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Duvide da verdade, uma utopia como as outras que orientaram a caminhada humana. As que conhecemos apenas nos tornaram escravos de uma ou outra ideologia que busca o poder ou quer mantê-lo. Toda verdade dita até agora não liberta, como prometeu Cristo, mas legitima a submissão – da mulher, do índio, do negro, do pobre, do diferente. As verdades, inclusive as científicas, se revelaram totalitárias, cruéis e desumanas. Como não relembrar o holocausto de judeus e homossexuais na Alemanha? A eugenia encontrou defensores entre estudiosos das melhores universidades do mundo.
A máscara da verdade, científica ou não, cai toda vez que ficamos de frente para ela. Galileu desmentiu que a Terra não é o centro do universo. O negro provou que não é uma subespécie. A eugenia mostrou-se um engodo – a raça pura, se existe, é a humana, ridícula e limitada, como diz a canção de Raul Seixas, mas capaz de remover conceitos mais fixos que o Everest. A mulher é tão ou mais capaz que o homem, ao contrário da pregação cristã. As ordálias nunca provaram algo. Quantas outras verdades não vimos cair?
Tenha medo da verdade, meu amigo. A verdade de Hitler eliminou 6 milhões de judeus. A de Stálin, cerca de 50 milhões de “inimigos do Estado”. A dos mulçumanos impele bons pais de família a explodir prédios lotados de crianças. A católica criou o Santo Ofício para legitimar torturas, enforcamentos, esquartejamentos, morte na fogueira. A capitalista faz os norte-americanos se vendarem para os horrores da guerra que vitima inocentes no Iraque e em todas as partes do mundo. Fico com a mentira.
Construímos verdades pétreas para revestir nossa faceta bestial – a moral, que Charles Darwin afirmou ser nossa diferença em relação aos macacos, impede a barbárie. E o homem segue negando o animal que há em si graças a esses conceitos. Quem nunca sentiu vontade de esganar um desafeto? Quem nunca se sentiu na pele de Humbert, que se perdeu por Lolita no romance de Nabocov, e não vai adiante pelo temor da repreensão social? Que homem nunca sentiu tanto desejo por uma mulher que seria capaz de estuprá-la, e não concretiza a selvageria porque algo mais forte que instinto o segura dentro da lei? Por que muita gente passa fome, mas não rouba o sustento? É a hipocrisia do bem. Desejamos, mas nos condicionamos a achar que não podemos.
Nietzsche matou Deus, a mais absoluta das verdades, mas também viu a moral, o conhecimento e a metafísica como mentiras. A ciência, na lição do filósofo, é submissa à vida e interpretada para a realidade humana de hoje. A verdade, diz o mestre, tornou-se uma multidão de metáforas e metonímias, humanas, portanto, e relativa como a mentira. Uma moeda que não vale pelo valor que expressa, mas pela qualidade do metal – não vale por ser verdade, mas pelo que representa para a sobrevivência humana. Há quem diga que Nietzsche era um louco. Verdade. Ou será que não?
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- Postado por: Santista às 09h58 AM
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sempre enfrentei o mês de agosto com baixo-astral. Pior ainda quando o dia 13 vai dar numa sexta-feira. Neste ano (2005), o dia 13 vai dar num sábado. Graças a Deus.
Em São Paulo, ano passado, a escritora Marli Marins, filha de José Mojica, o Zé do Caixão, idealizou o “Dia dos Vampiros”. Justamente para esse dia. Só que, segundo os jornais, dedicado à doação de sangue. Idéia meritória.
Entrevistada pela IstoÉ, disse a escritora que “os vampiros precisam de sangue para sobreviver, mas não são burros de consumirem sangue superfaturado”.
Referia-se, é lógico, à “máfia dos vampiros”, aquele pessoal do Ministério da Saúde que superfaturava a aquisição de sangue e se locupletava do dinheiro público.
Não sou a única que vejo agosto como o mês da superstição. Vários foram os eventos danosos “eventus damni” (no meu latim de missa) ocorridos nesses últimos anos do antedito mês.
Eis alguns deles: agosto de 1914, começou a Primeira Guerra Mundial; agosto de 1945, os EUA jogaram a bomba atômica em Nagasaki, no Japão; agosto de 1945, o jornalista Carlos Lacerda leva um tiro no atentado da Rua Toneleros, no Rio de Janeiro, o governo Getúlio Vargas entra em crise. Getúlio se suicida no dia 24 de agosto.
Agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou a Presidência do Brasil; agosto de 1962, morreu Marilyn Monroe; agosto de 1965, morreu a cantora Carmen Miranda, que tremia de medo de morrer em agosto; agosto de 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu num acidente de carro; agosto de 1977, morreu Elvis Presley.
O mestre do suspense Alfred Hitchcock nasceu em 1889. Em que mês? Em agosto. Em que dia? No dia 13.
Ah, as superstições! Não posso deixar, leitores, para tornar menos violento, ou menos grave, esse mês de agosto, oitavo mês dos calendários juliano e gregoriano, registrar, aqui, o que ocorreu num “consultório sentimental” de uma ledora de sorte. Um cidadão baixo, feio e de óculos, mas bem-vestido, muito supersticioso, foi fazer uma consulta com uma cartomante e vidente ao mesmo tempo, numa sexta-feira do mês de agosto.
Logo de cara, a senhora, dona da faculdade de visão sobrenatural, falou para ele: “Em breve sua sogra morrerá de forma violenta”...
Rapidinho, ele perguntou à mulher: – Violentamente? E eu? Serei absolvido?
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- Postado por: Santista às 09h45 AM
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