Histórico:

- 16/04/2006 a 22/04/2006
- 09/04/2006 a 15/04/2006
- 26/02/2006 a 04/03/2006
- 29/01/2006 a 04/02/2006
- 08/01/2006 a 14/01/2006
- 01/01/2006 a 07/01/2006
- 04/12/2005 a 10/12/2005
- 20/11/2005 a 26/11/2005
- 06/11/2005 a 12/11/2005
- 30/10/2005 a 05/11/2005
- 23/10/2005 a 29/10/2005
- 18/09/2005 a 24/09/2005
- 11/09/2005 a 17/09/2005
- 04/09/2005 a 10/09/2005
- 28/08/2005 a 03/09/2005
- 21/08/2005 a 27/08/2005
- 14/08/2005 a 20/08/2005
- 07/08/2005 a 13/08/2005
- 24/07/2005 a 30/07/2005
- 17/07/2005 a 23/07/2005
- 10/07/2005 a 16/07/2005
- 26/06/2005 a 02/07/2005
- 19/06/2005 a 25/06/2005
- 12/06/2005 a 18/06/2005
- 29/05/2005 a 04/06/2005
- 22/05/2005 a 28/05/2005
- 15/05/2005 a 21/05/2005
- 08/05/2005 a 14/05/2005
- 01/05/2005 a 07/05/2005
- 24/04/2005 a 30/04/2005
- 17/04/2005 a 23/04/2005
- 10/04/2005 a 16/04/2005
- 03/04/2005 a 09/04/2005
- 27/03/2005 a 02/04/2005
- 20/03/2005 a 26/03/2005
- 06/03/2005 a 12/03/2005
- 27/02/2005 a 05/03/2005
- 20/02/2005 a 26/02/2005



Outros sites:

- Revista Pangea Mundo



Designer 

By 

Helena™






Do nada a lugar nenhum
  


O ser humano moderno é um paradoxo. Ao mesmo tempo em que se dedica em demasia a um mundo de relações interpessoais virtuais – internet, telefone celular, tv a cabo –, na era da informação perde-se em sua capacidade de abstração. A melhor prova disso é nosso analfabetismo funcional: universitários que não conseguem ler e interpretar duas laudas de texto são a cada dia mais freqüentes. E ninguém sabe dizer como eles conseguiram chegar até a universidade.

Há uma dificuldade crescente para um indivíduo lidar com o abstrato, com o subjetivo, o que mostra um distanciamento do ser humano de sua afetividade. Raras tentativas de lidar com essa afetividade permeiam formas mecanicistas de contato, o que faz com que o processo seja todo boicotado, visto que dessa forma tornamos o subjetivo em objetivo, violentando sua natureza. Essa temática é o vazio na alma humana, que arquetipicamente engendra a impossibilidade da psiqué de estabelecer um contato com seu lado mais profundo, com seu sagrado, impossibilitando o que Jung denominou como processo de individuação. Na busca de poder e controle desenfreados, passamos por cima de nossos próprios sonhos, destino, alma, por uma impossibilidade de comunicação interna, dada a linguagem metafórica de nosso inconsciente.

O número crescente na sociedade de psicopatologias graves – como as psicoses, esquizofrenia, dependência química, e outras doenças alienantes – vem preencher essa lacuna da vida moderna, trazendo por meio da patologia uma possibilidade de contato com um universo reprimido. A característica epidêmica dessa situação demarca a quantas anda nossa qualidade de vida. E a discussão que deveria buscar a me-lhoria da metodologia dos profissionais ambiciona única e exclusivamente o aumento do número de leitos para acomodar “melhor” os pacientes. É o concretismo da visão que olha para a psiquiatria apenas de forma biológica. O resultado são escândalos freqüentes na mídia por um serviço ineficaz.

O “estado de fuga” do vazio existencial é o cerne da ansiedade moderna, é o centro da problemática afetiva. Vazio metafórico, oceano de possibilidades, nada que em si contém tudo, o mar dos afetos, vazio que ameaça e gera temor: a possibilidade de controle tão apregoada pelo “poderio” humano. Na prática tal poder é imaginário, ficando o indivíduo à mercê de seu destino. A fé, retratada por São João da Cruz, como um abismo insondável, que requer humildade, submissão, entrega, é tudo o que o homem moderno não aceita. Renegando sua essência, não pode se realizar e conseqüentemente adoece. E por fugir do vazio, fica sem nada.



- Postado por: Santista às 09h38 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Big bobo Brasil
  
 


Recebi a notícia e ainda não fiz a digestão. O balanço financeiro da arrecadação de uma única noite de entretenimento de um programa denominado BBB – Big Bobo Brasil, da Rede Bobo de Televisão, mais precisamente num bloco “paredão”, onde os brasileiros ligam para o 0300 x ou y e votam num fulaneco ou beltranico para sair da casa. A cifra ficou engasgada na garganta. Oito milhões e setecentos mil reais! Nem o Criança Esperança da Unicef arrecadou tanto.

Quem mais paga são as classes baixa e média, que torram seu rico salário numa votação telefônica desse naipe, ajudando a abastecer o lucro das operadoras e premiando os integrantes e a própria emissora. Nem o sufrágio eleitoral se leva tanto a sério. O dinheiro gasto na noite da diversão em frente à telinha é sagrado! Pode haver fome, campanhas solidárias etc, nada conseguirá alcançar tamanha eficiência quando se compara à descontração e ao prazer em partilhar momentos propícios de primeira qualidade. Paga-se e muito bem para obter tanto deleite, repleto de conhecimentos culturais, tais como insuficiência vocabular, o poder articulador das gírias, o volume avantajado de massa cinzenta em funcionamento e o altíssimo nível de assuntos. Estão ali fontes ignóbeis repletas de lições sórdidas para passar aos telespectadores, além da forte concupiscência estimulada em nossas crianças.

Os “programas espetaculares da realidade” são famosos em todo o planeta, mas sobreviveram de uma forma exemplar e recordista nos países do terceiro mundo. É que os programas culturais costumam não vingar e não haver êxito em ibopes da vida. E quem diz que somos pobres? Somos uma potência econômica mundial! Podemos dar ao luxo e dispensar mais de oito milhões numa única noite, com qualquer inutilidade! Se o programa realiza vários paredões, durante vários meses, isso mostra a oportunidade e sapiência aproveitada pela emissora.

Deitado eternamente em berço esplêndido, despreocupado o perdulário com o próprio erário, olha o próprio umbigo e ri do semelhante num instante. Se o torpor da ingenuidade desafiar o cérebro pra inutilidade, é uma questão sem importância nem discrepância, oh, majestade! Funeral cultural, oh, baronil! Oh, Pátria amada e idioletrada Brasil!


- Postado por: Santista às 10h12 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________




Amigos para sempre
  


Amigo é uma palavra que, como tantas outras, é originária do Latim, ou seja, “amicu”. É a pessoa acolhedora, protetora, ou aquela com quem contamos nas horas mais difíceis da vida. Se não for assim, pode ser tudo, menos amigo. Tem a palavra amigo outros sinônimos como admirador, simpatizante, camarada, companheiro.

Vai chegando um tempo em que as amizades ficam definidas. É uma coisa que não depende de você, nem de contrato, tampouco de tempo definido. Chega e mostra a cara, quando vem de sopetão, parecendo enchente de rio em inverno bom. Outras vezes, aparece de mansinho, vai somando afinidade e se define no jeito de ver as coisas, o mundo e as pessoas, principalmente como se fosse uma árvore que vai crescendo e já lhe dá sombra. Há também aquelas amizades que pareciam ser uma coisa e são outras. A purpurina parece ouro, mas não é. O ouro é feio e esmaecido quando sai do garimpo. Aí a gente reformula o pensamento, pede desculpas, se explica e abre o coração sem medo. Tal como o polimento do ouro fora do garimpo bruto, quando o brilho resplandece parecendo sol de verão.

Amizade verdadeira é reserva de domínio de sentimentos. É aquela vontade de trocar idéias sobre qualquer coisa ou nada, especificamente. É empatia ou anseio que se transmuta em identidade entre duas pessoas, independentemente de sexo, idade, estado civil, cor da pele, dinheiro na poupança, grau de instrução, religião, ideologia ou nacionalidade. Isso que, a gente sabe, vai rareando a cada dia que passa, mas é só parar e sentir, sem pressa. Quando do lado de fora há tanta pressa em se chegar. Alguns não sabem bem para onde vão, mas vão apressados. Basta você ver quem buzina no sinal de trânsito, não respeita pedestre, vê mendigo com olhar atravessado, fura fila, faz cursos que não levam a nada, vão a tudo que é lugar, riem sempre ou são sempre zangados, não sabem ficar calados e ouvir, têm respostas para tudo e imaginam que a vida é eterna.

Comportamentos assim mostram como a vida é complexa, porque nós, seres humanos, somos tão diferentes apesar de parecidos. Aí que, se alguém afina com você, não perca tempo. É a tal história do cavalo selado que passa na sua frente. Não tenha medo da amizade compartilhada. Pessoas seguras de si revelam sentimentos e abrem as comportas de suas reservas, deixando escoar o que podem compartilhar e usufruir. E, preste atenção, amizade sincera e verdadeira não é só o usufruto do prazer, mas a percepção do outro em suas nuances não faladas, mas reveladas em gestos e silêncios.

Apesar de tudo, não devemos peremptoriamente afirmar que ninguém é inimigo de ninguém; por conseguinte, é muito difícil deixarmos de ter inimigos carnais ou espirituais. Logo, a recíproca pode ser verdadeira.

Costumava dizer que amigos só os nossos pais e irmãos; estes sempre quando não houver herança a partilhar. Até mesmo esposas ou esposos nem sempre são amigos, a não ser nas aparências. Há aqueles que se unem pelo prazer carnal, enquanto outros, pelo amor. São identificados quando saem do altar e terminam a união quando, pelo menos, um dos corpos desce à sepultura. Independentemente das relações matrimoniais, há outras pessoas que normalmente são amigas, a exemplo dos filhos para com os pais e vice-versa. Além destes, há aqueles das horas incertas. São, evidentemente, raros. Na nossa existência, os encontramos apenas em dois momentos: um, na infância, e o outro, já no crepúsculo da vida. Todavia, me apego na afirmativa de Salomão que nos exorta a entender: “Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.” Provérbios 17:17.


- Postado por: Santista às 11h04 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

______________________________________________