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Os Desmemoriados
  
 


O diamante nas pedras, o cerne nas madeiras e o aço nos metais simbolizam bem o caráter das pessoas fortes. Assim como há a casca no lenho, o óxido no metálico e a jaça no seixo, também existem as fraquezas na natureza humana, como a covardia, a falsidade e o oportunismo. Valente é a pessoa que não recua diante de seus medos, não cede à prostração de seus cansaços e não foge dos sacrifícios pelo desvio das conveniências.

POR mais que doam os reveses, os cortes do sofrimento são necessários para aperfeiçoar e preparar a criatura humana para ser um benfeitor de seu povo, assim como o rebolo remove a jaça do diamante para torná-lo jóia brilhante, a plaina lapida a madeira para transformá-la na obra de arte ou no móvel, o esmeril remove a ferrugem e parte o aço para fazer a peça das máquinas.

DO mesmo modo, o ser humano somente será verdadeiro se tiver coragem de burilar as inferioridades de sua índole para manter-se autêntico no cumprimento do rigor da palavra dada, na manutenção da firmeza do compromisso assumido e na determinação da fidelidade ao que pensa e sente.

NÃO há outro jeito de ser digno e confiável. E será conduzindo-se de maneira nobre e desprendida que a pessoa encontrará a sua vocação, que é a única forma do cidadão ser feliz, de medir e adequar-se aos limites de sua real potencialidade, de conduzir-se incansável e imbatível no que se propõe a realizar, e, sobretudo, de não vir a conhecer a desonra e a tristeza de uma velhice frustrada e arrependida.
a conduta legitimada pela sinceridade fixa no propósito da honestidade é capaz de impedir a pessoa de construir a sua própria destruição. Apenas a verdade mantém-se imutável sempre que o autor de um fato em questão discorre sobre o seu gesto enquanto que não consegue dizer uma mentira sem cair em contradição toda vez que fala dela, como se houvesse no cérebro uma substância química que adicionasse na mente do mentiroso uma poção amnésica que anulasse os registros dos fatos de conteúdo apócrifo.

SÃO os desmemoriados errantes no espaço mental da consciência perdida. Vagueiam consumidos em si mesmos na proscrição do caráter. Os mais deslumbrados são os líderes que navegam na constelação da vida pública embriagados pelas luzes do poder enquanto estão sendo sugados pelos buracos negros do universo político. Mas vão alegres para o ostracismo à sua espera. Do alto do poder, nenhum líder consegue enxergar o seu fim. Ficam embevecidos com a temporalidade que existe em toda ascensão. Tornam-se ouvintes dos enganosos cantos da sereia, como Ulisses esteve seduzido por Cirse na mitologia grega. São surfistas eleitorais que seguem quais os atletas sobre as pranchas, se equilibrando no movimento das ondas do mar e vão ao fundo quando a maré baixa porque não possuem força para manter o roteiro nas águas.

A legião dos desmemoriados criou a civilização dos aproveitadores que povoam a província do pequi.

DESMEMORIADOS que xingam na oposição o governo que aderiram e atualmente praticam no poder as sinecuras oficiais que condenavam.

DESMEMORIADOS que mudam para o partido político que atacavam antes e passaram a elogiá-lo com a mesma veemência que agora combatem a sigla a que pertenciam.

DESMEMORIADOS que se elegeram com discursos comprometendo sua palavra de que fariam certas obras e nomeações, e que, eleitos, não cumprem as promessas feitas ao povo na praça pública e garantidas aos companheiros no particular.

DESMEMORIADOS que fizeram privatizações no governo e que na militância oposicionista criticam a venda das estatais a preços aprovados por eles.

DESMEMORIADOS que praticaram corrupção administrativa e barganhas eleitoreiras e que hoje protestam pela moralização dos caixas de campanhas que custearam suas eleições.

DESMEMORIADOS que ficam de prontidão para ouvir o Hino Nacional e que rastejam no entreguismo dos brasileiros apátridas que se curvam ao intervencionismo em nossa soberania pátria através da ocupação aberta da Amazônia pelos norte-americanos, sob o rótulo das ONGs internacionais.

DESMEMORIADOS que gostavam de usar na oposição a imprensa para denunciar irregularidades dos adversários e que na atualidade gostam de usar o governo para silenciar a imprensa.


DESMEMORIADOS, enfim, são todas as autoridades que não se pode ter fé na palavra oficial delas. Quando não há credibilidade na palavra de uma autoridade, todos os outros valores ficam suspeitos em sua pessoa.

MAS felizes são esses gloriosos desmemoriados. Eles estão satisfeitos com a sua presença no poder. Não ouvem o que dizem as ruas na sua ausência.



- Postado por: Santista às 11h00 PM
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Não quero ser ninguém, só eu
  
 


Não quero nada da vida a não ser eu mesma. Que eu me sinta feliz nos momentos devidos e que tenha firmeza para ficar triste quando a tristeza me visitar. Afinal, ela já me é familiar. Conheço seus dedos, seu hálito de enxofre e erva-cidreira. Não há motivos nem tempo na vida para ser apenas a fantasia e a ilusão do sorriso quando muitos padecem na dor de minutos, sem o limite da paciência, porque foram feitos para ser assim: às vezes louça, às vezes barro.

Não sou perfeita. Quero poder me ver por dentro, sentir a energia dos meus gestos e concluir que, como qualquer um, há dentro de mim uma fortaleza construída com lembranças e papel do passado e que pode ruir, já que não há nada eterno na vida, embora queira eu continuar vivo para ver o bem triunfar contra o mal, na natureza e na natureza da consciência do próprio homem, onde se pode plantar palavras como sementes e colher palavras como bálsamo capaz de nos curar feridas abertas pelos chicotes da incomprensão.

Quero poder cobrar de mim mais paciência com os outros e menos egoísmo com o que possuo. E que em algum dia possa eu distribuir o que tenho e fazer feliz muitos dos que só pensam na matéria e padecem diante da doença do consumismo, esse que nos escraviza nas trocas diárias. Quero mergulhar no vento, senti-lo como se libertasse da pior doença do mundo, e tocar o sol com a serenidade de uma criança que toca o rosto do pai pela primeira vez na descoberta da família. E que sorri como se espalhasse felicidade num tempo de paz, à espera do fruto, à espera do sabor.

Quero dividir com a Lua toda cumplicidade de uma senhora mãe, na experiência de suas rugas e de sua bondade materna. Sentir como é linda a noite e dizer que os que não dormem não sonham e perdem todos os dias. Quero senti-la com todo orgulho de quem volta todas as noites para nos encher de belezas. Quero sentir a natureza bem perto e esquecer do carro luxuoso que corta a rua e que apenas enfeitiçam os que só pensam no supérfluo. Quero sentir a árvore na sua vida de árvore. Sentir a rama na sua vida de rama. E se pudesse escolher, não queria ter rodas nas pernas, mas raízes fincadas nalgum coração que, por alguma ventura, possa estar vivendo momentos de depressão.

Não queria ser nada a não ser eu mesma. Esses dedos, esse rosto, essas mãos, esses braços, essas pernas, esse pensamento, que me são familiar no cansaço diário da difícil tarefa de entender as pessoas num conflito constante entre ser o corpo e ser a alma, entre ser o real e entre ser o imaginário. Quero poder sentir a força da diferença de cada olhar, de cada abraço, de cada passo que vem em nossa direção. Saber se, na verdade, nesses braços estendidos não há punhal da traição ou sorriso de Judas.

Não queria ser nada a não ser eu para sentir até onde posso ir sem esbarrar nos meus princípios, sem proibir meus desejos. Não serei nada mais que a bandeira dos que amam cada pedra do fundo do rio. Dos que amam cada gota nos oceanos. Dos que amam cada filho que nasce e cada amigo que parte. Queria voar alto, tão alto, a ponto de sentir a terra fugir de meus pés. Queria mais: voar, voar mais alto e, quem sabe, tocar na mão de Deus e voltar para minha origem e, quem sabe, tocar no coração dos homems. Não podemos vir ao mundo para escolher. Não somos nós que escolhemos o amor que temos. Não somos nós que escolhemos o ódio que nasce em nós. Mas ao olhar para fora, contudo, sei que posso me conter no amor que não escolhi e no ódio que não cultivei. Mas serei sempre eu que estarei dentro de mim, me controlando.



- Postado por: Santista às 09h06 AM
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A discriminação social
  
 


No início da sessão legislativa do Congresso Nacional, em fevereiro de 2004, o secretário da Promoção da Igualdade Racial do PMDB de São Paulo encontrou-se com o presidente do Senado Federal e pediu o seu apoio para o Estatuto da Igualdade Racial. À oportunidade, agradeceu ao senador José Sarney a contribuição que sempre deu às políticas públicas de combate à desigualdade racial e entregou-lhe um documento intitulado "Carta do Movimento Negro do PMDB à Nação Brasileira".

Nesse encontro foi lembrado que, no momento da promulgação da Constituição de 1988, Ulysses Guimarães declarou “ter ódio à ditadura tanto de Vargas quando a do regime instaurado no País com o movimento militar de 64”. Por isso mesmo, a carta anti-racista também salientou o mesmo sentimento de ódio ao racismo, aliás inaceitável numa democracia na qual tanto se fala em igual oportunidade para todos e assegura o exercício de direitos sociais na plenitude das garantias individuais.

O Brasil tem uma tradição de luta contra o racismo, mas sempre descuidou-se da prática de políticas afirmativas em desfavor da discriminação racial. Sabem os brasileiros de sua profundidade, de sua beleza, de sua conseqüente vontade de poder solucionar uma série de coisas, mas o encaminhamento não tem sido dos melhores. Falta ainda uma articulação política com diferentes ministérios do governo visando reduzir as desigualdades e as discriminações do gênero, o que, sem dúvida, é de se lamentar, sobretudo agora quando tanto se fala em fome zero, bolsa escola, cotas para negros nos institutos de ensino universitário e assim por diante.

Pouco se tem avançado nessa luta e é preciso acrescentar, no capítulo, o sofrimento da mulher nordestina, vítima do fenômeno da feminização da pobreza no Brasil, que merece uma reflexão da sociedade. De quando em quando, há quem recorde Graciliano Ramos, em seu livro Vidas Secas, no qual faz a apresentação de Sinhá Vitória, expressando uma sociedade patriarcal em que, nem mesmo a personagem com um pouco de cultura conseguia driblar. A escritora cearense sempre denunciou em seus romances uma sociedade em que a pobreza afligia sobremaneira a mulher nordestina.

Uma parlamentar do PFL da Bahia, Zelinda Novaes, enfocou o assunto na tribuna da Câmara dos Deputados e frisou que, com baixa escolaridade e sob uma pressão social muito grande, num ambiente onde perduram tradições e costumes antigos, a forte mulher sertaneja é economicamente fraca, mas não pela ausência de trabalho e sim de oportunidade e de reconhecimento da sua capacidade. A mulher do semi-árido não tem carteira assinada nem cargo público, anda horas a fio sob o sol em busca de ou carregando água, participando da colheita e de outras atividades que exigem exaustivo esforço físico.

O Brasil padece tanto da discriminação racial quanto da discriminação social e esse fenômeno é criteriosamente estudado por Martiniano José da Silva em seus livros Sombra dos Quilombos, Auto de Zumbi, Racismo à Brasileira e outros mais sobre os kalungas do Brasil Central. Com muita lucidez, espírito crítico, conhecimento da causa e credibilidade de pesquisa, ele trata dessa questão com o juízo de mestre abalizado, bastante senso de visão sociológica e sólida fundamentação jurídica.


- Postado por: Santista às 08h59 AM
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A conspiração da verdade mentida.
  
 


Gosto de ouvir um pouco mais à frente do que estão dizendo as pessoas. Toda vez que formei a minha opinião no pensamento contemporâneo dos que levantaram os protestos contra governos eleitos, escutei depois a voz da História falando o contrário.

Os acidentes dos fatos históricos costumam criar mártires em pessoas comuns e projetá-las à condição de heróis enquanto dure a chama daquele momento, mas que se vai apagando no calor de suas lideranças como o próprio fogo queima o material que o mantém aceso.

São pessoas que vêem as praças públicas com o olhar voltado para o interior de seus quintais e caminham como se buscando na Bandeira Nacional o pano para costurar o País dentro de seus bolsos. Gostam da vida pública, mas não amam a nação que representam nela. Não sabem, sequer, fazer a diferença entre gostar e amar. Usam um verbo no lugar do outro. Gostar é alusivo ao instinto do paladar. Amar é indicativo no sentido do sentimento.

Gosta-se do que tem gosto, usa e come. Gosta-se de melancia e de rapadura, e não se gosta diferente daquela melancia e daquela rapadura, mas gosta-se do mesmo jeito de todas as melancias e de todas as rapaduras que tenham o sabor igual.

A gente ama as pessoas, e não se ama uma pessoa igual ao que se ama nenhuma outra. Ama-se o filho de um modo. Ama-se o irmão de outra maneira. Ama-se o pai ou a mãe de outra forma. E ama-se a mulher querida com uma afeição distinta das demais espécies de amor.

Amar é muito diferente de gostar, também na política.

O líder idealista ama o seu país, e ama o governante eleito porque ele administra com amor no povo, e o ama também porque o seu tempo de duração no poder não é determinado pelas patentes militares ou pela sociedade empresarial, mas pela maioria dos cidadãos simples na hora do voto. Os humildes decidiram a vitória de Lula. Percebeu-se debandada de seus adversários históricos e doutores que davam as receitas do sucesso nas eleições anteriores fugindo da derrota, para não serem pisados pela corrida da população brasileira para as urnas do torneiro mecânico.

O líder demagogo gosta de todas as formas de governantes, sejam ditadores ou reis, que disponham do Tesouro como utilidade em seu proveito particular, e assim gosta dos governos que tomam para ele o que é dos outros e gosta mais ainda se punem os inocentes para ser assegurada a impunidade dele, mas não gosta dos governantes eleitos que se recusem a dividir o dinheiro público nas faturas dele.

Poucos, no Brasil, chegaram a chefe da Nação percorrendo tão longo caminho nas ruas e congestionando tanto as praças públicas de multidão como Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto muitos dos atuais heróis no País se escondiam de medo dos quartéis. E nenhum outro era tão espancado pela crítica dos jornais que escreviam as vontades da censura, enquanto Lula comandava a luta operária buscando para trás o estado de direito e a volta da liberdade de imprensa para os jornais, revistas, rádios e televisões que o atacam impiedosamente agora. Lula foi a semente das greves nos levantes da pobreza oprimida e que se germinou afundada no chão da revolta popular, de tanto ser pisoteada pelas botas dos ditadores que, às vezes, irrigavam o pó dos libertadores com o sangue dos mártires e as lágrimas das mães. Ainda povoa a consciência nacional a figura solitária de Lula, ao lado de Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela, correndo numa rua de São Paulo para acudir, durante uma passeata, os companheiros das bordoadas de militares aplaudidos por políticos e donos de órgãos de comunicação que atualmente arrotam democracia fazendo ainda a digestão do que comeram nos banquetes da ditadura.


- Postado por: Santista às 11h19 PM
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Mas lê-se na imprensa crítica que o presidente Lula não está fazendo nada, quando ela esteve tão calada com a boca cheia das verbas de propaganda dos governos da ditadura que fizeram o endividamento externo e interno que come a renda nacional somente com o pagamento dos juros que, apenas eles, devoram as reservas do erário, antes destinadas ao custeio dos investimentos no crescimento brasileiro. E não se publica que Lula herdou uma dívida de 881 bilhões de reais que rói 56,5% do PIB nacional.

- Postado por: Santista às 11h19 PM
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Dá para desconfiar dessa crítica sistemática que surge de uma hora para outra, onde os denunciantes latem acusações como cães quando começam a morder na escassez da ração.

O povo brasileiro entende que o grande mal responsável por todos os demais desvios de conduta é a corrupção que apodreceu as pessoas no poder e transfigurou o País numa poça de 8.511,965 km² de sujeira na administração pública; mas sabe-se, também, da honestidade pessoal de Lula destoando-se nesse cenário fértil para as oportunidades do enriquecimento ilícito.

Necessariamente, o fato de Lula ser uma exceção à regra, quase que geral, na tribo dos papas-cargos, a sua presença incomoda a companhia dos que perderam a honra na subida ao poder, tirando sua fortuna de cima dos cargos e varrendo para debaixo dos tapetes dos gabinetes o lixo da comilança das verbas. Então, a honestidade ingênua, a boa-fé desarmada e o caráter quase de menino que não se envelheceu nos sonhos o deixam sem reação imediata ante a constatação assustada dos escândalos, qual criança intimidada só com o barulho da tempestade que ruge lá fora batendo as portas mal trancadas da casa à noite. E Lula se encolheu de início, principalmente, porque não viveu na experiência própria o preparo para assistir em preto-e-branco a tragédia que é ser chefe de uma nação e cujo drama só viu no filme colorido dos olhos de espectador.


- Postado por: Santista às 11h18 PM
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Mas ouve-se, agora, o clamor organizado de líderes engordados no ventre dos governos totalitários que encheram o País de obras de cimento sobre a terra e, debaixo dela, de perseguidos políticos que não cabiam mais no solo das prisões, levantarem suas mãos, ainda machucadas de tanto que bateram nos direitos dos trabalhadores, e brandi-las na acusação de que o Programa Primeiro Emprego só conseguiu empregar, até agora, uma única pessoa. Esse coeficiente é estatística da imaginação das letras de forma. , O Primeiro Emprego já colocou no trabalho mais de uma centena de pessoas que batiam em todas as portas fechadas no empresariado. E ainda que fosse um só emprego apenas, valeria como rompimento inicial da indiferença tradicional dos ricos aos pobres, até porque, se fosse realmente um único emprego, teria aquele valor de que toda grande estrada se abre no primeiro passo. Lula é, pelo menos, o primeiro governo que reconheceu existir fome matando gente no Brasil, enquanto que os antecessores alicerçaram obras faraônicas na indiferença social aos que viviam sem ter o que comer abaixo da linha da miséria absoluta.

Lula nunca foi um celerado incendiando as causas justas da Pátria, nem se reduziu às cinzas com que outros se benzeram na ditadura, mas foi o mastro que não se deixou dobrar no desânimo sob os golpes dos revezes eleitorais que sofreu e de onde sempre voltou como uma página ainda maior no testamento dos bravos.


- Postado por: Santista às 11h17 PM
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Saiu criança retirante da aridez do polígono das secas pernambucanas e não se envenenou na amargura das raízes de sua origem. Soletrou o ABC Paulista na escola das oficinas em que as máquinas comeram um de seus dedos no trabalho de torneiro mecânico para levar comida para casa e não cultuou o aleijume. Passou pelo chicote das desigualdades sociais e não sujou os passos na travessia que cruzou de pé os calabouços da ditadura. Tampouco desertou-se da frente do sacrifício no PT nas vezes em que foi derrotado como candidato a presidente do Brasil.

Lula segue, visível em sua história, como um desses estadistas que jamais negaram a coerência de sua legenda pela biografia do dinheiro. Mostra-se honesto até na revisão dos erros cometidos e não roubaria coisa alguma nem para se salvar da fome do pobre que permanecerá após deixar a Presidência da República. Os que se agrupam contra ele não desconhecem a sua honradez, o seu idealismo e a sua obstinação. E não se alinham propriamente para depô-lo. Estão conscientes de sua projeção no respeito internacional que não consentiria, atualmente, a armação para derrubar um presidente eleito


- Postado por: Santista às 11h17 PM
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Toda vez que tiram o presidente eleito de um país, deveriam assumir a sua desfaçatez e tirarem o direito do povo continuar votando. Nenhma lógica decente explica os emitentes continuarem assinando promissórias que os avalistas rasgam para não pagar a conta dos compromissos assumidos. Os conspiradores de plantão não ignoram que todos os golpes de Estado ocorridos dentro do Brasil foram dados de fora do País pelos EUA. Mas o que desejam, então, os adversários? Ora, é elementar. Querem, apenas, tirar a governabilidade do presidente para fragilizar Lula e torná-lo refém dos interesses individuais deles. É só a fome física de auferirem mais vantagens do governo. Não existe espírito público. Por isso, insistem no alardeio das trombetas que Lula não está fazendo nada e repicam sem parar que há buracos não se cabendo mais um dentro do outro de tantos nas rodovias federais. Há-os mesmo. Mas não se tem como tapá-los a toque de urgência, sem que sejam enchidos primeiro com o dinheiro, que o País não tem, os buracos da dívida externa deixada pelos antecessores e cujos juros, apenas, dariam não para só se recuperarem as estradas existentes, mas, sim, para se construir o dobro delas.

Mas contempla-se o elenco das vestais das suítes dos governos déspotas que estenderam a quilometragem das estradas asfaltadas quais fitas inaugurando as frentes do progresso que levava as máquinas da produção aos confins das regiões improdutivas, enquanto baniam o ex-presidente Juscelino Kubistchek, cujo binômio do plano de metas, para quando voltasse em 1965, era a modernização da agricultura brasileira e o ingresso do Brasil no ciclo da construção de ferrovias, a fim de que se cumprisse a predição de Dom Bosco, de que o Brasil está predestinado a ser a grande civilização do futuro. JK acreditava que a profecia do santo salesiano era de que o Brasil estava predestinado como o celeiro do mundo e estaríamos livres de tempos, como os dias atuais, em que os custos com o transporte de insumos, de defensivos e de sementes até as lavouras e da produção agrícola até os grandes centros de consumo e os portos estão maiores que os preços alcançados pela venda dos grãos. A carestia do transporte rodoviário, eis a razão desse descabimento que leva a quebradeira rural ser na mesma proporção do tamanho da colheita. A conseqüência evidente é a ação de seguidos governos, pós 64, terem regulado o desenvolvimento condicionado à construção e pavimentação somente de rodovias. Planejaram obedientes às imposições do capital estrangeiro. Os empréstimos não poderiam ser usados para se construírem ferrovias ou na recuperação das que foram sendo paralisadas. E por que isso? O frete do transporte ferroviário é barato e, com isso, o Brasil assumiria a supremacia da produção, da exportação e do consumo mundial.


- Postado por: Santista às 11h16 PM
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Quando o presidente José Sarney ousou construir a Ferrovia Norte-Sul, ligando o Brasil ao porto de Aricas no Oceano Pacífico – diminuindo-se em 45 dias uma viagem daqui ao Japão e, em 15, aos Estados Unidos –, o monopólio do mercado de alimentos protocolou um documento em Washington, solicitando ao presidente dos EUA que desfechasse uma ação para impedir o governo brasileiro de construir a Ferrovia Norte-Sul, iniciada e interrompida nos papéis da concorrência pública. O resultado é essa estagnação no retrocesso do desenvolvimento brasileiro que está inviabilizando atualmente a Nação na precariedade das rodovias federais.

Vive-se um dilema. Se nossas estradas não forem recuperadas, os produtores rurais irão à falência. Ocorre que o Brasil não conta com recursos próprios e serão necessários novos empréstimos externos, mas, se forem captados, quebra-se o Brasil que já colhe 25% da soja mundial e tem potencial para dobrar a safra rapidamente. Contudo, nossas rodovias não suportam a demanda de tamanha produção. Foram feitas para um tráfego de caminhões até oito toneladas e não têm como agüentar o trânsito de um número dez vezes maior de carretas com bitola para até 65 toneladas.

Recordem-se, brasileiros!


- Postado por: Santista às 11h16 PM
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O presidente Getúlio Vargas no seu segundo governo, para o qual se elegeu, foi empurrado para o suicídio pouco tempo depois de haver criado a desbravadora Marcha para o Oeste – a primeira tentativa histórica de se deslocar o eixo do desenvolvimento nacional para o Centro-Oeste e Amazônia – e assumiu o Palácio do Catete o vice Café Filho com o suicídio-deposição do presidente que instituiu as leis trabalhistas e a Carteira do Trabalho no Brasil.

Começou a campanha eleitoral da sucessão presidencial e Juscelino Kubitschek anunciou, num comício em Jataí-GO, que iria construir Brasília. Ao ser eleito, Carlos Lacerda, o melhor estilo de texto carbonário e polêmico da imprensa brasileira, passou a conspirar no Rio de Janeiro para impedir a posse de JK na Presidência da República. Ardiloso, Lacerda convenceu o presidente Café Filho a fingir uma doença e a se hospitalizar às pressas, para que o presidente da Câmara Federal, deputado Carlos Luz, assumisse o governo, comprometido em dar o golpe de Estado a fim de impedir a posse de Juscelino. O ministro da Guerra, marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, e o general Odílio Dennis descobriram a conspiração em andamento e organizaram a resistência nas Forças Armadas leais a Lott, que passou a se movimentar para prender os conspiradores. Café Filho sarou correndo no hospital e reassumiu a Presidência rápido. Carlos Lacerda embarcou no navio Tamandaré com outros conspiradores para São Paulo, decidido a consumar o golpe ali; porém ao chegar lá, encontrou São Paulo preparado militarmente por Lott. Lacerda desistiu e retornou no golpismo em 31 de março de 1964 e derrubou o presidente João Goulart.


- Postado por: Santista às 11h15 PM
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Os conspiradores continuaram agindo sob o comando da inteligência de Carlos Lacerda após Juscelino Kubitschek tomar posse em 1956. O pretexto alegado para insuflar os cariocas e os paulistas foi a necessidade de se impedir a mudança da capital federal para Brasília, a fim de não provocar a ruína da cidade do Rio de Janeiro. JK era muito democrata e sofreu, calado, uma campanha sistemática dos adversários, que iam do estardalhaço de denúncias de corrupção no governo aos ataques cerrados à vida pessoal do presidente. Estampavam matérias em jornais chamando JK de “pé de valsa” que fazia das noites no Catetinho uma “orgia regada com mulheres bonitas”. Carlos Lacerda apelidou Brasília de “túmulo dos faraós”, enquanto Jânio Quadros – que estava mais para o deus mitológico de duas caras, Janus – xingava a rodovia Belém-Brasília de “caminho de onças” e rotulava a Rodobrás, o órgão que construía essa rodovia, de “Roubobrás”. Toda essa panacéia acontecia em meio à conjura que se eclodiu em Jacareacanga-PA, e em seguida em Aragarças-GO, chefiada pelos oficiais da Aeronáutica, Veloso e Vitor. Foram presos. Mas JK os perdoou e mandou libertá-los. Esse gesto do presidente levou os dois oficiais ao mais vergonhoso repúdio da opinião pública em todo o País.


- Postado por: Santista às 11h15 PM
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Jânio Quadros foi eleito e deixou vazar para a imprensa que ia “chamar Juscelino de ladrão na cara dele, ao receber a faixa presidencial”. Mudou de idéia. Foi informado da decisão de JK de “dar-lhe um murro na cara durante a solenidade”. Mal correram sete meses de sua posse, o “homem da vassoura” proibiu briga de galos, uso de biquíni nas praias, cheirar lança-perfume no carnaval e outras alegrias do povo, enquanto se tornava alcoólatra inveterado no Palácio da Alvorada, onde sua diversão predileta era assistir filmes de vampiro. Obviamente JQ já preparava uma renúncia-golpe, pois retaliava a imagem do seu vice Jango, ironizando que ele “não dava conta de governar nem a sua casa”.

O governador do Estado da Guanabara, jornalista Carlos Lacerda, que se revelou um grande administrador no governo, descobriu o jogo tramado do presidente Jânio para se tornar ditador, denunciou e gorou o golpe de Quadros, que caiu no vazio de sua renúncia qual bruxo voando montado no cabo de sua “vassoura”, símbolo que usava para, dizia, “varrer os corruptos do Brasil”, dentre os quais a fortuna que deixou ao morrer era o seu auto-retrato deles.


- Postado por: Santista às 11h14 PM
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Carlos Lacerda continuou conspirando, dessa vez para impedir a volta do vice Jango – que se encontrava em missão oficial na China – ao Brasil e ser empossado. O governador e cunhado de Jango, Leonel Brizola, juntamente com o governador de Goiás, coronel de Exército Mauro Borges Teixeira, criou o movimento Cadeia da Legalidade e levantou o País. Jango teve que dar uma volta ao mundo e descer no Uruguai, onde permaneceu até que o amontoamento das multidões em todo o território nacional quebrasse a resistência dos quartéis, e o presidente entrou pelas fronteiras do Rio Grande do Sul.

As “forças ocultas” alegadas por Jânio Quadros e lideradas por Carlos Lacerda consentiram a posse de Jango, porém não no regime presidencialista, mas como presidente no parlamentarismo, que teve Tancredo Neves como primeiro premier. Jango articulou e aglutinou o apoio político que permitiu a volta do País ao presidencialismo. Mas terminou sendo deposto pela conspiração liderada por Carlos Lacerda na noite de 31 de março-madrugada de 1º de abril, dia instituído à mentira.


- Postado por: Santista às 11h14 PM
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E veio a longa e tenebrosa ditadura militar com seus generais-presidentes, dos quais Castelo Branco foi o mais honrado, e Emílio Garrastazu Médici, o mais realizador – apesar de haver sido também em sua gestão que a ditadura se marcou por um de seus dias mais cruéis –, fez a hidrelétrica de Itaipu, a ponte Rio-Niterói, asfaltou a Belém-Brasília etc, ao ponto de chegar a ter na época tanta popularidade quanto JK, que foi tendo seu prestígio aumentado e sendo diminuído o de Médici no correr do tempo, pelo fato de que todas as obras físicas de um governo não são capazes de cobrir uma única sepultura de um só dos desaparecidos políticos.

O golpismo parece ter morada cativa no subsolo do poder no Brasil. No período do presidente José Sarney, o presidente sentiu na própria pele a mordida dos “marimbondos de fogo”, que voltaram a bater suas asinhas na caixa da conspiração, ao lançar a meta da Ferrovia Norte-Sul. O casuísmo mostrou seu ferrão pregando a necessidade de se tirar um ano do mandato constitucional de cinco anos de Sarney, afastando-o, assim, do governo antes do início das obras daquela ferrovia. O golpe-branco só não aconteceu porque o intelectual José Sarney, que lê muito, conhece a História e é um maquiavélico de teoria e prática, fez um recuo estratégico e desaqueceu o plano de acelerar a construção da Norte-Sul, que era a terceira grande tentativa histórica para se deslocar o eixo do desenvolvimento nacional do jugo monopólico dos grandes centros e promover-se o encontro do novo Brasil dentro de si mesmo.


- Postado por: Santista às 11h13 PM
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Os continuados exemplos na repetição dos fatos históricos atestam que nenhuma outra razão ampara os motivos da conspiração para se fragilizar ou destituir-se um presidente da República eleito, a não ser os projetos pessoais dos donos do poder no País en sua disputa pela dominação do governo. Pesa ainda em desfavor do presidente Lula, contra quem não se levanta um único ato de desonestidade pessoal, a reação dos doutores da política não terem, no fundo, engolido a humilhação de ser mandados por um torneiro mecânico. De fato, dói. Machuca muito o orgulho próprio o risco insinuando a perspectiva de um operário braçal resolver os problemas que não foram capazes de solucionar no Brasil. Só podem estar apreensivos. Afinal, se o povo elegeu um trabalhador para chefe da Nação é porque, inegavelmente, se cansou dos patrões que dão ordens a todos os governos há longo tempo. Portanto, o Lula, simplesmente um Silva, está sacramentado no altar da democracia como sendo o único operário eleito para governar o Brasil, o que é uma honraria histórica acima de quaisquer destas medalhas que se põem no peito nas solenidades cívicas.

O presidente Lula não tem como continuar aparentando ser um pedido de desculpas aos que o acusam de não estar fazendo nada.

Existe realmente um Brasil parado na meta das obras físicas que geram empregos para a população e promovem o crescimento nacional? De fato, existe. Todavia, não se tem como tirar o País da paralisia administrativa se não forem promovidas reformas profundas para libertar a ação governamental dos privilégios de grupos que, tradicionalmente, mantêm a autoridade do presidente amarrada pelos laços do corporativismo até de leis que asseguram a impunidade dos crimes notórios de lesa-pátria.


- Postado por: Santista às 11h13 PM
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O Brasil debate-se no desemprego, na fome e no retrocesso do crescimento? Debate-se. Contudo, não existem alternativas para um aceleramento do progresso, sem quebrar as etapas da reordenação das finanças públicas ou romper com o FMI através de um calote nos credores internacionais. Mas essa seria a saída? Não. É imprevisível o alcance do desastre econômico que seria provocado, com reflexos fatais de uma crise nos setores de produção, de uma convulsão social nas próprias camadas que forram o País no desemprego e na fome, além da baderna política que afetaria a governabilidade do presidente.

Enquanto não se atingir um bom nível da profissionalização dos empregados e dos patrões, continuará sendo prioritária a prática de uma política de assistencialismo como paliativo para se aliviar a dor nos estômagos, até que possam chegar os remédios de cura para os males que estão matando os trabalhadores nos salários baixos e adoecendo a expansão das empresas na peste dos impostos.

O povo continua enfrentando horas amargas demais e impossíveis de se continuar suportando-as por muito tempo? Continua, sim. Todavia, lamentavelmente, faz-se necessária a manutenção da atual política econômica com suas taxas de juros devoradoras da produção e repassadas à população nos preços dos materiais de consumo.

E tem outro jeito? Teria. O aumento da carga dos impostos. Mas a Nação ensurdecer-se-ia nos gritos de desespero das famílias e na bronca dos empresários, de vez que toda empresa nacional possui a ambição internacional de ampliar suas fronteiras comerciais, aqui, nos Estados Unidos, no mundo inteiro. Ou faz-se assim, ou vai-se à falência. O resto é sonho acordado. O capital estrangeiro não está preocupado, nem um pouco, com a fome no Nordeste, o analfabetismo no Norte, a criminalidade nas favelas do Sul, a mortalidade infantil do Leste, ou com nenhuma outra frissura social no corpo de todo o Brasil. Os credores internacionais reagirão impiedosamente contra o País, se for dado um calote neles. O FMI se enfurece qual um polvo ensandecido e nos estrangula com seus tentáculos mais fortes que a soberania nacional.


- Postado por: Santista às 11h12 PM
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O rumo seguro é mesmo esse que a política econômica vem seguindo, às vezes acidentado por imprevistos contrários e dolorosos. Por isso faz-se necessária a cautela do ministro da Fazenda, Antônio Palocci — que tem o semblante do homem sofrido e sonhador — e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles — que tem na face a estampa do calculista gelado. Somente a conduta que estão tendo será capaz de manter a nau econômica na rota a salvo de uma eventual crise na economia mundial.

O presidente Lula tem-se atrevido aos limites do que lhe permite a conjuntura político-econômica e a nomenclatura de seus poderes constitucionais. Mas certas alas do próprio PT não entendem assim! É porque se prepararam para ganhar o governo, porém não estavam capacitadas para assumir o direcionamento do poder. Mas há blocos dos partidos aliados engrossando a fila dos contrários ao presidente Lula! Se bem-intencionados, não passam de tolos desinformados falando em nome do povo. Mas existem movimentos populares, como o MST, voltando a fazer passeatas de protesto, dessa vez contra o Lula! Não percebem que as suas vozes estão fazendo o coro de setores das elites que se enriqueceram dentro dos cofres de governos que batiam neles. Mas há ricos que financiaram a eleição de Lula brabos com ele! Muitos acusam o pobre Lula, testemunhados por suas fortunas que nenhum trabalho seria suficiente para gerá-las rapidamente no atalho de longos anos.


- Postado por: Santista às 11h12 PM
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É certo. Lula precisa fazer algumas correções em sua rota de vôo no governo. Positivamente, está percorrendo o mundo para tentar convencer, nas conversas reservadas, os chefes das nações ricas de que eles precisam rever seu posicionamento em relação ao endividamento dos países pobres. Impõem-se o reescalonamento das dívidas e a liberação de novos recursos externos para que possam crescer e honrar seus compromissos com o FMI, sob pena de uma convulsão continental na América do Sul, na África e na América Central, com resultados mais dispendiosos que os gastos estratosféricos na desova da indústria bélica do que possam parecer ser os custos de uma ampliação da ajuda econômica.

O Silva do Palácio do Planalto deve continuar peregrinando-se mundialmente. Todavia é urgente a necessidade de passar a viajar mais para o interior do Brasil e fiscalizar as frentes de obras paralisadas. Precisa ver com os próprios olhos se a realidade coincide com as versões dos relatórios dos auxiliares. Sua presença vistoriando obras é fundamental, como o fazia o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Os presidentes-generais interromperam essa prática, e administravam o Brasil da sala presidencial, com medo de sofrerem um atentado do povo que eles roubaram o direito de votar. A continuar como está, Lula vai acabar conseguindo o título de co-piloto de Fernando Henrique Cardoso num desses aeroportos internacionais.


- Postado por: Santista às 11h11 PM
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O presidente Lula pode e deve sair tranqüilo para os encontros com a população. O povo conhece de sobra todos os seus defeitos e não estranha nenhum deles. Os defeitos de Lula são os mesmos defeitos do povo. O presidente bebe como bebe o trabalhador e se empolga ao se sentir feliz como todo mundo se empolga também durante o brinde comemorando a amizade na casa de amigos. Chora como o povo chora na emoção da alegria da chegada e na tristeza da perda de uma conquista. Não pode perder, nunca, a autenticidade dos que não negam as raízes de suas origens simples. É manter-se legítimo na demonstração descontraída da felicidade sentida, transparente no ar carregado das incertezas, solidário na manifestação do sofrimento nos infortúnios. Ser a lágrima aberta, ser o suor quente no lugar e momento que acontecem. Jamais travestir-se na verdade mentida pelas conveniências dos interesses silenciosos das forças que agem ocultadas nas manobras dissimuladas dos bastidores, onde os atuais conspiradores podem ser novos no papel que encenam no palco, mas a peça que representam é velha conhecida.

Lula tem bom discurso da política social. Precisa passar a ter o discurso mais oportuno para o momento, que é o discurso do crescimento econômico, e deixar de intimidar-se com os políticos que possuem o discurso da crítica aos problemas e não possuem o discurso para solução para os mesmos.

Um discurso atualizado para o presidente Lula é o da modernização da agricultura brasileira e do ingresso do Brasil no ciclo do transporte ferroviário. Era o discurso de JK para o governo seguinte, mas ainda continua sendo o discurso mais apropriado para voltar a crescer a Nação predestinada a ser o celeiro do mundo e que permanece vencida pelas suas próprias distâncias entravadas pela inviabilidade do alto custo dos transportes rodoviários.

Lula não teria, atualmente, os entraves encontrados por Sarney no passado. A comunidade internacional está plenamente conscientizada de que, se o Brasil não assumir nos próximos dez anos a soberania na produção de gêneros alimentícios, o mundo vai passar fome.


- Postado por: Santista às 11h11 PM
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Embora haja um desperdício de energia elétrica no esbanjamento de luzes noturnas se perdendo pelas janelas das repartições, ou nos exageros da iluminação pública, o governo está em cima do tempo de terceirizar a construção e exploração de usinas hidrelétricas. Outra terceirização que se faz inadiavelmente necessária é a conservação das rodovias atuais e a construção de novas. O governador Marconi Perillo teve a iniciativa pioneira de terceirizar as rodovias estaduais, e elas nunca estiveram tão bem mantidas, ao ponto de os carreteiros usarem-nas para se desviar da buraqueira das rodovias federais em Goiás.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na mesma situação de um herdeiro premiado com um espólio falido. Não possuo formação técnica para debater com um economista com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. Sei, apenas, fazer a leitura dos fatos que presencio, analisar as notícias da imprensa e escutar com atenção as teses contidas nas entrevistas de autoridades como Delfim Netto.

Arrolo, no seco da memória, ou no mofo dos recortes guardados, os itens das dificuldades imensas por que tem passado o governo do presidente Lula. Numero-as para facilitar o entendimento dos meus leitores.


- Postado por: Santista às 11h10 PM
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Necessidade de rigor fiscal no comando da economia em 2003, para fazer frente aos riscos que o País enfrentava, em razão do clima de terrorismo eleitoral frente à vitória de Lula.

Governo de transição, antes mesmo da posse, garantia explícita do cumprimento dos contratos estabelecidos, em termos da dívida interna e da dívida externa.

Com as especulações existentes à época, houve crescimento inusitado e irracional do risco-Brasil, e o governo foi obrigado a manter uma política monetária com taxa de juros elevada.

Ao longo do ano passado, os temores iniciais foram sendo resolvidos. Em primeiro lugar, a negociação com o FMI garantiu credibilidade internacional e não ocorreu a chamada “revoada” dos recursos externos aqui internalizados. Em segundo lugar, o controle da política econômica sobre o crescimento dos preços se fez efetivo, e as expectativas de retorno à época de alta inflação não foram cumpridas. A economia brasileira retornou à estabilidade, com taxas anuais próximas a 5%.

A partir do segundo semestre de 2003, a política monetária foi encontrando um caminho de flexibilização. A taxa de juros Selic do Banco Central caiu de um patamar de 26,5% ano e agora está em 16,25%, com clara trajetória de queda. Essa medida estimula a retomada do crescimento e possibilita a recuperação de níveis de investimento em projetos de prazo mais longo e vitais ao padrão de desenvolvimento sustentável da economia nacional.

O excelente desempenho do setor exportador também contribuiu para o quadro geral de melhoria verificado em 2003 e também neste primeiro trimestre de 2004. A balança comercial tem registrado recordes históricos a cada mês. O setor de agronegócios tem sido um dos principais responsáveis por tal desempenho, mas cada vez mais surgem dados significativos na área da produção industrial de setores menos dependentes da agricultura. Até o mês passado, o saldo de 12 meses da balança comercial foi de US$ 26,1 bilhões, contra saldo de US$ 15 bilhões em fevereiro de 2003. Ou seja, um crescimento superior a 70%.


- Postado por: Santista às 11h10 PM
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Esse movimento tem possibilitado maior flexibilidade e folga para o governo no tratamento das nossas reservas internacionais, pois possibilita a armazenagem de tais recursos e o cumprimento diferenciado das diversas formas de endividamento público. A título de exemplo, considere-se a comparação do saldo de nossas reservas às vésperas da posse do governo Lula com o saldo em fevereiro recente. Elas saltam de US$ 37,8 bilhões para US$ 53 bilhões. Com isso, o governo tem conseguido reduzir a parcela da dívida indexada ao câmbio e reduzido a dívida externa de curto prazo por prazos mais elásticos, além de trocar títulos com bônus de risco-país bem mais baixo. O risco-Brasil, que chegara a atingir valores de 2.400 pontos na época das eleições e da posse, recuou de maneira substantiva, chegando ao piso de 400 pontos e encontrando atualmente uma estabilidade em torno de 500 pontos.

Nesse conjunto de informações, cabe destacar o início da redução relativa do endividamento público. Informações recentes do Bacen e do Ministério do Planejamento apontam para uma redução da variação da dívida líquida do setor público consolidado. Os dados abaixo mostram a tendência de queda na velocidade de crescimento no índice do total da dívida líquida como porcentagem do PIB.

  • 1994/98..............39,0%
  • 1998/02..............35,5%
  • 2001/02..............7,5%
  • 2002/03..............2,8%

    Ou seja, se o índice de endividamento cresceu 39% e 35,5% em cada um dos dois mandatos de FHC, no primeiro ano do atual governo esse crescimento foi de apenas 2,8% com tendência de queda.

    As projeções apontam para continuidade de redução da dívida líquida do setor público como participação no total do PIB:

  • 2004..............58,1%
  • 2005..............55,0%
  • 2006..............51,9%
  • 2007..............48,2%


  • - Postado por: Santista às 11h10 PM
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    Esses dados se explicam, entre outras razões, pela recuperação da atividade econômica para o período, propiciando o crescimento do PIB (elemento do denominador da fórmula). De outra parte, medidas já aprovadas e em via de regulamentação (como é o caso das Parcerias Público-Privada, o chamado PPP) têm a capacidade de recuperar níveis elevados de investimento com recursos que têm sua origem no Estado e no setor privado. Com isso, reduz-se a necessidade de endividamento público para fazer face a tais empreendimentos.

    Finalmente, é importante ressaltar que o índice de endividamento público brasileiro é baixo, em relação aos países mais desenvolvidos. Há casos em que chegam a superar o próprio PIB (mais de 100%). A questão não é tanto o volume da dívida ou o seu índice, mas essencialmente a capacidade de rolar a mesma em condições de credibilidade e com horizonte de pagamento compatíveis com a perspectiva de desempenho futuro da economia. E isso parece que cada vez mais se consolida ao longo do governo do presidente Lula.

    O perfil de crescimento do montante da dívida líquida do setor público, que engloba o endividamento interno e externo dos setores público federal, estadual, municipal e as estatais, é o seguinte:

    Ano.... Total R$.% do PIB
    1994.......153 bi......30%
    1998......386 bi......42%
    2002......881 bi......56,5%
    2003......913 bi......58,2%


    - Postado por: Santista às 11h09 PM
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    Pode-se notar que o vertiginoso crescimento ocorrido no período de 1994 a 2002 foi revertido no primeiro ano se
    Friamente, os números são esses. A realidade redonda é essa. E não tenho nenhum motivo para divulgá-los, a não ser a compulsão que não me deixa permanecer calado diante de uma injustiça lesiva ao País. E não sou comunista, nunca o fui e jamais o serei. Onde estiver uma ditadura, estarei do outro lado com as minhas idéias. Também não votei no Lula em nenhuma das três vezes em que foi candidato a presidente da República. Nem o Fernando Collor viu o meu voto, apesar de reconhecer que ele fez muita coisa boa e o Fernando Henrique levou a fama, como vi a sua deposição como uma farsa moralista, ocorrida logo quando ele começava a virar gente. Votei no FHC em sua primeira eleição, mas sei que ele será julgado e condenado pela História por haver feito a venda-gratuita de nossas estatais privatizadas. E dei o meu voto para o José Serra, pela sua coragem de enfrentar a indústria farmacêutica internacional e ter implantado a política dos remédios genéricos criada por Henrique Santillo quando ministro da Saúde. Defendo o presidente Lula com a mesma motivação que me posicionaria ao lado do mandato de todo presidente do Brasil, eleito livremente pelo voto direto nas urnas.


    - Postado por: Santista às 11h09 PM
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    Friamente, os números são esses. A realidade redonda é essa. E não tenho nenhum motivo para divulgá-los, a não ser a compulsão que não me deixa permanecer calado diante de uma injustiça lesiva ao País. E não sou comunista, nunca o fui e jamais o serei. Onde estiver uma ditadura, estarei do outro lado com as minhas idéias. Também não votei no Lula em nenhuma das três vezes em que foi candidato a presidente da República. Nem o Fernando Collor viu o meu voto, apesar de reconhecer que ele fez muita coisa boa e o Fernando Henrique levou a fama, como vi a sua deposição como uma farsa moralista, ocorrida logo quando ele começava a virar gente. Votei no FHC em sua primeira eleição, mas sei que ele será julgado e condenado pela História por haver feito a venda-gratuita de nossas estatais privatizadas. E dei o meu voto para o José Serra, pela sua coragem de enfrentar a indústria farmacêutica internacional e ter implantado a política dos remédios genéricos criada por Henrique Santillo quando ministro da Saúde. Defendo o presidente Lula com a mesma motivação que me posicionaria ao lado do mandato de todo presidente do Brasil, eleito livremente pelo voto direto nas urnas.

     


    - Postado por: Santista às 11h07 PM
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    Estatuto esqueceu o idoso pobre e doente
      
     


    Os técnicos que redigiram e os deputados e senadores que aprovaram o Estatuto do Idoso, como demonstra sua aplicação prática, ao elaborá-lo estavam muito preocupados com idosos ricos, capazes de pagar suas contas, sadios e em condições físicas de ainda aproveitar o que a maioria chama de as boas coisas da vida. Só pode ser esta a explicação para o fato de os legisladores apenas vagamente terem nele incluído os velhinhos pobres, sozinhos ou desprezados pela própria família.

    No Brasil, estas criaturas infelizes não são totalmente esquecidas da sociedade porque instituições religiosas, obstinadas pela prática da caridade, cuidam delas, enfrentando os maiores desafios, principalmente a falta de recursos financeiros, sem falar na ingratidão dos que durante muitos anos foram beneficiários da força do trabalho e da generosidade de seus protegidos. Mesmo sendo a penúria sua marca registrada, esses asilos extremamente simples prestam uma assistência que o governo não presta, enquanto a nova legislação dita normas de Primeiro Mundo a quem não tem condições financeiras de atendê-las mas compensa com amor ao próximo a carência material.

    Um dos melhores pontos do Estatuto do Idoso é seu artigo 34 (Da Assistência Social do Estatuto do Idoso): “Aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para prover sua assistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de um salário mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social”. O governo federal está, portanto, obrigado a ajudar cada velhinho nesse angustiante estado de pobreza com R$ 300,00 por mês (novo valor do salário mínimo desde o dia primeiro de maio). Para o mais modesto dos asilos, no entanto, cada interno custa bem mais de R$ 1.000,00 a cada 30 dias. Na verdade, R$ 300,00 não chegam para pagar um só dos funcionários dessas instituições, obrigadas a manter enfermeiras, cozinheira, auxiliar de cozinha, faxineira, ajudante de banho, auxiliares administrativos e motorista, todos com direito a férias, 13º salário, FGTS, hora-extra, PIS e ouras vantagens sociais, sem se falar nas despesas com alimentos, roupas, fraldas, remédios (na rede pública sempre faltam medicamentos essenciais) e outras utilidades domésticas.

    O maior pesadelo desses lares, entretanto, é a exigência atual da aplicação de 30% dos R$ 300,00 em poupança para o idoso. São, então, R$ 90,00 de desconto, o que reduz a contribuição oficial a R$ 210,00. É insensibilidade total.

    Dignidade para os idosos incapazes e dependentes é ter pessoas em sua volta assistindo-os, com paciência de Jó, em suas mínimas necessidades. Eles precisam de seis refeições diárias, pois seu organismo débil absorve pouco dos nutrientes ingeridos; de quem lhes dê banhos e lhes troque as fraldas sujas; de quem os alimente na boca, com comida pastosa ou batida, pela dificuldade em deglutir, porque não mastigam mais ou se esquecem de engolir a comida que está na boca; de quem os carregue, sem machucá-los, duas ou mais vezes por dia, da cama para o banho; de quem os vista e coloque para tomar sol; de quem os conduza para a fisioterapia; de quem os transporte para a sala de televisão ou o lazer; de quem os atenda no almoço e no jantar, no café da manhã, no lanche da tarde ou da noite; de quem o socorra na madrugada e os acompanhe na medicação; de quem leve o cego diabético para a hemodiálise que lhe representa um tempo a mais de existência.

    Entidade nenhuma, com tanta responsabilidade, tem condições de sobrevivência sem esses aparentemente miseráveis 30% de um salário mínimo. Esses insignificantes 30% dão para comprar quase oito pacotes de fraldas descartáveis, que o idoso usaria em 15 dias, com relativo bem-estar, sem o constrangimento do mau cheiro, ou seriam suficientes para aquisição do medicamento que lhe diminui a confusão mental.

    Perguntas sem resposta: por que fazer poupança para quem está no crepúsculo de seus dias, sem família, e só trocará o asilo pelo cemitério?

    Se o velhinho ainda tem familiares, porque estes se desfizeram dele, como material descartável, assim que deixou de lhes ser rendoso e vantajoso?

    A terceira idade produtiva não precisa de asilos, criados pela solidariedade de uns poucos para abrigar velhinhos incapazes e dependentes.

    Um estatuto que ameaça com multas e cadeia as diretorias de entidades religiosas que tentam assim ajudar o próximo, exige urgentemente aprimoramento, antes que, em seu nome, de concretizem injustiças irreparáveis


    - Postado por: Santista às 09h16 AM
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    Desarmamento
      
     


    De há muito se perdeu o senso de proporção. Um reles xingamento desencadeia, se tiver conotação racista, reação violentíssima. Monta-se o teatrinho da punição exemplar: o autor do delito verbal é algemado e encarcerado. Já os crimes bárbaros nem sequer têm sua autoria estabelecida. Há algo patológico na dura punição à agressão verbal enquanto campeia a impunidade dos assassinos. Faz parte da síndrome da falta generalizada de respeito à vida o fato de o País ser – segundo pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) – vice-campeão mundial em homicídios sem que isso desencadeie indignação e revolta.

    Os setores da imprensa que fazem campanha a favor do “desarmamento” têm anunciado em manchetes que “O Brasil é o segundo em mortes por armas de fogo”. O País é, na verdade, o segundo maior produtor de homicidas do mundo. Em vez de se propor o ataque às causas dessa infelicidade coletiva, defende-se por meio de grosseiros sofismas o desarmamento de cidadãos bem comportados que guardam armas já meio enferrujadas nas gavetas.

    Está condenado a se tornar um matadouro o país que trata frios assassinos como vítimas do sistema. Uma sociedade não tem como escapar da barbárie se reage aos gravíssimos delitos com paternalismo. Que visão de justiça é essa que encara matar friamente como fruto da sociedade iníqua, concedendo a homicidas todo tipo de atenuante, e que repele a agressão verbal, com laivos racistas, como o supra-sumo do ato condenável? A distorção decorre de o conceito de justiça ser manipulado politicamente por ideologias totalitárias que perderam o rumo depois que a utopia ruiu com o Muro de Berlim.

    Diante do fato escabroso de que de cada 100 homicídios, nem 10 têm seus autores identificados e nem cinco são punidos, passou-se a defender a proposta luminosa de desarmar os que não usam as armas para cometer assaltos ou assassinatos. É deveras engenhoso tentar combater a impunidade generalizada dos lobos com o desarmamento das ovelhas, deixar os bandidos mais confiantes de que nada lhes barrará o caminho, de que, com o Estado inoperante, ficam livres para subjugar pelas armas a cidadania.

    Sempre me pergunto se a incompetência faz com que certos tipos de solução sejam propostos no Brasil ou se é a visão romântica ideologicamente manipulada que nos afasta da realidade e do enfrentamento de seus terríveis desafios. Por que será que a Campanha pelo Desarmamento não reconhece as fontes reais dos perigos mais tangíveis? Pra frente, Brasiiiiiiiiiiiiiil...


    - Postado por: Santista às 08h08 AM
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    Drama musical em Wagner
      
     


    Wagner está na moda. Ou melhor: desde que apresentou Rienzi, em 1842, não sai dela. A TV Cultura e Globo dedicaram, na semana passada, espaço para aplaudir a montagem do Anel dos Nibelungos. Manaus se mostra feliz por degustar o completo drama musical wagneriano. E o povo do Amazonas já fala de um tal Holandês Voador. Mas é perigoso gostar muito de Wagner. Ele é proibitivo para nossa ética contemporânea. Devemos apenas escutar sua música sem entender direito as razões para escrevê-la.

    O estilo musical do alemão anti-semita recebeu tantas críticas de Nietzsche quanto os aplausos do público sedento por sangue e drama no palco. Encontrar alguém para ser desacreditado musicalmente por Nietszche não é a coisa mais difícil do mundo. E estar nos braços do povo também deve ser situação complicada para manter a moral incólume. Além do mais, Wagner lutou por uma jovem Alemanha que se transformou na vergonha do século XX.

    De qualquer forma, se revela polêmico menos pelas dissonâncias que escolhe para colocar em suas composições e mais pelas idéias políticas. Não apresenta perigo quando se envolve nos acordes de nona ou sexta, mas quando resolve apitar sobre administração pública. Por isso Wagner é um perigo. Por sua genialidade, achamos que tudo nele seja sagrado. Quando sabemos que não passava de um grande compositor, mas caloteiro, aproveitador e inconseqüente na vida social. Do ponto de vista artístico, interessa saber se o cromatismo de Wagner vai perdurar ao longo dos séculos. De forma pragmática, os ouvidos da população têm se adaptado aos poucos a esse temperamento musical ousado. A orquestra de Wagner é orgânica e auxilia a popularizar uma nova forma de entender e encarar melodias. Não que o povo venha a escutar Wagner, pois boa parte do mundo não tem o privilégio de Manaus. Não se trata de saborear Wagner na fonte. Em regra, o leitor não verá mendigos ou adolescentes escutando Tristão e Isolda. É que suas idéias servem de biblioteca para compositores menores, a exemplo dos autores de música para cinema. De repente, na sala escura, você escuta uma frase musical que saiu da cabeça de Wagner. Não seria exatamente plágio, mas a influência contida na parede orquestral do alemão que nasceu em Leipzig. O drama musical, expressão aplicada à ópera de Wagner, revela pouco o significado do leitmotiv. O estado de arte dele visa integrar música e ação cênica numa só concepção comunicativa. É um chute na boca do estômago de quem está acostumado com óperas de Verdi. O romantismo é levado ao extremo da confrontação harmônica. Wagner superou a divisão entre ária e recitativo, ampliando ainda mais as formas de composição de uma nova ópera. Ele consegue conciliar verbo, música e elementos cênicos de forma única. Em que pesem as tentativas de Janacek, a grande maioria dos nomes posteriores a Wagner desistiu do estilo italiano para seguir caminhos trilhados pelo alemão.

    Nos próximos 30 anos, o autor do Navio Fantasma deve estar cada vez mais presente na cabeça das pessoas. As trilhas cromáticas – mais complexas e inusitadas do que intervalos diatônicos – podem tornar os homens melhores ouvintes, seres inteligentes e aptos a praticar relações sociais sob novo parâmetro ético. Por ironia, a música de Wagner nos leva ao estágio de razão humana. Quanto mais ouvimos, mais certos da eqüidade ficamos.

    É que Wagner se mostrou mau-caráter ao abandonar a mulher Minna doente. Pior que isso: traiu o amigo Bulow em um rumoroso caso com Cosima e dava constantes calotes na Alemanha. Aproveitou-se também do rei Ludwig II, da Baviera. E jamais teve coragem de enfrentar Nietzsche. A humanidade passou por ele sem deixar vestígios. Sobrou o cromatismo.


    - Postado por: Santista às 10h30 AM
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    Aspectos da vida urbana
      
     


    As questões da vida urbana encontram-se estreitamente relacionadas à problemática do desenvolvimento. O desenvolvimento resulta de transformações estruturais que – por sua vez – são conseqüência de movimentos cumulativos de recursos técnicos, materiais e humanos da sociedade, e é sob o imperativo de trocas culturais que a nossa sociedade sofre suas transformações em ritmos distintos, estabelecendo contornos e organizando as relações pessoais. Nessa perspectiva, para alcançar a sustentabilidade da vida urbana, são necessárias adequações institucionais e parcerias entre o público e o privado.

    A expressão urbano designa uma forma de ocupação do espaço – a aglomeração resultante de uma concentração de pessoas, com uma grande diferenciação social e funcional – e é pelas relações que se estabelecem nesse espaço, decorrentes da aproximação física e de um sistema cultural, que se expressa o modo de vida urbano.

    A urbanização contém uma dinâmica própria, na qual uma população se concentra em um determinado espaço e estabelece relações sociais que se materializam e dão conformação ao espaço físico-territorial urbano. As aglomerações urbanas que se apresentam funcionalmente e socialmente interdependentes, com uma relação de articulação hierarquizada, formando redes urbanas de cidades – propiciam a difusão de sistema de valores, atitudes de comportamentos que compõem a cultura urbana.

    O enfoque da sustentabilidade na compreensão das questões da vida urbana deve recuperar a visão holística, numa abordagem sistêmica em que as várias dimensões da realidade se integrem, num movimento de permuta de elementos que a compõem.

    O processo de mudança social e elevação da qualidade das oportunidades da sociedade deve compatibilizar – no tempo e no espaço – o crescimento e a eficiência econômicos, a preservação ambiental, a qualidade de vida e a eqüidade social, partindo de um claro compromisso com o futuro e da solidariedade entre gerações. Ao poder público compete reconhecer a pluridimensionalidade das experiências da cultura: saber – quanto às expressões artísticas e práticas culturais; cidadania – enquanto direito assegurado nas nossas Constituições e nas Declarações universais; economia – como geradora de crescimento, emprego e renda.

    Essa compreensão deve orientar a partição de responsabilidades entre a sociedade e o Estado, definindo deveres e direitos na composição de uma rede de articulação, recepção e disseminação de iniciativas – que configure o exercício participativo do poder como um processo complexo e considere os fóruns de debate, as associações, a construção de parcerias, a escuta e o respeito à diversidade.

    É a partir daí que estabeleceremos um novo tipo de troca, materializando as múltiplas possibilidades de transformar o papel do Estado – reinventadas quando as pessoas se unem – gerando um campo de aproximação de suas políticas públicas, para que ele se torne um facilitador das demandas da sociedade civil.


    - Postado por: Santista às 10h28 AM
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    Acenderam a luz do lupanário
      
     


    Severino Xique-Xique está ditando moda. Seu estilo é simples, ser o que é. Sem meias-verdades, diz o que pensa, sem se preocupar com as repercussões. Quer empregar a família, porque, afinal, parentes são de confiança. “Melhor eles que contratar estranhos”, alega. Para Severino, o estupro é um acidente, e o aumento escorchante dos salários, um prêmio aos nobres legisladores.

    Não há novidade alguma em Severino. Ele apenas acendeu a luz do lupanário. E, ao fazer isto, convocou os que estavam debaixo das mesas ou das camas a se apresentarem ao salão. Severino é a prova do que disse Lula na eleição de 1994: “Lá (no Congresso) tem uns 300 picaretas.” E foram exatamente 300 os votos que elegeram Xique-Xique.

    Severino se movimenta com maestria pela Lei de Gerson. Gosta de levar vantagem em tudo. Certo? Seu combustível para eleição foi doado pelo ex-governador Garotinho e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O primeiro, evangélico-messiânico; o segundo, ateu-plutocrata. Garotinho e FHC apostam no caos. Melhor, eles são o próprio caos. Um acabou com o Rio de Janeiro, o outro, quebrou o Brasil.

    No mundo dos severinos, tudo é possível. O papa é ex-nazista. Bush e Blair são reeleitos. É o eixo do mal. A ética severina se pauta na brincadeira do “faça o que o mestre mandar”. Os exemplos pipocam legislativos, executivos e judiciários País afora. Nelson Jobim, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), entra na fila de Xique-Xique por melhores salários. Edis se esbofeteiam em São Paulo, e secretários municipais qualificam de “miseráveis” e “malandros” os vereadores de Goiânia.

    Na política severina, os partidos perderam a importância. Os lobbies falam mais alto. A bancada ruralista decide mais que os cinco grandes (PMDB, PT, PSDB, PFL, PP). A bancada evangélica inibe reformas, a da bola quer privilégios, e o baixo clero baixa o nível, vetando a reforma política.

    É nesta toada que o Brasil caminha para as eleições de 2006. O importante perde espaço para o fútil. O povo é um detalhe, e a nação deixa de ser um projeto para ser um instrumento.

    Severino ligou a luz na casa de função e o que o público viu foram 300 picaretas nus.


    - Postado por: Santista às 09h48 AM
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    Planejar e renovar para administrar
      
     


    Temos forte tendência para criar, transformar, planejar, administrar e renovar; vivemos uma alta e crescente velocidade de mudanças. As soluções e respostas da evolução do conhecimento têm sabor de vida e nos trazem a sensação de que estamos realmente vivendo, realizando, aprendendo e servindo.

    Renovar com planejamento é também renascer – é começar tudo de novo com mais segurança e sabedoria. É reciclagem em busca de novos horizontes. Praticar esse tipo de vida é se voltar para as alturas com sentimento de liberdade – sede de vencer desafios...

    É verdade que sempre houve preocupação com o futuro; entretanto, nos dias em que se vive, o ambiente de incerteza e de constante mutabilidade transformou o planejamento, a renovação e o conhecimento como regra na vida das organizações.

    A renovação e o planejamento em razão do impulso acelerado da tecnologia, das comunicações, das novas formas de trabalho, da evolução e adoção do conceito sistêmico, bem como da competitividade que se instala pelo mundo, passou por transformações profundas, que o diferem acentuadamente das décadas anteriores.

    Este novo conceito de transformação com planejamento estratégico também nas empresas se vê de forma holística; ou seja, de forma oposta ao pensamento de até então vigente, quando se via a empresa como um conjunto de funções independentes e objetivos individualizados. O conceito de estratégia, na atualidade, além de desempenhar o papel unificador das diversas áreas de atuação, integra-as ao ambiente interno e externo. O sucesso da organização deriva da agregação de seus valores, e não da redução do valor de seus concorrentes. Tudo se baseia na capacidade diferenciadora.

    Hoje, os grandes enfoques são orientados para comportamentos, ou seja, como são gerenciados o uso do tempo, da tecnologia, da comunicação e informação na conquista e preservação da fidelização de clientes. E através deste objetivo – foco da empresa – são acionados todos os demais subsistemas que realizam as demais operações, conforme as características da empresa, pois a competitividade constitui um alvo em movimento constante, para qualquer empresa de qualquer setor; pois não ter uma única meta, uma única idéia como fonte de vantagem ou de qualidade, as grandes empresas, renovam estratégias, adaptam-nos, sabem estar sempre em movimento para manter-se à frente.

    A renovação e o planejamento não são suficientes por si sozinhos. A estratégia dá o rumo, ela deve manter a rota em seu ambiente; entretanto, é preciso destacar que uma das funções da administração, em todos seus escalões, é a tomada de decisões. Por isso, a estratégia de tomar decisões difere de um para outro dos níveis administrativos. Por isso a teoria geral dos sistemas abrange conceitos que favorecem a unificação dos conhecimentos de transformações, que fundamentam a estratégia renovadora ligando-a diretamente à administração da organização. Por isso, devemos buscar o nosso potencial de planejar e renovar com perfil empreendedor.

    Entretanto, a nova forma de administração requer: nível estratégico regido por diretrizes; visão ampla da empresa e de seu ambiente; recurso humano pro ativo e apoiado; qualidade de vida no trabalho; desenvolvimento contínuo em habilidades técnicas e sociais, avaliações constantes de crescimento e maturidade.

    Em todas as áreas de atuação de nossa vida, devemos efetivamente renovar e planejar para edificarmos com solidez boas perspectivas de futuro.


    - Postado por: Santista às 09h45 AM
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    A última defesa entre o cidadão e o banditismo
      
     


    Para o pensador Jehoshua Steinberg, “Há mil maneiras de praticar injustiças sem se quebrar uma única lei”. Durante décadas, e particularmente em função da escalada de violência sem precedentes que engole o País, os policiais civis e militares foram sendo vítimas de iniqüidades capazes de comprometer o frágil pacto social. O fosso se tornou tão desmedido que as louváveis iniciativas para diminuir as defasagens não foram suficientes.

    Há de se reconhecer, tendo como embasamento dados estatísticos, que o governador Marconi Perillo procurou estabelecer condições gerais mais qualificadas e progredir buscando salários mais justos. Mas não teve condições de suprir carências históricas. Neste momento, mesmo não sendo responsável direto pela insatisfação que culminou em processo de greve da categoria, tem que mastigar uma gororoba com digestão difícil.

    Primeiro que o Estado não tem condições de atender as reivindicações na essência das propostas. Até o mais ingênuo dos coroinhas sabe que o governo federal engole e controla a parte do leão. Na base da covardia, retém até o que representa direito líquido e certo dos Estados federativos. Na área de segurança pública, míseros 5% da verba específica têm sido repassados aos cofres goianos.

    O segundo ponto que engasga a contenda é o fato de que os policiais estão às portas do inferno. Teoricamente proibidos de fazer “bico”, muitos atuam no estilo “Unibanco”, maquinando dias com 30 horas. Sobreviver apenas com o soldo básico é uma tarefa mais penosa do que desviar de balas em tiroteio.

    É necessário entender, definitivamente, que todos os sacrifícios devem ser realizados para socorrer as instâncias mais urgentes até mesmo em renúncia de outros projetos. Por que essa prioridade? Pela razão prática de que os policias hoje representam a única defesa entre o cidadão e o banditismo generalizado. Sendo frágil, exposto à corrupção e vítima de penúria crônica, cai a última barreira de proteção da sociedade. Registre-se que a paralisação foi engatilhada após meses de negociações que não puderam fluir a contento e, até o momento, de uma forma controlada e pacífica. O que demonstra, graças a Deus, uma salutar maturidade dos envolvidos.

    Evidente que a categoria não possui taludos defensores. Segmentos como a CNBB Regional do Centro Oeste, com oito bispos se apressando em referendar apoio ao MST, jamais se dignaria amparar policias que enfrentam a guerra cotidiana.

    Certa ala dita intelectual se arrepia com os poucos jornalistas que ousam entrar na trincheira e defender policiais. Via de regra, quem simpatiza com suas agruras é carimbado como radical de direita. Apoio à corporação policial é algo que envolve risco, pode custar caro. Eles só podem ser lembrados e favorecidos em momento de pânico e medo. Depois devem ser relegados à condição de servir e calar. Eis um dos motivos pelo qual, sem quebrar uma única lei, foi se perpetuando uma injustiça. A semente desse mal não atinge apenas a administração no cerrado goiano, aqui – salienta-se – o governador procurou soluções. O problema é de âmbito nacional e já passou da hora de alguém lúcido dar o grito.


    - Postado por: Santista às 09h43 AM
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    Palavras, palavras...
      
     


    Em São Paulo, foram 88%; em Goiás, uns 70%; e na região de Cascavel, no Paraná, mais de 97% os bacharéis reprovados no exame da OAB. O assunto foi matéria no jornal matinal da TV Globo nesta terça-feira, arrematada por uma observação perfeita de Renato Machado, que atribui ao péssimo ensino da língua a responsabilidade maior por isso aí. É fato: sujeito entra na faculdade e não estuda nunca mais. A língua portuguesa, mal ensinada (?) em casa, mal ministrada nas escolas básicas e tratada como lixo por aí afora (vejam operadores de telemarketing e recepcionistas) faz muita falta. Já existe uma categoria nova – formada de “analfabetos funcionais”, ou seja, pessoas que não compreendem o que lêem. Não entendendo o que lêem, não passam nas provas.

    O mal atinge profissionais de todas as áreas: já vi pediatra escrever “fraudas” em lugar de “fraldas” e professora de português afirmar que plural de lápis é “lápises”; conheço escritor que não compreende o que lê e que produz livros infantis com gravíssimos erros de ortografia, de concordância e de regência – e ostenta título de Mestre. E os que escrevem “fraudas” exigem o tratamento “doutor” antes do nome.

    Isso não é nada, porque há doutores acadêmicos que não sabem sequer acentuar “procedência” (li isso no currículo de um doutor economista que pleiteava vaga de professor). Aí vem a frase imbecil: “Ah, ele não vai ensinar português”, usada por dez entre dez analfabetos que se julgam gênios.

    Dia desses, brinquei aqui com o poeta Gabriel Nascente por chamar beijo de muxoxo; ele me ligou: “Poeta, tá no Aurélio”. Fui lá e vi: “muxoxo(ô). [Do quimbundo mushoshu.] - S. m. 1. Bras. Beijo, carícia”(...)”; no Houaiss, a palavra é interpretada como desdém. O cuidado é típico de quem lida com as palavras como ferramentas de ofício, e a palavra o é para todos os que têm que se comunicar. Ou seja: para todo e qualquer profissional, mormente para os detentores de diplomas superiores. Já vi escritor dizer que “Fulano é o clã da minha família”, numa evidência de confusão mental. Clã é família; ele quis dizer que Fulano era o patriarca. Ah, quem dera se todo escritor tivesse o zelo do Gabriel, hem! Mas aí, seria importante também os professores de português lerem livros; ou ensinarem os alunos a gostar de livros.

    A reprovação dos bacharéis nos exames de sua Ordem não está na falta de conhecimento jurídico, mas, pior ainda, está no desconhecimento da língua. E vai ficar pior, com as pessoas escrevendo “facu” em vez de faculdade, “bobs” em lugar de bobeira e outras pérolas tais, como é moda na internet. Mas pais e professores fazem vistas grossas e a moçada acha o máximo. Bem feito, pois, se não passam no exame. Aliás, provas assim deviam ser feitas para as demais profissões. Num folheto distribuído por prefeitura que quer mostrar que seu município é turístico, leio texto, assinado (melhor: assassinado) por uma “turismóloga” (nenhum dos dois dicionários citados registra o termo), com erros que reprovariam qualquer um de nós no Exame de Admissão ao Ginásio; mas a pessoa é bacharel em Turismo.


    - Postado por: Santista às 09h35 AM
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    PT – a luta continua por um Brasil para