor não arriscar.
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- Postado por: Santista às 09h23 AM
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Esta coisa de ter a Internet aqui dentro de casa, com o mundo à minha disposição em um pequeno escritório, pequeno, mas grande o suficiente para caber um monitor ligado a tudo, extravagantemente a tudo, a ponto de me permitir, caso queira, ficar meses sem necessidade de sair pra qualquer situação. Comer, vestir, serviços, estudar, informações todas, diversões a gosto; diálogos na língua que quiser, inclusive se não tiver domínio de nenhuma não fico sem que seja compreendido ou entenda. Imagino que o náufrago Robson Crusoé, personagem de Daniel Defoe, que marcou nossa infância, fosse nos dias do notebook, não ficaria perdido naquela ilha deserta.
Mas o calor humano é insubstituível. Não precisar sair para obter o que o mundo tem é cômodo, embora jamais substitua o ato de colocar as mãos nas coisas. Ainda mais sendo Santista. Algo sempre vai faltar quando qualquer dos nossos sentidos deixar de perceber as impressões do ambiente. Na Internet sou testemunha da imagem, ao passo que no local participo do fato. Pretendo nunca deixar de usar as duas fontes.
Fiel aos padrões que elegi para acrescentar valores culturais e de conhecimento ao pouco que sei, que me mantenho incontido a procurar saber. Nada melhor que andar para alcançar esse princípio, razão das viagens que faço, quando posso, aqui e fora, como a que fiz aos Estados Unidos da América recentemente, que me deixou de coração partido.
Antes de o furacão Katrina chegar, cheguei a Nova Orleans – semana passada falei dessa emoção neste cantinho – e ouvi, ao realizar um sonho, o jazz na mais pura fonte. De lá, depois de passar por Orlando, fui encontrar o “Fantasma da Ópera”, há anos representado em Nova York.
Foi o suficiente para recordar das “Torres Gêmeas”, que no fatídico 11 de setembro de 2001 o terrorismo pôs abaixo, do qual mirante tive a noção exata do tamanho da cidade que não dorme. Um choque. Não existe maneira capaz de explicar aquele vazio no lugar do World Trade Center. Ficou a sensação de quem atravessou a ponte e ao voltar ela havia desaparecido.
Fotos e filmes nada retratam o clima naquele espaço de Nova York, no chão e no ar, que até hoje pergunta o porquê de sua escolha para ser a vítima de tão brutal vingança.
Viagem triste. É verdade. Mas ninguém teria meio de substituir o sentimento que meus olhos deixaram em mim.
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- Postado por: Santista às 06h57 PM
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