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Por que ‘ralamos’ tanto
  
 


Imaginemos uma situação do dia-a-dia, vivida em menor ou maior intensidade pelos joãos, joaquins e josés; por milhões de pessoas, enfim, neste Brasil de Deus. Pensemos hipoteticamente no Zé, um certo Zé, que também hipoteticamente obtenha como resultado do seu trabalho, atualmente, R$ 1.000,00 por mês, líquidos. E que tenha uma despesa inevitável, com a manutenção sua e dos seus, de R$ 800,00. Despesa que até já foi maior, mas o Zé fez um esforço sobre-humano, cortou na carne, suprimiu coisas essenciais, tudo porque precisa pagar os juros de uma dívida, bem antiga e que, ao longo do tempo, só fez crescer.

O ideal, claro, seria pagar não só os juros, mas também parte do principal, abrindo assim perspectivas para pagar toda a dívida. Mas, infelizmente, só no último mês os juros somaram R$ 300,00. R$ 100,00 a mais que os R$ 200,00 economizados pelo Zé.

Em “economês” escorreito, ou seja, nesse elegante, sofisticado e por vezes incompreensível falar da alta cúpula da Economia, como é chamada essa sobra, ou diferença, de R$ 200,00 representada por aquilo que ficou do que o Zé ganhou, depois de quitadas as despesas do mês? Chama-se “superávit primário”. O “superávit primário” vem a ser receitas menos despesas, antes do pagamento dos juros.

Falemos agora um pouco sobre o Brasil: o “superávit primário” brasileiro dos três primeiros meses deste ano foi de 27,677 bilhões de reais. É dinheiro, muito dinheiro. Mas a exemplo do que ocorre com o Zé, o Brasil, mesmo cortando na própria carne, uma vez que deixa de consertar as estradas, de investir na Segurança, na Saúde, na Reforma Agrária e até no aparelhamento das Forças Armadas, não conta com sobras suficientes para o pagamento dos juros da nossa dívida pública.

No mesmo período daquele “superávit primário” fabuloso, corresponde aos três primeiros meses deste ano, os juros somaram, em números redondos, R$ 37 bilhões. Vê-se por aí que, a exemplo da dívida do Zé, que num único mês foi aumentada em pelo menos R$ 100,00, a dívida pública brasileira, que em março último chegou à casa dos R$ 965,949 bilhões, cresceu, só em conseqüência dos juros, pelo menos R$ 10 bilhões.

Para administrar essa imensa dívida, o Brasil recorre às captações de dinheiro. Como paga bons juros, arranja o dinheiro, no mercado interno e no externo. E por aí se descobre pelo menos uma das razões da desvalorização do dólar. Os investidores fazem opção por uma aplicação mais atraente, que melhora os rendimentos na medida em que a taxa básica de juros, hoje de 19,5%, vai subindo. Cada ponto de aumento nessa taxa básica significa, automaticamente, crescimento de mais alguns bilhões na nossa dívida pública.

O Zé, cuja dívida aumenta todo mês, está “quebrado”, como diz o povo. E o Brasil? Em casos assim, somente medidas heróicas, adotadas na hora certa. Uma delas seria reduzir os juros, para que a dívida cresça menos, abrindo perspectivas para que um dia comece a diminuir.

Os credores do Zé ameaçam aumentar os juros. Se isso ocorrer, só apressará o desfecho da sua situação. Caso o Banco Central insista em aumentar os juros brasileiros, como faz com freqüência... Bem, o Brasil não quebrará. Primeiro porque um país não vai à falência. Depois, porque nossa crise se alastraria mundo afora.

De qualquer forma, se algo não for feito, assim como vem “ralando” o Zé, todos nós, que já “ralamos” há tanto tempo, prosseguiremos “ralando” indefinidamente


- Postado por: Santista às 08h22 AM
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Gravidez em baile ‘funk’
  
 


É do conhecimento geral que, quando um casal pretende engravidar, sabe exatamente o que fazer: transar. Mas se os dois não quiserem e desejam evitar a gestação precisam usar anticoncepcionais.

No Rio, nos bailes “funk”, barras-pesadas, as meninas engravidam às vezes até contra sua vontade. A relação sexual se dá no momento em que elas, sem calcinha, sentam no colo dos funqueiros, na chamada dança das cadeiras, e, também, no momento de “dançar fazendo trenzinho”, quando formam enormes fileiras, todos engatados uns nos outros. Sem dúvidas, trata-se de um problema de saúde pública, porque, além da gravidez inoportuna nesses bailes, há o risco de propagação de doenças sexualmente transmissíveis.

A Revista Doctor, de Londres, revelou (que coisa esquisita!) que muitas jovens inglesas acreditam que fechar os olhos ou beber leite durante o ato sexual previne a gravidez. Transar em barcos, no chuveiro, ou, ainda, dar pulos após a transa, são considerados métodos de contracepção. Também, transar e depois sentar numa lista telefônica, conduz à gestação; essas práticas preocupam os médicos britânicos, pelo alto número de gravidezes.

Na Itália, em Modena, o médico Ângelo Cagnacci, um especialista em fertilidade, aconselha às mulheres a programarem o despertador para tocar entre cinco e cinco e meia da manhã e copularem, porque as possibilidades de engravidar nesse horário são superiores a qualquer outra, uma vez que os espermatozóides triplicam e ficam mais agitados!

Há aquele caso de “erro essencial de gravidez” (vou dizer assim) que me foi narrado por um amigo.

Uma jovem esposa, pula o muro e “manda ver” com o vizinho, um negão, aliás, um “descendentesão afro-brasileiro” (conforme a cartilha do presidente Lula). Engravida e fica pensando um plano para justificar a gestação ao marido, um loiro de olhos azuis.

Então, certa noite, acorda pedindo:
– Benhê, eu quero comer um urubu...

Apronta o maior fuzuê, até que o marido resolve sair à procura da ave. Não conseguiu, por mais que tentasse.

Aí, nasceu um mulatinho e ela, mais do que depressa, se desculpou com a história de que foi o desejo não atendido que provocou aquilo.

O cara se mostrou compreensivo.
– Tudo bem, querida; é nosso filho e nós o amamos:

Quando a mãe dele vem visitar o netinho, dá de cara com o tiziuzinho e ouve do filho a estapafúrdia história.
– Ah! Isso acontece, meu filho. Quando você estava em minha barriga, senti vontade de comer um touro; seu pai não conseguiu trazer e aí nasceu você, chifrudo desse jeito.


- Postado por: Santista às 07h42 AM
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O Lodo e o Lírio
  


OS horizontes nem sempre estão no que procuramos à frente; às vezes podem estar no que não soubemos encontrar no que ficou para trás. Todos carregamos no coração tantas coisas da vida que os olhos não ficaram sabendo da chegada delas. Por isso, muitos seguem sem entender a razão das angústias que afloram em seus momentos de alegria, e buscam explicação para elas em traumas próprios do íntimo, como se fossem congênitas lesões emocionais que permanecessem adormecidas no subconsciente e de repente psicomatizaram-se e irromperam naturalmente na sua sensibilidade, exposta por um motivo qualquer do presente.

A súbita nostalgia que nos ataca incontrolavelmente nas ocasiões de prazer é a manifestação de episódios que aconteceram imperceptíveis à nossa constatação na época e que, agora, vêm à tona em nossa memória, muitas vezes sugeridos pelo simples perfume de uma mulher que vai passando e a sua imagem nos evoca a presença da namorada que o amor de nenhum outro romance teve a ardência daquela paixão na infância.

Há no que somos um gosto permanente do que já não há mais e nos acompanha o vulto das culpas olhando-nos do passado. Então, devemos viver de tal forma autênticos com o que sentimos, coerentes com o que pensamos e com a sinceridade em cada palavra, honrando todos os atos a fim de não continuarmos a dizer coisas e a cometer gestos que venham a ser feridas que estejamos abrindo em nós mesmos, para voltarem tão doídas no arrependimento, que é onde a dor consegue a crueldade das cicatrizes que nunca deixam de sangrar no remorso.

MAS no ambiente egoísta e venalizado dos dias atuais, onde o caráter passou a ter preço de mercadoria à venda, dinheiro satisfaz e limpa honra sujada pela calúnia, e virou indústria cobrar recompensa financeira por qualquer outra vergonha moral, defender o realinhamento ético da conduta social soa como um pregão inútil da ingenuidade em oferta na praça dos cínicos.

Atualmente, a atividade mais organizada e lucrativa do País é a corrupção. Ela tem diretores pós-graduados na cátedra do ilícito, sócios licenciados nos fóruns do tráfico de influência, donos condecorados com as honrarias da impunidade, acionistas recebendo dividendos das extorsões, comissionados na corretagem das chantagens, contribuintes com firma reconhecida no comprometimento com o balcão das negociatas e clientela cativa até no dízimo das igrejas.

A corrupção brasileira é uma S/A com sede própria no poder e uma soberania maior que o governo. Ela possui filiais com superávit de faturamento no paralelo das ilegalidades, terceirizadas no nome de laranjas, pontos de franquias na informalidade; opera no crediário e à vista, faz remessas de lucros clandestinos para o exterior, processa lavagem de dinheiro do narcotráfico e de jogos de azar, devora o bolo da renda interna e distribui os prejuízos no prato da fome nacional, muda as leis de mercado da oferta e procura na bolsa de valores de ações nos orçamentos públicos.

A corrupção brasileira está uma instituição profissionalizada. Trabalha com pesquisas de tendência das melhores oportunidades de ganho fácil e rápido. Elabora planos de mídia para verificar a conveniência de lançar bodes expiatórios como garotos-propaganda para o marketing de campanhas massificando a idéia sobre a necessidade de ser restaurada a credibilidade política e passando a imagem de que está sendo colocado um produto novo e selado pelo moralismo de agrado do consumo popular.

A corrupção nacional exporta knowledge do inconsciente coletivo e know-how da manipulação das massas populares com mais eficiência do que os nossos chamados cientistas políticos que têm diploma e não têm votos, mas são escolados na artimanha de impressionar os dirigentes provincianos que os mantêm em bons cargos públicos, fazendo absolutamente nada, enquanto levam coices das urnas nas eleições que disputam mandatos. Então, a propagandeada austeridade na vida pública é demagógica e tem o propósito subliminar da corrupção em desviar a atenção de sua verdadeira intenção, que é o de usar a opinião pública como instrumento na luta interna entre tantos ratos pelo controle do queijo feito com o leite mamado nas tetas do erário. No fogo cruzado da corrupção em sua própria trincheira, vence sempre o mais esperto e traquejado (não confundir esperteza com inteligência e traquejo com cultura; pois, se muitos desses figurões bem-sucedidos nos balancetes da corrupção lessem um livro, iriam para a clínica de repouso).


- Postado por: Santista às 02h21 PM
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Toda onda de austeridade pública foi soprada da calmaria das enseadas da corrupção pelos ventos do marketing montado nos cimos silenciosos dos montes onde estão encastelados os corruptos. Historicamente, os donos do poder somente preocuparam-se em combater corruptos quando a corrupção era dos outros e a sua concorrência ameaçava a feira deles. Então, é isto e não é de outro jeito. Afinal, esses repentinos surtos de moralização política não têm passado de eventos da corrupção trocando de diretoria.

PERCEBE-SE, aqui e ali, a descrença geral e a conformação coletiva de que a corrupção está absoluta e intocável em todo o território nacional, qual um polvo monstruoso que mantém imobilizado sob o seu peso o Brasil sugado pelos tentáculos que irão inevitavelmente extraindo nossas energias até cada um de nós perder a capacidade de reagir. Mas não irá. Há um sintoma promissor desta vez. Os corruptos levantaram demais as saias da corrupção e deixaram a população ver as suas partes despudoradas. E o Ministério Público viu nos intestinos da corrupção onde estão as riquezas nacionais.

A zoeira escandalosa nos porões do poder não deve intimidar os caçadores de corruptos. Ela vem da pancadaria entre eles mesmos. Ressoa dos alicerces da corrupção ruindo-se sobre ela, que, furiosa, reage como uma cascavel em seus primeiros estertores e tentando assustar com o barulho do chocalho no rabo, já que não adianta atingir os que a enfrentam com os seus botes mortais, porque estão imunizados com o antídoto de sua peçonha.

Os que são possuídos pela vocação para riqueza como único objetivo de sua vida costumam ser possuídos, também, pela índole para a corrupção; e estão sujeitos a ser possuídos, sobretudo, pela solidão dos velhos tristes que ficam com o olhar parado no nada, como se em busca dos amores perdidos, das alegrias não tidas, do calor dos ausentes que deixaram abandonados de seu carinho; e, então, estarão possuídos, fatalmente, pelo arrependimento do tempo gasto na construção do dinheiro que não paga a sua saúde destruída. Esses são os que foram abrindo com tanta força no moço as feridas que agora estão fracos para fechá-las no velho.

Apesar do lodo, as flores do lírio continuam nascendo lindas. Existem os que nascem predestinados por uma curva nos olhos que faculta a determinados homens enxergarem atrás das montanhas e perceberem na planície o chão que, por mais alto que subam os homens ou sejam elevadas as montanhas, tanto eles, como elas, não vão além do pó que está na terra. Esses são a chama da vida que ao morrer não se apaga neste planeta. A luz voltou para a estrela.


- Postado por: Santista às 02h21 PM
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