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A Política Começa Em Casa

 

Imagine você criando um filho e dizendo a ele que, já que você é rico e poderoso, ele tudo pode. Pode botar fogo no índio que está dormido no banco da praça. Pode fazer rachas de automóvel nas desertas avenidas da madrugada. Pode dirigir bêbado. Pode desprezar os pobres, as mulheres, os negros e os índios, porque estes são cidadãos de segunda classe. Pode, porque se der um rolo qualquer, se a polícia chiar, se alguém reclamar, papai paga, papai suborna, papai resolve.
Talvez não exista ninguém que diga explicitamente essas coisas para os seus filhos. Mas as crianças aprendem com os exemplos. Pais que manifestam seu desprezo pelas classes menos favorecidas. Pais que se orgulham do que o seu próprio dinheiro pode comprar. Pais que se vangloriam de levar vantagem por isso ou por aquilo. Pais que exteriorizam seus preconceitos de raça ou de sexo. Pais que incentivam os filhos homens a verem nas mulheres aquelas que são "para comer" e aquelas que são "para casar e parir". Pais que não têm a menor consciência social. Pais que exploram e desprezam seus empregados. Pais que se julgam superiores por seus privilégios políticos ou de posses ou de cargos ou de escolaridade... Pais assim estarão condenados a ver seus filhos mergulhados na droga, na corrupção, na infelicidade.
A velha máxima que diz que o poder corrompe e que o poder absoluto corrompe absolutamente, lamento dizer, só se aplica aos poderosos incultos. E cultura independente de estudo, de classe social, de dinheiro ou mesmo de poder. A cultura vem do berço, vem da verdadeira educação, da tradição.
Quem é culto, de verdade (e aqui é preciso separar a cultura da simples erudição, da simples escolaridade ou da cultura de almanaque, que é usada como mais um fator de conquista de status social) possui uma compreensão da interdependência social em que estamos todos mergulhados. Quem é culto de verdade tem uma perspectiva histórica, sabe o que deve aos nossos antepassados, conhece a história da humanidade e o sofrimento dos que vieram antes para que chegássemos a este relativo progresso científico e social do qual desfrutamos hoje. Quem é realmente culto está vacinado contra as ilusões do status e da posição.
Existem pessoas cultas em todas as classes sociais.
Nosso atual presidente não é inculto. Ele apenas não tem um alto grau de escolaridade. E vemos, todos os dias, jornalistas, engenheiros, advogados, políticos e outros diplomados da vida que revelam, publicamente, a sua falta de cultura, a sua mentalidade egoísta e intolerante. São os diplomados incultos da vida.
Por isso, a política começa em casa. É em casa que as crianças se formam, independentemente da escola que cursem. É com o exemplo de vida que vêem em seu próprio lar que se formará a concepção de vida dos adultos que elas serão. Um lar cheio de preconceitos, de orgulho imbecil dos privilégios materiais, um lar onde a única leitura seja a revista de fofoca, um lar onde se exploram os empregados domésticos, um lar onde jamais se discuta qualquer questão mais relevante do que a vida dos atores da novela das oito, o desempenho do time de futebol e a importância do corpo sarado e coberto de etiquetas de grife, criará monstrinhos egoístas e corruptos.
Não adianta fingir que se é imortal. As questões existenciais, o grande mistério da vida, a importância das estrelas, da arte, da poesia, da música, da literatura; o respeito pela natureza, pela terra, pela ecologia; o amor pela beleza; a indignação pela miséria e pela violência... Tudo isto tem sim que estar presente no cotidiano das nossas crianças, tem que ser objeto de bem humorada discussão em nossos lares. É muito mais importante que a novela das oito.
Certa está a MTV que, frequentemente, manda o adolescente desligar a TV e ir ler um livro.
Enquanto negarmos, às nossas crianças, o direito à indagação filosófica e existencial, estaremos criando monstrinhos modernos e consumistas. Que, se forem políticos, certamente serão também corruptos.
A cultura está ao alcance de todos. Nas bibliotecas. Nos teatros. Nos museus. Nos parques ecológicos. Na Internet. E, surpreendentemente, até mesmo em algumas (poucas!) TVs. Melhore sua vida cultural, melhore a vida cultural de seus filhos. E você estará construindo um mundo melhor, um país melhor, cidadãos melhores e, por conseqüência, melhores políticos.



- Postado por: Santista às 12h12 PM
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O diabo no divã
  
 


Abriram as portas do inferno e não avisaram à Câmara dos Deputados em Brasília. O fruto de toda uma perda ideológica que vem gerando todo o caos político e institucional que vivemos tem um responsável.

Na batuta, regendo a orgia, lá está ele, bigode, chifre, perfume, enxofre de Armani, rabo pontudo, pele de urucum, sorriso e ar sarcástico. No “mosteiro de freiras virgens”, ele ministra a sacanagem, levando toda a culpa delegada pelo bispo! Obra do onipotente, onisciente, onipresente diabo! O que seria da humanidade sem a existência de um bode expiatório, sem alguém para levar nossas mazelas? Na política ele é bem conveniente: “Não fui eu quem roubei, mas foi ele – o tentador –, que se aproveitou de mim!” O inimigo só não faz devolverem o fruto do roubo. Imagino o que aconteceria se um dia o diabo resolvesse procurar uma psicoterapia, para resolver sua crise existencial. “Sabe como é doutor, tá difícil, ninguém me ama, ninguém me quer, onde chego é aquele zebu, todo mundo corre e me coloca a culpa do que eu não fiz...e eu só queria ser amado!”

A Sombra eterna demonstrada pela escola analítica de Carl Jung toma força própria e por si só é plasmada à nossa realidade. De repente, a teoria salta dos livros e fixa-se à nossa cultura. A sombra é tudo aquilo que nós temos, porém não aceitamos. Acho que isto complementa a célebre frase: “Cada povo tem o Jefferson   que merece...” Cansei de ver candidatos a vereador  propondo compra de votos, e/ou fechando currais eleitorais ligados a representações religiosas, pessoas vendendo seus votos aos milhares. E toda a sacanagem agora é projetada para fora de seu responsável, o próprio ser humano.

Estudos teológicos trazem à luz que historicamente a figura do diabo emerge na cultura hebraica. Como na época os hebreus não podiam assumir suas falhas, nem falar muito de seus aprisionadores, sob risco de vida, criaram em sua mítica uma figura capaz de ser responsabilizada por tudo de errado. Psiquicamente, isto gera o alívio desejado, retirando do indivíduo sua responsabilidade. Passado à parte, é isso o que hoje fazemos quando tentamos arrumar um bode expiatório.

No mundo imoral em que vivemos, alguém tem de pagar por tudo.E neste caso quem está pagando por tudo de errado, de todos os governos anteriores é o PT.

Isso passa a ser interessante quando observamos a finalidade do diabo em nossa sociedade.

Ele passa a ser extremamente útil, ampliando nossa imaturidade e irresponsabilidade, mantendo-nos afetivamente imaturos. Assim caminhamos na religião, na política, na vida sem responsabilidade, brincando de tentar ser adulto.

Que Deus tenha pena de tanta culpa nossa   que carrega o Diabo!



- Postado por: Santista às 11h37 AM
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Malas que te querem os malas que nos imolam
  
 


O cara falou que tinham malas cheinhas de dinheiro no meio do negócio... sujo do mensalão. Você já nem pode se defender no meio do caminho. Estamos inhambados, como se diz lá no sertão. Confia e leva bola nas costas. A mãe ensina e é gentil para impor limites e às vezes dar de mão beijada, mas os caras crescem, aparecem e desaparecem, tomam tino e desatino. Parece que ninguém escuta mais os conselhos da mãe, ela, que sempre quer o melhor pra eles. Acaricia, alimenta e ensina a fazer o bem sem olhar a quem. Mas os caras crescem e vão mamar nas tetas... da Viúva.

Esbaldam-se mamando. Merecem é ir mamar na jega, como se diz no Nordeste, esses filhos da mãe! Esmeram-se em fazer o bem... a si e assim semeiam miséria a uma cambulhada de gente. Gentil como que a mãe vive cobrando deles, mostrando os exemplos da carência dos demais. Muitos e muitas ensinaram que a gente vive em comunidade, um dependendo do outro e não um depenando o outro. Via disso, hoje o país está aí com a segunda pior distribuição de renda do planeta, só perdendo para Serra Leoa, na África. É o bicho!

Para explicar que roubar não presta, a mãe conta a história de Antônio do véio Gil, que era rico de dar inveja no cafundó onde vivia. Foi vereador, prefeito, tinha casas, comércio na cidade, fazendas, gado bom e carro do melhor, mesmo porque só ele possuía um por lá. A vida era feita e cheia de cifras e cifrões, a família crescendo no melhor, coisa de dar inveja. Tinha contato com os mundos e lustrava, era lorde dos usos mais civilizados. Mas só que era lustrado com dinheiro surrupiado, como quem fazia pouco caso do povo pobre, que ele mantinha sob rédeas, a troco do voto de favor. E até água no leite ele botava pra crescer o lucro.

Não se sabe se foi praga ou excesso de apego aos pecados capitais, as ruindades aconteceram com os filhos, que não prosperaram. Uns se acabando na preguiça, esperando o pai morrer para usufruir. Nada que arrumavam dava certo, mesmo assim quando aluíam pra arranjar algum que fazer. Pereciam nos vícios. As duas filhas da casa foram desencaminhadas, e isso era um desgoverno pras famílias da época. Certo é que Antônio do véio Gil foi se acabando no tempo e o tempo acabando com ele, este que é implacável. No final da vida, os bens foram raleando que quase não sobrou algum pro caixão. “Ô dó!”, exclamou a mãe. Dizendo assim, ela, que tinha o coração grande e mole, ensinava aos filhos as maneiras de ser para o bem, “na construção de uma sociedade melhor e mais humana”, como dizia, recitando os políticos.

Não batia, ensinava e mostrava com seus exemplos também, botando os filhos no caminho do bem. Hoje esses meninos se criaram, viraram gente importante. As mães, coitadas, penam em ver que eles não assimilaram na prática o que elas os ensinaram. Aprendem e dão valor às tramóias do (i)mundo. Entram para a política e querem levar vantagem em tudo, com jeitinhos e ajeitamentos, conchembras e conluios. Se tornam verdadeiros malas e não se amolam com as malas cheias de dinheiro. Aprendem a amá-las e imolam a esperança da gente


- Postado por: Santista às 09h47 AM
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A forma moderna de prorrogar mandatos
  
 


Na década de 70, com o crescimento do MDB, arenistas, a cada final de legislatura, se agitavam defendendo a prorrogação de mandatos de deputados e senadores. Em 1976, por emenda constitucional de autoria do deputado Anísio de Souza, mandatos dos prefeitos e vereadores foram prorrogados em 2 anos para a coincidência com as eleições gerais de 1982. O precedente foi saudado como a grande abertura para futuras prorrogações.

Com o Congresso Nacional colocado em recesso pelo presidente Geisel, usando o AI-5, em abril de 1977, o “pacote de abril” eliminou definitivamente do texto constitucional a possibilidade de eleição direta para governador e inovou ao criar o “senador biônico”, com a nomeação de um dos dois que seriam eleitos em 1978. Foi a glória para os prorrogacionistas.

A alegria dos golpistas durou pouco tempo, pois já em 78 o MDB, no voto popular, elegeu a maioria dos senadores, eleições diretas para governadores não só retornaram ao texto constitucional, como foram efetivamente realizadas em 1982, depois de 12 anos sendo nomeados. A utilização do Colégio Eleitoral para a eleição da chapa Tancredo Neves/ José Sarney para a presidência e vice, colocou a “pá de cal” nas tentativas golpistas, travestidas em prorrogacionistas.

Como as coisas e táticas estão sempre evoluindo, se aperfeiçoando, congressistas aproveitam-se da indignação popular pela enxurrada de denúncias de corrupção, e se apressam em propor reforma eleitoral, já para as eleições de 2006, onde na prática a prorrogação seria assegurada, pelo menos para 80% dos atuais congressistas e deputados estaduais. Diante da resistência dos congressistas em aprovar a lei da fidelidade partidária, que impediria ao legislador mudar de partido, sob pena de perder o mandato, está a caminho de aprovação a votação proporcional, baseada na sigla ou número do partido. Os partidos políticos seriam os responsáveis para definirem os nomes dos candidatos e sua colocação nas listas.

Para tranqüilidade dos deputados integrantes da atual legislatura, tão desgastados com o escândalo do “Mensalão”, os formuladores da proposta defendem que os primeiros da lista de cada partido sejam os detentores de mandatos e que concorreriam à reeleição. A ordem de colocação de cada um na relação do seu partido obedeceria a classificação obtida nas eleições de 2002. Pretendentes novatos só no final da lista.

A tática moderna de prorrogação de mandatos parlamentares tem sido elogiada por direitistas, esquerdistas e pelos que não possuem ideologia política. Todos elogiam a forma “democrática” contida na proposta. Os que se diziam decepcionados com a avalanche de atos de corrupção vindos à tona, nos últimos dias, reanimaram e reafirmam que vale a pena continuar servindo à nação. Honestos e corruptos numa lista fechada, desconhecida do eleitor, teriam o mesmo peso, o que valeria seria ser detentor de mandato. A proposta em análise no Congresso Nacional, além de prorrogacionista, é a forma mais segura para evitar o questionamento público dos que não honram o mandato que exercem. Aprovada com privilégio tão escandaloso, a reforma eleitoral seria capaz de operar verdadeiro milagre: evitaria a renovação esmagadora dos deputados, com respaldo do voto popular. Viveríamos o verdadeiro paradoxo: eleitor repudiando corrupção e ao mesmo tempo reconduzindo o corrupto à cadeira. É ou não é prorrogação de mandato? Depois não venham reclamar, se o eleitor deixar de votar ou anular seu voto para o Legislativo.


- Postado por: Santista às 09h28 AM
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Antropologicamente corrupto
  
 


Antropologia – sf. Estudo científico do homem (sua origem, evolução, caracteres etc.)
Corrupto – adj. 1. Que sofre corrupção. 2. Devasso, depravado. 3. Diz-se de indivíduo que corrompe ou se deixa corromper ou subornar; instigador ou cúmplice de corrupção



No Brasil, a corrupção é uma história antiga, carregada de efeitos negativos e de velhos hábitos senhoriais. Antropologicamente falando, a corrupção que existe no País é herança de ancestrais onde o ato de se corromper fazia parte da vida típica do brasileiro senhorial.

Começa pelo parto, forte consegue superar o iminente risco de render uma bela morte de anjinho. Vingado, mama na mãe por pouco tempo e segue rápido para as tetas da mãe preta. Já engatinhando sob o olhar cuidadoso da ama de leite, que aos poucos lhe mostra o mundo gentil e dócil, comandável ao berros. De pé sobre suas fortes pernas, o corrupto se torna um capeta a furar olhos de bicho e de gente, fazendo estripulia dia e noite, e o pai sempre sorridente, satisfeito por ter um filho que revela prematuramente qualidades agressivas.

Aos dez anos, os corruptos são treinados para ser o que são hoje. “Homenzinhos”, são vestidos e penteados como gente grande, colarinho duro, calça comprida, roupa preta, botina preta, andar grave e um certo ar tristonho de quem acompanha um enterro. Pobre do povo!

Na adolescência, vivendo num clima escravista, o brasileiro senhorial, mais tarde corrupto, se entrega a uma série de práticas sexuais sadistas e bestiais. A princípio tendo como vítimas os moleques de brinquedo e os animais domésticos; mais tarde é que vem o grande desejo carnal pela negra ou mulata. Sem falar que antes de tudo isso, ele treinava, roçando-se em buracos feitos em troncos de bananeiras e melancias. Mais uma vez o pai assistia a tudo com orgulho do filho e se lembrava de suas façanhas juvenis.

No tempo de estudar, estudava em casa com padre ou professor particular. Depois no colégio da cidade grande para melhor aprender a ler, escrever, contar, declinar latim e recitar francês. Sem dúvida! Nossos corruptos são bastante cultos e utilizam o que aprenderam, falam bonito para enganar o povo.

A maior parte da vida dos corruptos se passa numa rede: rede parada com ele descansando, rede andando com ele em viagem, rede rangendo com ele copulando. E depois das refeições fazendo o quilo, palitando os dentes, fumando, cuspindo no chão, arrotando, peidando, coçando os pés ou a genitália.

Lá pelos 70 anos, próximos da morte, preocupam-se em lavar a alma em confissões e fazer o que não fizeram a vida toda. Alguns corruptos se preocupam em ajudar e beneficiar filhos, amigos e sócios. É triste! Mas é a verdade! Cada povo merece o corrupto que elegeu.


- Postado por: Santista às 01h45 PM
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