| Quando o divórcio é necessário
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Perguntam-nos se o casamento é indissolúvel. Nada é imutável, a não ser o que vem de Deus. Toda obra humana está sujeita a mudanças. Já as leis da Natureza, estabelecidas pela sabedoria divina, são as mesmas em todos os tempos e em todo o mundo. As leis dos homens se alteram, de acordo com as épocas, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos para permitir a renovação dos seres que morrem. As condições que regulam essa união são de tal modo humanas que não há, nos cinco continentes, e mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam exatamente as mesmas, nem existe sequer uma nação na qual não tenham sofrido mudanças através dos anos.
O divórcio é, portanto, aceitável? O divórcio é lei humana, que tem por objetivo separar legalmente o que, de fato, já está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois apenas reforma o que os homens fizeram e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. A lei divina é a lei do amor. É o amor que realmente une as criaturas e só ele constrói para a eternidade. Esses conceitos, mais detalhados, o gentil leitor encontra em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a terceira obra de Allan Kardec, publicada em 1864. Há, portanto, 141 anos.
Jesus não casou ninguém, nem mandou seus discípulos casarem, mas aprovou o casamento. No Evangelho de João, ele inicia sua vida pública indo acompanhado dos primeiros apóstolos a um casamento, na cidade de Caná, onde encontrou sua mãe e, a pedido dela, transformou água em vinho. Em outras passagens, o Mestre se refere ao casamento sempre com o maior respeito. O casamento, entre todos os povos, é uma instituição sagrada, berço da família, célula mater da sociedade.
Por que uns casamentos dão certo e outros não? A Terra ainda é um mundo de expiação e provas, onde encarnam espíritos imperfeitos. Quando marido e mulher se mostram dispostos a ceder mais e exigir menos, entendendo que a vida a dois é uma comunhão de ideais e uma divisão de responsabilidades, certamente sua convivência tende para a harmonia capaz de superar as adversidades.
Podemos dividir os casamentos em acidentais, provacionais, sacrificiais, afins e transcendentes. Os acidentais não passam de simples encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual. Os provacionais são reencontro de almas para reajustes necessários à evolução de ambas. Por sacrificiais entendemos o reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de a esta redimir. Já nos casamentos afins, ou reencontro de corações amigos, duas almas irmãs se realizam servindo juntas e, assim, consolidando afetos. Finalmente, temos os transcendentes, envolvendo almas já engrandecidas no bem.
Outro bom livro sobre o assunto é Vida e Sexo, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier. Dele compilamos os seguintes ensinamentos:
“Partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas. É aí, nos laços matrimoniais definidos nas leis do mundo, que se operam burilamentos e reconciliações endereçadas à precisa sublimação da alma. Ocorre que a Sabedoria Divina jamais institui princípios de violência, e o espírito, conquanto em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraça. Por vezes, o companheiro ou a companheira volta ao exercício da crueldade de outro tempo, seja através de menosprezo, desrespeito, violência ou deslealdade, e o cônjuge prejudicado nem sempre encontra recursos em si para se sobrepor aos processos de dilapidação moral de que é vítima.
Compelidos, muitas vezes, às últimas fronteiras da resistência, é natural que o esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito, se valha do divórcio por medida extrema contra o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que lhes complicariam ainda mais o destino. Nesses lances de experiência, surge a separação a maneira de bênção necessária e o cônjuge prejudicado encontra no tribunal da própria consciência o apoio moral da auto-aprovação para renovar o caminho que lhe diga respeito, acolhendo ou não nova companhia para a jornada humana.
Óbvio que não nos é lícito estimular o divórcio em tempo algum, competindo-nos, tão somente, nesse sentido, reconfortar e reanimar os irmãos em lide, nos casamentos de provação, a fim de que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições, vencendo as duras etapas da regeneração ou expiação que rogaram antes do renascimento no plano físico, em auxílio a si mesmos. Ainda assim, é justo reconhecer que a escravidão não vem de Deus e ninguém possui o direito de torturar ninguém, à face das leis eternas.”
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- Postado por: Santista às 09h10 AM
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| O amor do homem é do homem
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Nunca vi um passarinho terminar com a passarinha, nem divorciar-se dela. Nem o gato da gata. Nem o cachorro da cachorra. Nem o pato da pata. No mundo dos animais não há amor possessivo. O amor não é matemático, nem financeiro. É compulsivo, vital para a vida. Ele (o amor) não está presente nas bolsas de valores, nem nas bolsas de apostas. Amor é amor. É química que se funde no bem-estar de dois corpos num único calor, capaz de soldá-los um ao outro sem que notemos a presença dessa fusão.
É quando dois sorrisos se unem dando a chance para que nasça um só sorriso, uma só felicidade, uma só devoção.
Quem ama, deve amar com paciência. Enxergar o outro lado sem se esquecer do olhar de partida. Sem gula ou ciúmes. Não há abalos que desmoronem essa relação, que derrubem essa mesma adoração.
Mas hoje, senhores de todos os tempos, as pessoas não conseguem conviver juntas mais de um ano. Não usam da comunhão suficiente para caminhar por um mesmo caminho.
Talvez seja a falta de paciência de um que elimine a falta de paciência do outro. A constante falta de educação de um que mate o desejo do outro, assim como os fuxicos das ruas que esfriam o amor um do outro.
Não há amor que resista à publicidade da era de consumo. Não há amor que resista às bancadas de negócios dos corretores de sentimentos que nos impõem a hora de amar.
– Plantam-nos nos tabuleiros dos sentimentos como se fôssemos bonequinhos de barros com coração de pilha.
O fim da única verdade que une duas pessoas ocorre quando uma delas não tem a cautela de celebrar a vida como os pássaros celebram na textura atemporal de seus ninhos, como animais sem cartões de crédito e sem roupas de grifes.
Senhores, senhores, não há razão para querer ser maior que a emoção quando a razão do ódio nos liquida no meio de pesadelos e nos destrói como a carne prensada nas paredes do estômago.
A sociedade moderna perdeu o sentido do amor. Ama como se comprasse uma máquina de fritar bifes em uma loja de departamentos. Para ela, o amor é uma moeda com valor definido segundo o status do freguês: o dos ricos e o dos miseráveis.
Ninguém pode amar alguém com o mesmo desejo de comprar um carro que pode ser trocado a qualquer momento em qualquer feirão. Para o amor, o combustível maior não é gasolina, nem o álcool, mas a cumplicidade e o desejo eterno da construção.
Não há amor que resista quando a pilastra que o sustenta é a ambição. Ninguém consegue comprar amor por quilo como se compra batatas ou bananas na feira. Para amar é preciso rasgar a lógica das promoções, o ímpeto do egoísmo e crer que só com a união se pode chegar à morte em pleno gozo final.
Amor sem vísceras. Amor sem desejo. Amor sem paciência. Amor pelo dinheiro. Amor pela mídia. Amor pela falta de respeito. Amor com ciúmes. Amor com agressão. Amor com ausência de Deus. Amor com ódio. É tudo o que não devemos ter.
Talvez, num desses erros tenham esbarrado Ronaldo e Daniella Cicarelli, já que no amor não há espaço para que a vaidade seja maior que a humildade.
Quem é grato a Deus pela vida ama eternamente, nem que seja com as asas do pássaro que se foi na visão de quem acabou de acordar do sono profundo da solidão.
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- Postado por: Santista às 09h04 AM
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Nossas Avós Sufragistas
No final do século XIX e começo do século XX, as mulheres inglesas e americanas agitaram o mundo com a sua reivindicação pelo direito de votar. No começo, é verdade, do movimento sufragista, ninguém dava muito bola para aquele bando de fêmeas (que, na maioria, pertenciam a classes sociais privilegiadas) e seus discursos e tímidas manifestações nas ruas. Naqueles tempos, as mulheres eram consideradas fúteis, frágeis e suas preocupações deveriam estar restritas aos seus domínios tradicionais: ou seja, a casa e os filhos e, no máximo, os empregados. Em 1913, duas sufragistas britânicas foram presas ao desacatar publicamente os sisudos guardas ingleses, dando um sonoro tapa na cara de um deles. Todos os jornais da época publicaram o episódio. E esta fora, na verdade, uma maneira que Christabel Pankhurst, a autora da agressão, encontrara de dar visibilidade ao movimento sufragista, já que os jornais, até então, insistiam em ignorar as manifestações feministas. Christabel era filha de Emmeline Pankhurst, histórica lutadora, que tem em seu currículo nada menos que 12 prisões por perturbação da ordem pública. Nesta época, as feministas inglesas e americanas já haviam promovido inúmeras manifestações públicas (todas um tanto tímidas, é verdade), produzido centenas de páginas de panfletos, manifestos e documentos e já haviam também conseguido ser presas várias vezes. Mas, ainda assim, não eram levadas a sério. Eram tempos em que as mulheres estavam mesmo proibidas de falar em público para audiências mistas. Tempos em que, às fêmeas, era constantemente negado sequer o direito básico do ser humano à educação. Mulheres que sabiam ler e escrever eram exceções. Apesar de tudo, em 1848, feministas históricas como Elizabeth Stanton e Susan B. Anthony, conseguiram realizar a Primeira Convenção de Mulheres, a famosa Sêneca Falls, nos Estados Unidos. No Brasil, por ocasião da constituição de 1891, houve um crescimento das vozes femininas em favor do direito ao voto, conquista que só seria efetivada quase meio século depois, em 1934. Entre as mulheres que se engajaram na luta sufragista brasileira estava a hoje esquecida Maria Lacerda de Moura. Nascida na pequena Manhuaçu, em Minas Gerais, em 16 de maio de 1887, publicou em 1918 e 1919 dois livros sobre a instrução das mulheres como instrumento transformador da sociedade. Educadora, atuante no magistério público, Maria Lacerda foi presidente da Federação Internacional Feminina, entidade criada por mulheres das cidades de Santos e de São Paulo. Em 1921 lançou a idéia de modificação do currículo escolar, inserindo nele uma disciplina sobre a História da Mulher, coisa que nunca se concretizou. Maria Lacerda afastou-se, porem, do movimento feminista quando passou a acreditar que a luta pelo voto beneficiaria apenas as mulheres de elite. Mas foi, de fato, através da luta sufragista que o sexo feminino começou a conquistar direitos na sociedade ocidental. Para estas nossas antepassadas, o voto era quase uma obsessão e parecia que, se tivessem o direito de votar, automaticamente, conquistariam todos os outros direitos que as sociedades lhes negavam. Só depois dos anos 1910 é que surgiram lideranças femininas falando em direito ao prazer sexual e ao controle da natalidade. Margaret Sanger, americana de Nova Iorque, sofreu barbaridades que chegaram até o exílio, porque queria que as mulheres pudessem decidir quando e como ter filhos. Na cola de Margaret, apareceu Marie Stopes, na Inglaterra, a primeira britânica a conseguir um diploma universitário e que teve uma presença tão forte que, até hoje, dá nome a vários centros mundiais de Planejamento Familiar. No entanto, apesar da luta e do sofrimento das nossas avós feministas, o que é que temos feito, hoje, com os direitos que elas conquistaram para nós? Pouca importância damos ao voto. Votamos nos candidatos dos nossos maridos, chefes, líderes religiosos, cumprindo apenas a obrigação e sem pensar muito sobre a conseqüência de nossos votos. Temos uma gama imensa de métodos contraceptivos ao nosso dispor na sociedade, mas frequentemente ficamos grávidas porque não nos prevenimos e, depois, recorremos às clínicas clandestinas de aborto, colocando em risco as nossas vidas e a nossa consciência. Maria Lacerda de Moura é quem estava certa. Precisaríamos, sim, de uma disciplina de História das Mulheres nas escolas. Talvez aí tivéssemos despertada a nossa consciência política, a consciência de direitos que temos hoje e que são fruto da luta e do sofrimento de nossas avós sufragistas e fizéssemos, afinal, um uso digno desses direitos.
- Postado por: Santista às 02h28 PM
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Uma das coisas mais divertidas no mundo interno das redações é a tentativa dos colegas em tentar entender o que vai acontecer com o jornalismo no futuro. O jornal impresso vai acabar? A internet vai dominar? A saída é apostar em grandes e longas reportagens? Temos que escrever menos e priorizar fotos? Todo mundo opina, mas no fundo ninguém realmente sabe de nada.
A internet chegou no planeta Terra e o mundo da comunicação não sabe exatamente como lidar com ela. As gravadoras de discos não sabem se a rede é amiga ou inimiga. Os jornais não conseguem competir com ela. O jornalista, um sujeito acostumado a se sentir o dono da verdade, perdeu o posto de guru e não sabe o que fazer com a informação quando ela chega primeiro ao leitor. Há dez anos, numa galáxia onde não havia internet ao alcance de todos, 300 canais de TV, centenas de revistas sobre todos assuntos e informação pipocando até pelo liquidificador, o leitor precisava que o jornalista contasse para ele o resultado do campeonato espanhol, que disco comprar, que filme assistir, que diabos está acontecendo no Iraque.
Rola uma crise. Todas as revoluções formais e todas as provocações parecem já ter sido feitas. Esgotou-se um modelo e não se pensou em outro para substituí-lo. Mas eu penso que se tudo já foi feito, porém, nada ainda foi feito realmente. O que falta para as redações é um pouco de imaginação. Presos pelas amarras técnicas dos manuais acadêmicos, o jovem jornalista não pensa mais.
É difícil convencer um jovem jornalista a escrever um texto fluido, criativo e diferente. Esse texto quadrado, que segue rigidamente as normas, pode ser bom para cobrir um dia-a-dia de política, por exemplo, mas não funciona no geral. Por isso, é raro uma entrevista bombástica, uma reportagem dilacerante. Geralmente, o jornalista levanta a bola e o entrevistado rebate. Parece que ninguém ensinou ao entrevistador que ele está em poder do mandato dos leitores.
Para piorar ainda mais, existe uma geração antiga de jornalistas que se criaram achando tudo sobre tudo. Não necessariamente pensando, mas achando sempre. E o que ele acha que gosta, leva mais a sério. Esse jornalista acredita que todos devem ter opiniões e gostos iguais aos seus – o leitor fica refém desse elitismo. Dia desses, uma amiga me pediu uma opinião sobre um livro que estava escrevendo, sobre a música alternativa . Para ela, música alternativa era só daqueles que cantam em inglês – gênero familiar à jornalista. Esqueceu dos rappers, metaleiros, sertanejos, caubóis e outros gêneros, certamente recheados de boas histórias. O leitor quer ser informado, não formado. E o cara é exigente. Tem que suar um pouco mais para satisfazê-lo. Tem que olhar o outro lado da notícia. Pensar um pouco, achar uma abordagem nova. Ser plural, transitar. Fazer o debate, o confronto. Não é tão difícil assim.
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- Postado por: Santista às 08h26 AM
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| Uma lógica e outras lógicas
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Nada me convence de que na vida muitas coisas acabam se transformando em disputas pessoais. Em querelas pessoais, que, às vezes, podem até se transformar em querelas judiciais. Mas não deixam de ser pessoais.
Na minha infância, quando ainda era alfabetizado com a cartilha “Caminho Suave”, da saudosa educadora Branca Alves de Lima (um terço dos brasileiros adultos foi alfabetizado por ela); quando lia aquelas estórias com fundo de moral de Pedro Malazarte, já começava a ter noções dessas birrinhas pessoais. Parece que elas fazem parte da biologia do ser humano. Nascem germinadas em seu DNA.
Na verdade, o homem não consegue nascer e viver sem criar problemas. Por onde anda, deixa seu rastro. E seus problemas acabam na mesa dos outros como problemas seus, ou seja, como nossos problemas.
Deus nos dá tudo: a terra com sua água transparente e líquida e tão necessária quanto o vento; a vegetação com sua introspecção e seus detalhes desenhados e esculpidos nos segundos de cada mão e o sopro de vida, que nos guia em movimentos até a morte dos dias e dos tempos e que nos devolve, depois como planta no solo.
Mas os homens, em vez de absolverem tudo isso, de contribuírem com a evolução de seu tempo, de comungarem para resolver os problemas, de ajudarem na construção de uma sociedade sem injustiça, sem rico ou pobre, se determinam a criar embaraços que, quase sempre, não chegam a lugar algum. Parecem, na verdade, as malfaladas (também malfadadas) e tão comuns briguinhas pessoais. Não são, mas parecem. Pelo menos, ficam na história como se fossem.
O imbróglio entre o Ministério Público e o Governo de Goiás e a Prefeitura de Goiânia parece atingir essa atmosfera. Parece não ser, mas, no fundo, parece estar atingindo. Não há sentido em querer transformar um problema de necessidade coletiva (de vida) em inquérito policial ou judicial, quando há um grito geral das lideranças que se colocam ao lado dos que reivindicam.
O governo dá ajuda para times de futebol como deu para todos os clubes de Goiás (time de futebol é melhor que todos os marchantes do MST?). – Mas não pode ajudar 14 mil famintos sem-terra.
O governo dá cheque-moradia para os sem-casas. – Mas não pode ajudar 14 mil famintos sem-terra.
O governo dá salário-escola para os alunos descalços, sem travesseiros. – Mas não pode ajudar 14 mil famintos sem-terra.
O governo dá bolsa-esporte a atletas que sonham aparecer na tevê. – Mas não pode ajudar 14 mil famintos sem-terra.
O governo mantém programas de incentivo à cultura. – Mas não pode ajudar 14 mil famintos sem-terra.
O governo dá casa para intelectuais organizarem sua sede de encontro. – Mas não pode ajudar os 14 mil sem-terra famintos.
Nenhum recurso foi gasto à toa, até porque não houve dinheiro, mas, pelo que foi colocado, uma ajuda logística, humanitária, como alimentação e fornecimento de água a 14 mil brasileiros que sonham em produzir pelo País. Até um senhor chegou a morrer na caminhada.
Um senador da República com o passado de Maguito Vilela, sem uma mancha que conspurque sua vida, não pode estar errado quando se põe favorável à ajuda do poder público aos sem-terra. Um vocacionado homem público com o respeito de jurista como o professor (e ex-prefeito) Pedro Wilson não pode estar errado. Como não está errado um idealista e coerente comunista como Fábio Tokarski. Ou um homem de fibra e fé como frei Marcos Sassatelli, homem da igreja e de Deus. Ou como um escritor de história, Antônio José de Moura. Ou a corajosa deputada Rachel Azeredo.
Alguém acha que alguém tira a legitimidade do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, que reúne 14 mil desesperados, caminhando a pé, mais de 200 quilômetros, para gritar ao governo sua necessidade de produzir e ajudar o País a sair da miséria terceiro-mundista?
– Ninguém vai conseguir tirar essa legitimidade. Até que sejam tomadas providências efetivas para resolver o problema. Imagine os sem-terra acampados na porta do Ministério Público. Imagine acampados na porta da Prefeitura de Goiânia. Na porta do Palácio das Esmeraldas. Imagine, leitor, acampados na porta de sua casa.
Se não se buscar uma solução para o problema do MST (com uma reforma agrária efetiva e racional), nada conseguirá conter a vontade e a fome de um movimento que adquiriu, com o tempo, respeito internacional de entidades e instituições dos Direitos Humanos.
Não se determina o fim de sua caminhada se não for com a presença efetiva do Estado, como poder constituído (e com todas as instituições democráticas) e com o dever de resolver as injustiças e essas querelas sociais, que, muitos, se põem, como fermentos, para aumentá-las.
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- Postado por: Santista às 08h16 AM
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Rodava pela BR-153, rumo a Goiânia, quando fui parado pela Polícia Rodoviária Federal, que me permitiu seguir com a observação de que deveria ter cuidado porque estava acontecendo a marcha dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra rumo a Brasília.
Logo adiante pude constatar a fila interminável de criaturas, ao longo de cinco mil metros da rodovia, que marchavam animados por um barulhento trio elétrico que entremeava palavras de ordem e recomendações aos caminhantes.
Veio-me à lembrança aquela passagem formidável da marcha dos judeus deixando o Egito, guiados por Moisés pelo deserto inóspito, tempo em que não faltaram descrenças e desesperos que o cansaço, a fome e a pouca fé se abateram sobre tantos.
A descrição literária do Êxodos, mostrando que sacrifícios os seres humanos se dispõem a enfrentar para alcançar a Terra Prometida, não se compara com a marcha dos sem-terra, mas não apenas porque Moisés conseguiu abrir caminho separando as águas do mar, para dar passagem a seu povo, porque aqui há oceanos de incompetência, de promessas que não se cumprem, que afogam até as últimas esperanças das criaturas na busca desesperada por um pedaço de chão para cultivar e se livrar da miséria e da fome, companheiras de milhões de brasileiros.
Houve um tempo em que se pretendeu dar solução ao crônico problema da terra, da justa distribuição das terras, com a elaboração do Estatuto da Terra, que nunca chegou a ser posto em execução, porque na década de 60, reforma agrária era apenas “coisa de comunista”, como pregavam as forças que sustentavam os latifúndios, estrumadas e ignorantes.
As conseqüências vieram naturalmente, para comprovar os erros seculares dos nossos governantes, porque agora temos 81% (oitenta e um por cnto) dos brasileiros vivendo nas cidades e apenas 19% (dezenove por cento) teimando em viver nos campos, apesar de todas as dificuldades, tais e tantas que acabaram de tornar quase impossível a profissão de fazendeiro... que dirá de trabalhador rural!
As conseqüências desse formidável êxodo rural estão aí, na multiplicação das favelas, os milhares de sem-teto, as legiões de mulheres e homens sem trabalho, porque não têm mão-de-obra qualificada, são jogados para o subemprego, isso quando ainda arranjam trabalho, com remuneração que desqualifica a condição de trabalhador, que resulta na miséria que produz as meninas e os meninos de rua, presas fáceis da prostituição infantil e da disseminação das drogas ilícitas, porque os traficantes tomaram para si esses milhares de excluídos para alistá-los nos exércitos sem rosto que fazem da violência nos centros urbanos a marca do resultado das políticas que esqueceram das criaturas que viviam nos campos, que pediam terra para trabalhar.
Essa marcha dos sem-terra é a prova mais evidente que estamos num País onde os governantes não são capazes de executar um programa nacional de bem-estar, numa só palavra, para as populações, porque estão envolvidos em tricas e futricas nas lutas pelo poder, enquanto o povo é esfolado em impostos, taxas e contribuições, sem qualquer resultado que reflita o fundamento do Estado: o bem-estar das populações, expostas às doenças, à insegurança e ao desemprego, caminhando sem rumo.
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- Postado por: Santista às 08h11 AM
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| Criminalidade globalizada
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O direito clássico – estruturado segundo as ficções conhecidas por completitude, coerência e inexistência de lacunas e antinomias – e o Poder Judiciário – nascido de visões privatísticas e individualistas superadas – acham-se em crise, desde a segunda metade do século XIX, quando o social e o coletivo iniciam sua jornada demolidora. Aqui, a compartimentalização em especialidades e singularidades destinadas a regular relações jurídicas próprias de atividades novas, sequer sonhadas há dois séculos; ali, as justiças profissionais, os juízos de arbitragem, comunitários ou profissionais, no âmbito interno do Estado, quando não a internacionalização jurisdicional de conflitos e o advento de instituições paraestatais de normatização e conciliação, como a Organização Mundial do Comércio e o recente Tribunal Penal Internacional.
Com a globalização, o mercado, e não mais o político e os entes estatais, passa a ser o centro de normação social, fragilizando soberanias, remodelando sistemas e atropelando órgãos e instituições nacionais, com a força irresistível das revoluções. Por outra parte, criando práticas e relações novas, conduz ao surgimento de diferentes modalidades criminosas, sabido que o fato econômico e o fato-crime são fenômenos de poder, diferentes tão-só nos modos de manifestação. Todo fato jurídico é um fato político (de poder), ao direito penal cabendo receber a mais pesada e imediata carga de politicidade, a cada manifestação diversa do poder político, institucionalizado ou econômico.
“La criminalidad global – diz António Beristan, catedrático da Univrsidade do País Basco –, es una parte de la globalidad” – como que um poder paralelo e aritmeticamente correspondente às técnicas e ao modo de operar dos poderes político e econômico regulares. Decorrente da mundialização do mercado e da comunicação, é uma “criminalità del potere o globalizzata” (Luigi Ferrajoli, da Universidade de Camerino, Itália), constituída de criminalidade financeira, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, comércio de emigrantes, tráfico de mulheres e crianças, pornografia, crimes via Internet e, em geral, crime organizado (o “organized crime” americano, em que certos autores apontam gênese ideológica e inconsistência científica). De todo modo, a enumeração tende a se ampliar, na medida em que se consolida e se sofistica a internacionalização econômica – que, ao lado de uma criminalidade concebida profissional, política e globalmente, leva a outro inexorável resultado, a que não são alheios os estudiosos mais esclarecidos, qual seja, o crescimento do exército dos excluídos. Para usar a expressão de outro especialista no assunto, o “exército dos descartáveis”, inevitável à globalização.
Por conseqüência, o direito penal e o Poder Judiciário são convocados a papéis inusitados, sempre na perspectiva de solucionar novos e inumeráveis conflitos intercorporativos e singulares; dar resposta à criminalidade globalizada, que se organiza e se renova na mesma medida da globalização (fenômenos de poder paralelos que são); e reprimir o crime a varejo ou tradicional dos “descartáveis”, que tem na exclusão social e seu rosário de mazelas indisfarçáveis fontes de inspiração.
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- Postado por: Santista às 08h06 AM
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| Declare guerra a quem finge lhe amar
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Chega! Chega de passar a mão na cabeça de quem lhe sacaneia. Não dá mais para suportar a quantidade de picaretas que fingem amizade para descolar uma boquinha à custa dos outros. Verdadeiros parasitas que fazem cara de Sancho Pança para se assemelhar a fiéis escudeiros, quando, na verdade, são tão maquiavélicos quanto à senhora Macbeth. Posam de amigos para dar uma rasteira na seqüência. Gente sem escrúpulos. Os dentes à mostra nos sorrisos conseguem disfarçar com perfeição o veneno que escorre das presas. Sim, eles merecem um Oscar. Mas acabou. E agora é de verdade.
Desconfie de picaretas que fingem erudição. Arrotam uma citação a cada frase que proferem ou escrevem. Só que a máscara cai facilmente. Em tempos de Google (o pai dos burros da contemporaneidade), qualquer um está a dois cliques de qualquer autor, qualquer esboço genial. “Preciso de uma citação referente à Grécia.” São Google salva. “Preciso de uma citação para defender a polícia da acusação de abusos no Parque Oeste Industrial.” São Google salva. Existem mais vagabundos dependentes do Google do que pseudo-intelectuais em shows de rock independente. E olha que não são poucos desse perfil que povoam o Martim Cererê a cada evento.
Desconfie de picaretas que defendem veementemente uma empresa/pessoa/político/partido. Normalmente, esses malandros têm algum tipo de relação que justificam a quantidade sem fim de elogios direcionados ao mesmo lugar. Vá por mim: ninguém é tão bom assim que não mereça nenhuma crítica. Tudo é passível de erros.
Desconfie de picaretas que batem veementemente em uma única empresa/pessoa/político/partido. É contumaz o interesse dos sem escrúpulos verem seu alvo de críticas destruído para que um de sua laia ocupe o lugar do que caiu. Depois disso, tudo vira um “paraíso”... Vá por mim: ninguém é tão ruim assim para não merecer nenhum tipo de elogio. Tudo é passível de acertos.
Desconfie de picaretas que ladram ruidosamente contra alguns tipos de injustiça e defendem abusos de igual tamanho, só que em âmbitos diferentes, ou estâncias de poder de outra ordem. A passionalidade extrema costuma estar, com freqüência assustadoramente normal, vinculada ao bolso de quem a carrega. Olho aberto aos bastidores nunca é demais.
Desconfie de picaretas que se apresentam tentando mostrar algum status social. Seja se identificando pela profissão ou por alguma relação de parentesco. O intuito é sempre o mesmo: intimidar de alguma forma com quem se fala. Vale lembrar que se o pilantra fosse realmente importante, não precisava de legendas em sua apresentação: você já saberia quem o cara é. Esse tipo de atitude nada mais é do que a condenável expressão “você sabe com quem está falando?”, só que adaptada para outro contexto. De forma mais palatável, é verdade, mas não menos ignóbil.
Por fim, desconfie de picaretas que já têm fórmulas prontas para tudo. Esse tipo de gente povoa os jornais, as rádios, TVs, mesas de bar e até mesmo restaurantes elegantes. Suas dicas são tão genéricas quanto falar que todos os políticos são ladrões. Muito expressivo, mas sem nenhum conteúdo. E o mais chato de tudo, que esse tipo de gente é que está na crista da onda. É só olhar os veículos de comunicação...
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- Postado por: Santista às 07h29 AM
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O corpo do inimigo morto sempre cheira bem” – frase do rei Carlos IX pronunciada frente à vista do cadáver do Almirante de Coligny, vítima da carnificina da noite de São Bartolomeu. A despeito de ser um escritor talentoso e com obras de grande êxito editorial, o jornalista Fernando Morais julga seus adversários ideológicos com o desdém típico dos tiranos arbitrários.
Pelo menos foi esse o tratamento dispensado ao médico e deputado federal goiano Ronaldo Caiado. Defensor apaixonado de déspotas como Fidel Castro e glorificado pela esquerda radical, o companheiro Morais decidiu inventar uma lorotagem qualquer para denegrir a imagem de um político rotulado como homem de direita.
Abusando da inventividade, escreveu que o médico teria proposto esterilizar as mulheres nordestinas colocando um composto químico na água. Auto-intitulando-se como o “maior biógrafo do País”, ele não se preocupou se sua ficção fazia senso.
Num misto de arrogância e desprezo pelos que não comungam com sua ideologia, considerou irrelevante que Ronaldo Caiado seja casado com uma nordestina e que tenha um impecável currículo como cirurgião. O que importava era sentir o cheiro do cadáver do inimigo.
Evidente que o Dr. Caiado reagiu procurando apoio na Justiça. O respaldo foi imediato. Mas, ao invés de se curvar frente a uma mentira insustentável, os monarcas do domínio paulista entenderam que vassalos goianos não possuem o direito de se indignar.
Com uma rapidez estonteante, e uma ferocidade ímpar, o influente soberano aglutinou toda a força da W. Brasil, acionando a poderosa Rede Globo e consortes de toda a natureza encastelados na grande imprensa, para gritar censura.
Uma jogada desleal visto que o livro foi publicado, livremente, e somente após constatar que havia uma mentira descarada Ronaldo Caiado agiu para evitar que seu nome foi enxovalhado com um registro histórico perpétuo.
Causa surpresa que segmentos éticos como a OAB e outros tenham engolido essa falácia. Queriam o quê? Que o Dr. Caiado se curvasse porque representa um Estado que, pela ótica dos poderosos, não possui cacife para repugnar injustiças e inverdades?
Não concordar com as teses do deputado é uma coisa. Criar factóides para matar reputações é algo perverso que não tem nada a ver com liberdade de imprensa e cultura. É irresponsável maldade. Pior ainda quando realizada por um escritor que sabe o peso que sua informação exerce na comunidade.
Se a intenção dele foi agradar os radicais e desmoralizar Ronaldo Caiado, errou feio. O contribuinte goiano conhece o caráter do médico, admirando sua histórica coerência, e os homens de bem abominam a mentira traiçoeira.
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- Postado por: Santista às 09h17 AM
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Quando nos referimos à dor, quase sempre nos reportamos ao nosso próprio sofrimento. São as nossas angústias, incertezas e nevralgias que põem em evidência para nós as injustiças, as perdas, e as lágrimas do mundo.
Quando estamos alegres e felizes, tudo à nossa volta parece reluzente e luminoso. Somos incapazes de perceber um ponto obscuro, ou canto escuro no espaço que nos circunda. Há no mundo nessas ocasiões uma confluência alegre de fatos felizes. Tudo parece dar certo, tudo o que tocamos se enche de vida, tudo o que falamos vira verdade, e tudo o que sentimos é o que realmente importa, pois só temos sensações positivas de realizações e plenitude.
Nessas ocasiões, não é raro o nosso regozijo interior pelas conquistas atingidas, o que quase sempre nos confere uma percepção de superioridade e um sentimento de predomínio sobre os outros seres das nossas lutas e suor, o que engrandece os nossos caminhos, nos faz mais fortes e enrijece a nossa têmpera. O mundo é dos vencedores e nem a natureza perdoa os fracos e defeituosos – pensamos – e aos perdedores que lhes sobrem as batatas.
Vencer, vencer, esta é a palavra de ordem. Desde cedo nos ensinam: é preciso vencer na vida. E vencer significa, nos tempos de hoje, Ter propriedades, posição social, aparência, principalmente aparência, e estar ao lado de pessoas amáveis que nos agradem sempre e muito.
Há! Como é bom ser um vencedor. Quando vencemos, nos sentimos sempre mais crescidos. E crescemos tanto a cada vitória – pois quando aprendemos a obtê-la, tomamos gosto por ela e nunca mais a abandonamos – que, quando tomamos consciência, estamos tão enormes que as coisas e pessoas que nos rodeiam ficaram tão pequenas e insignificantes quanto os insetos.
Por isso as vitórias sucessivas são quase sempre acompanhadas de sua inseparável companheira: a solidão. Sim, é essa a companhia obrigatória daqueles de nós que se consideram elementos superiores da espécie humana. E não é raro que nos sintamos assim, uma ou outra vez; porém, é essencial que estejamos sempre alertas, quando cremos que a vitória é nossa propriedade, ou que para ela estamos sempre predestinados, pois quando esse é o nosso entendimento, estamos prestes a ser vencidos e derrotados pela parceira das conquistas seqüenciais, que é a solidão.
O isolamento decorrente de tal atitude de vida é torturante e permanente, porque resiste à humildade que, muito mais do que aprendida, é apreendida do ensinamento das perdas.
Portanto, todas as vezes que considerarmos outros seres insignificantes ou menores, apenas em razão da diferença, ou mesmo em função de um eventual desprezo pelas suas opiniões, idéias ou posições, ou mesmo porque nunca privamos da sua presença, e por concluirmos que jamais vamos Ter necessidade dela, isto deve ser um poderoso alarme que anuncia que vamos ser derrotados brevemente por forças que não consideramos, porque não nos foi ensinada a sua existência.
Sim, pois vencer e vencer sempre é o que quisemos e o que aprendemos; entretanto, o que nunca fazemos, e contra o que sempre resistimos, é o ato de vencer a nós mesmos.
Vencer-se quando se tem o desejo de submeter alguém a alguma espécie de humilhação. Vencer-se quando, para obter-se o que se deseja é essencial ser desleal. Vencer-se quando sua consciência impõe algo diverso do que as que o rodeiam aconselham e que é do seu agrado. Vencer-se quando a sua pretensão ou o seu objetivo, impõe perda ou infelicidade permanente para alguém, pois a vitória verdadeira é aquela que constrói, e pessoas não podem ser consideradas fronteiras ou obstáculos que precisam ser derrotadas e destruídas.
Por isso é preciso ver a dor do outro, compreendê-la e aceitá-la como sua, pois assim sendo, quando lhe vier a sua dor – da qual ninguém nunca está imune – você a receberá de forma mais madura e compreensiva e perceberá às vezes o quanto pessoas anônimas e distantes da sua realidade podem ser importantes e solidárias.
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- Postado por: Santista às 09h11 AM
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Somos impacientes. Travamos dia-a-dia uma batalha para aproveitarmos melhor o tempo cada vez mais acelerado. O mercado contribui para isso: as empresas querem funcionários mais rápidos, capazes de tomar decisões importantes num piscar de olhos, sem titubear.
Os produtos que chegam às vitrines e as propagandas também propõem economia de preciosos minutos e segundos: carros, celulares, servidores de acesso à internet e até o serviço de entrega de uma lanchonete. Mais velocidade, menos perda de tempo...
Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com nossos relógios e calendários. Nem ouso discutir esta questão filosófica. Se o tempo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá certeza disso. O tempo interfere no meu olhar. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas e a sensação que me causam não é nem um pouco desafiadora.
E mesmo as que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. Me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem? Alguém era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.
Talvez seja esta a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore que para ser explorada exigia uma certa logística – ou ao menos um “calço” de quem estivesse por perto e com as mãos livres – hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.
E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga em nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.
Eu cresci. Por dentro e por fora. Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro – quando o futuro também era infinito à nossa frente.
Que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais.
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- Postado por: Santista às 10h12 AM
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| Aos melhores, o lugar merecido
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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estuda a implantação de uma proposta inédita: oferecer 5% das vagas dos seus 139 cursos de graduação para os melhores alunos das escolas públicas estaduais, sem a necessidade do vestibular. De todas as propostas de sistemas de cotas nas universidades públicas brasileiras, esta é a mais justa.
É preciso ser justo e ter muito cuidado na implantação do sistema de cotas nas universidades públicas. A reserva de vagas, ao invés de premiar o melhor aluno, pode ter o efeito contrário, ou seja, desestimulá-lo a continuar se dedicando aos estudos. É o que ocorre hoje com a reserva de vaga para estudantes negros. Já a da UFRJ fará com que o aluno da escola pública se dedique mais ainda.
Até mesmo o método tradicional de seleção para ingressar na universidade, como o vestibular, não é a opção mais justa. Muitos estudantes que se destacam em seus colégios acabam não alcançando êxito no vestibular. Por nervosismo, desatenção, ou até mesmo falta de concentração, aquele que sempre obteve média boa em seu colégio, às vezes é eliminado no sistema tradicional de seleção para uma vaga na universidade.
O Programa Bolsa Universitária, do governo de Goiás, é outra medida positiva e que transformou o ensino superior no Estado. Cerca de 50 mil estudantes já foram e estão sendo contemplados com o benefício. Vários fatores, dentre eles a má distribuição de renda no Brasil, desfavorecem a melhoria do ensino e, conseqüentemente, a melhoria na formação do brasileiro. Essa medida do governo goiano, como também a implantação do sistema de cotas para os melhores alunos das escolas públicas, em estudo pela UFRJ, fazem com que se acenda uma luz no fim do tenebroso túnel do ensino brasileiro.
Medidas concretas e de resultados, e não populistas, como adotaram outras instituições de ensino público no Brasil, dão resultado a médio prazo,melhoram a educação como um todo e trazem desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida. Afinal, vaga nas melhores universidades devem ser destinas aos melhores alunos.
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- Postado por: Santista às 11h47 AM
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| Sujo... fedido... preto...
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Essa lengalenga, em razão do uso de certas palavras como sendo de cunho racista, de vez em quando volta à tona. É faltar assunto, principalmente na mídia, e logo dão vulto a fato que, de despercebido e sem importância, não mereceria destaque nem nas conversas de botequim, mas acaba rendendo estéreis discussões a empobrecer conteúdos importantes. Igualzinho quando se quer desviar a atenção de determinada coisa levando-a para o lado da insignificância.
A história da cartilha elaborada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos que reúne palavras, expressões e piadas consideradas politicamente incorretas recebeu importância imerecida. A não ser que se pretendesse homenageá-la com posição relevante no “Febeapa – Festival de Besteira que Assola o País”, dos anos 60, do saudoso Stanislaw Ponte Preta (jornalista Sérgio Porto).
O politicamente incorreto, pra mim, reside na falta de ações concretas que eliminem a pobreza que mora nos grotões onde habitam os de cor negra. Discriminados não por palavras, mas pela empulhação de uma cartilha que não aclara a pele e ainda salienta mais as diferenças. Isso é dirigir o debate para o rumo fácil, nivelar o diálogo por baixo. Os preconceitos sempre foram estabelecidos a partir das condições sociais e econômicas das pessoas, e nunca pelas caricaturas que lhes são atribuídas – mesmo as que ofendem.
Pois foi exatamente o Cafarnaum que me fez entender que basta a indiferença do discriminado verbal, para o processo contra ele perder força. É como apelido. Se der importância, fica pra sempre.
Contou-me que uma senhora viajava de ônibus, sentada. Para se distrair, jogava passatempo, daqueles em que as palavras são formadas horizontal e verticalmente. Depois de alguns pontos, o coletivo parou e recebeu lotação máxima. Aliás, da forma costumeira.
A viagem continua. Dia quente, abafado, todo mundo transpirava, bodum próprio das ocasiões; empurra-empurra natural nos momentos de brecadas mais bruscas. A cada freada a turma quase passava do motorista.
“Com licença, com licença”, caminha o negão, operário da construção civil, metro e oitenta de altura, camiseta cavada, suado igual tirador de espírito. Segue espremendo os passageiros: “Licencinha, licencinha...”; pára de uma vez, e fica a olhar o jogo da senhora. Também fanático na diversão.
A certa altura, o negão de braços pra cima, seguro no corrimão; distraído a espiar, não percebe lhe escorrer do sovaco uma gota de suor, que cai direto no livrinho de palavras cruzadas. A mulher levanta a cabeça, olha pra ele, e, pausadamente, fala: “Sujo... fedido... preto...” Sem qualquer cerimônia, ele aponta na direção do jogo e diz: “Se for com quatro letras, madame, é ânus!”
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- Postado por: Santista às 11h43 AM
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