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Chamas da Paixão
  
 


Todo o espaço e todo o tempo, infinitos, do Universo estão contidos neste minuto que está passando com a nossa vida para o vazio, se não há uma paixão capaz de fazer-nos viver a felicidade das loucuras que tornam tudo bonito neste mundo aos nossos olhos.

Não basta estar apaixonado por aquela pessoa. É preciso ser um apaixonado por todos e em tudo. A paixão é onde o sonho cria vida, respira, pulsa, fala, pensa, anda e leva-nos para sentir o momento de céu aqui na Terra. Só a paixão arrebata-nos do campo material para a transposição no plano utópico, com o qual os românticos realizam as conquistas que revolucionam e movem a evolução humana.

A ardência dos apaixonados pelo que eles desejam é que conduz o ser humano a aproximar-se do sobrenatural e a superar o impossível para os padrões da normalidade. A paixão é o amor demente e só os loucos por amor ousam romper os parâmetros normalizados na acomodação dos néscios. Aquele que não é movido por uma grande paixão, não se destoa na repetição rotineira do medíocre e pertence à ordem das criaturas comuns. Vive o amor que racionaliza as prudências, pondera as conseqüências e se submete às normalidades convencionadas, e amor assim é brasa sem chama, tem aquele calor que vai se perdendo lentamente nas cinzas, mas não possui o fogo do incêndio nas paixões, tórridas e totais, como o luzeiro das alvoradas e dos crepúsculos derramados de cores como se fossem duas marcas de beijos do sol na face do dia e cujos matizes não existem na claridade trivial no roteiro das outras horas.

A vida sem uma paixão é doce sem açúcar, comida sem sal, serenata sem moça à janela, o proibido sem o perigo, a vitória sem a luta e enjoativa como uma reta na estrada sem fim. Nas descobertas científicas, nos descortinados filosóficos, nas consagrações profissionais, na perenidade dos estadistas na política, na perpetuidade dos intelectuais e dos artistas na imortalidade de suas obras, há sempre uma paixão seduzindo seus vultos nos chamamentos do ideal e da vocação.

Se não fossem as paixões proibidas no romance dos grandes enamorados da História, talvez o mundo não tivesse as páginas mais lindas da biografia da humanidade. Penso que o próprio ditado de que “por trás de todo grande homem, há sempre uma grande mulher”, não foi compreendido ainda. Creio que o adágio não se refere à mulher que está amostra na família, mas à paixão que ficou por trás como sonho irrealizado na ânsia de vivê-lo dos heróis.


- Postado por: Santista às 09h24 AM
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Jacó, o patriarca de Israel, tinha o amor de Lia e era apaixonado pela cunhada Raquel. Shah Jahan, príncipe amado pela Índia, jogou seu poder e prestígio numa paixão e construiu o Taj Mahal para conquistar a bela Arjunand. Pedro Abelardo, o maior filósofo francês na Idade Média, perdeu tudo para assumir a sua paixão por Heloísa. Joahann Wolfgang von Goethe escreveu Fausto, livro que o consagrou, em homenagem à sua grande paixão, Ana Catarina, que os alemães impediram a consumação do idílio. Vincent Van Gogh, considerado o maior pintor do mundo, espalmou a mão direita sobre uma vela acesa para que o deixasse falar com a sua paixão, a cunhada Johanna Bonger, enquanto ele resistisse a chama queimando-o. Eduardo VIII abdicou-se do trono britânico no apogeu do Império Inglês, pela paixão por Walleis Simpson. Napoleão Bonaparte dominou o mundo, casou-se com Maria Josefina, que o amava, e morreu sem conseguir dominar a sua paixão por Desireé Clay. Adolf Hitler venceu guerras contra vários países, casou-se ao final a amada Eva Braun e não venceu sua paixão pela sobrinha Geli Raudal, que a levara ao suicídio a fim de que ela não viesse a pertencer a outro homem. Marco Antônio perdeu o Império Romano para não perder Cleópatra, a sua paixão. Dom Pedro I fez a independência do Brasil de Portugal e enfrentou muitas crises políticas para manter sua paixão pela Maria Domitila, a Condessa de Santos. John F. Kennedy enfrentou muitas conspirações do FBI e da CIA por montar uma alcova na Casa Branca para encontros com a sua paixão, Marilyn Monroe. Juscelino Kubitschek, o mais amado dos presidentes brasileiros, tinha o amor de Sarah e tinha paixão por Maria Lúcia Pedroso. Tancredo de Almeida Neves venceu a reabertura democrática, amado por Risoleta, e não venceu a sua paixão pela goiana Antônia Gonçalves de Araújo. A História tem suas páginas cheias de paixões que se mantiveram escondidas em vida na legenda dos grandes homens. Antes de serem julgados, seria necessário pensar como seria o mundo se eles não tivessem existido, e, sobretudo, se os seus julgadores teriam feito alguma falta para a humanidade.

A paixão é o sentimento incendiado que não deixa uma luta apagar-se. Não se faz um bom jornal sem ter paixão pelo jornalismo. Nem se realiza um grande governo sem ter paixão pelo povo. Tampouco não adianta diploma de Harvard sem ter paixão pela profissão. Muito menos se cria uma empresa sem ter paixão na vocação. O que está faltando nos políticos brasileiros é paixão pela vida pública. A paixão da maioria deles é pelo dinheiro dos poderes constituídos e pelo poder do dinheiro.

Está faltando paixão pela vida pública nos políticos brasileiros.

Paixão pela verdade, para que muitos dos políticos que estão se escandalizando com o mensalão confessem que também eles se elegeram com dinheiro dos caixas das campanhas eleitorais buscado nos recursos das empreiteiras.

Paixão pelo caráter, para que muitos homens públicos que requerem na Justiça indenização financeira à sua honra façam um exame de consciência e estipulem o preço para a sua honestidade na base dos centavos.

- Postado por: Santista às 09h22 AM
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Paixão pela vocação, para que a maioria dos dirigentes públicos passe a fazer autocrítica e não mais aceite ocupar cargos fora de sua competência pessoal.

Paixão pelo amor próprio, para que todos os líderes escrevam seus próprios pronunciamentos e parem de fazer discursos redigidos por outros.

Paixão pela coerência, para que governantes e oposicionistas não pratiquem os mesmos atos que eles condenam nos adversários.

Paixão pela autenticidade, para que os que não sabem fazer nada ou fracassaram em sua atividade deixem de se candidatar a mandatos populares para arranjar um emprego e ficarem usando os órgãos públicos como laboratórios de suas experiências administrativas desastrosas.

Paixão pela autocrítica, para que os presidentes de sindicatos, de associações, de todas as entidades, inclusive as dos estudantes, passem a ser representados pelos melhores valores da categoria em todas as classes sociais.

Paixão pela vergonha, para que só possam falar em nome do povo os dignos em sua conduta particular.

Paixão pela seriedade, para que os oportunistas não comecem a manchar as denúncias do mensalão com as sujeiras do denuncismo. O que parece já haver começado para atingir o ministro Antônio Palocci. Ele tem sido sério no Ministério da Fazenda. A continuarem nessa busca arqueológica da corrupção, irão encontrá-la mumificada nos sarcófagos de todos os governos passados. E, se persistirem pesquisando, podem chegar a manuscritos com registros de que os trinta dinheiro de Judas já eram mensalão.

E se sobrar paixão, tenham paixão pelo Brasil.



- Postado por: Santista às 09h21 AM
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