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Há um mal que mata o homem
  
 


Quando não há poesia, não há o porquê reclamar a falta de poesia nas coisas. Poesia, quem as têm, as têm no coração. Não na compreensão rala dos dicionários deitados indigentes nas prateleiras das livrarias.

Quem não vê poesia nas árvores solitárias do bosque, que navegam seus braços de galhos no ar que nos enforcam na poluição diária da vida, não vê poesia em nada. Quem não vê poesia no canto dos pássaros que nos acordam no susto de seus cantos não vê poesia em nada.

Não pode haver, nem há poesia nos gestos bruscos e autoritários dos militares ianques que assassinam em nome da ‘democracia’.

Hoje, infelizmente, os EUA colhem os espinhos que plantaram no Iraque. A tragédia que se abate sobre algumas cidades americanas – boa parte de alma negra, como Nova Orleans – é a pura Lei do Retorno.

Na verdade, quem agride torna-se vítima da sua própria agressão. A natureza não é cega; não brinca com ninguém. Deus, onipotente, onisciente e onipresente, está em tudo e em todos ao mesmo tempo e não joga dados, não joga com a sorte das pessoas, pois reina soberano, absoluto.

O episódio Robinho, que trocou a humildade do time do Santos pela ganância dos galáticos do Real Madrid, mais cedo ou mais tarde, também, terá seu retorno esperado. Podem esperar.

Robinho desdenhou o Brasil. Recusou-se a morar aqui com o argumento estapafúrdio de que a violência no Brasil é grande demais a ponto de assustá-lo e levá-lo a ter que morar na Europa (onde, pelo que parece, a violência é menor!).

Imagine se esse pobre argumento valesse para cada mísero cidadão brasileiro, carpido na indigência dos governos corruptos e vítimas de empresários gulosos pelo lucro fácil?

Pode esperar! Quem desdenha com tudo e com todos tem seu panteão construído nas aldeias dos anônimos. Anônimo não é o homem simples, aquele que caminha sozinho nas estradas, às vezes, do infortúnio e da desgraça. Anônimo é aquele que ninguém quer vê-lo não porque quer ignorá-lo, mas porque seu rosto é a cópia de uma face sem face, daquela onde não há uma linha que demonstre sua personalidade, mas um carbono da multidão diluída em suas evasivas idéias.

A supremacia americana estampada no ódio do presidente e o desdém do infantil Robinho, na bobagem de quem constrói sua biografia ancorado na ingenuidade dos humildes, são os exemplos de que o retorno é inevitável.

Não podemos negar que o mal que fazemos para as pessoas é o próprio mal que permanece represado (ou está repositado) dentro de nós e que empurramos, regurgitamos para fora.

Este mesmo mal que faz mal às pessoas faz mal também para nós. Afinal, saiu de nós mesmos. É como o câncer disputando a vida no corpo de outra pessoa depois da comilança fatal.

Não é possível não encontrar gestos elegantes em pessoas menos ricas. Não é possível não encontrar bondade em pessoas que se fizeram brutas no tempo pela aspereza das pedras. Não é possível não encontrar palavras gentis nas bocas dos que sempre se fizeram estúpidos.

Na vida há os que fazem para si e para todos e os que fazem contra si e contra todos. Escolha de que lado você está e passe a não brincar consigo mesmo, nem com as pessoas.

Reze, pelo menos, de vez em quando.



- Postado por: Santista às 07h08 PM
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