As Pequenas Falcatruas
É muito comum ouvir, da boca dos brasileiros e principalmente da boca das brasileiras, que a vida política nacional é sinônimo de desonestidade, abuso de poder, nepotismo, roubalheiras mesmo. Por isso, muitas pessoas "de bem" não querem nem ouvir falar em participar da política, filiar-se a um partido, praticar a militância, ou até mesmo concorrer a um cargo eletivo. Bom, primeiro é preciso dizer que este pensamento é apenas mais um preconceito e é também uma injustiça para aqueles políticos sérios e honestos que, acredite, existem. É verdade, porém, que o Brasil é o paraíso da impunidade e que o brasileiro, culturalmente, nunca esteve muito seguro dos valores éticos e morais que regem, por exemplo, qualquer país do chamado Primeiro Mundo. Hoje em dia, também é verdade, existe uma maior conscientização, crescente, desses valores na nossa sociedade. Pessoas se orgulham de ser politicamente corretas, os órgãos de defesa do consumidor ganharam um espaço nunca visto antes na mídia e a pressão social atua, sem dúvida, na direção do incremento das atitudes de pura cidadania. No entanto, algumas dessas pessoas que se dizem horrorizadas com a suposta desonestidade que grassa no mundo político brasileiro também praticam suas pequenas falcatruas no dia a dia, levadas talvez por um sentimento de "vingança" contra o que elas julgam que seja qualquer espécie de poder que as explora no cotidiano. Ouve-se, nos encontros sociais, histórias verdadeiramente estranhas. É o caso daquele conhecido, de classe média, que usava sem restrições o ar condicionado em sua casa porque um amigo, que trabalhava na companhia de energia elétrica, havia puxado um "gato" da fiação de sua rua e, assim, ele não tinha o consumo registrado. Ou o caso daquela senhora que foi fazer compras para um bingo beneficente e, na hora de pagar um DVD, o caixa da loja registrou a compra como sendo de 60 reais, em vez de 600. E ela ria, gabando-se da sorte. Ou aquele cidadão que se orgulha de ter o mínimo de conhecimento das fiações de TV para poder "puxar" a imagem recebida em sua casa, da operadora de TV a cabo, para todos os aparelhos de televisão, sem pagar a taxa dos pontos extra. Ou aquele outro, que comprou um aparelho eletrônico e, por engano, a loja entregou dois e ele, é claro, ficou bem quietinho, nem passou pela sua cabeça que a sua obrigação era devolver. Você está pensando que a minha imaginação de escritora funciona bem? Pois esqueça. Todos esses casos que eu citei acima são absolutamente verídicos e os ouvi narrados em encontros sociais com orgulho, com o narrador em questão vangloriando-se de sua sorte ou de sua esperteza. Todos eles eram as chamadas "pessoas de bem", de poder aquisitivo privilegiado, com curso universitário e tudo o mais. Pessoas que, se perguntadas, diriam sim que são honestas e sérias. Isso sem falar naqueles que fraudam o INSS, recebendo aposentadorias de mães ou pais que já morreram ou auxílios-doença quando já não estão mais doentes. E sem falar nas montanhas de recibos falsos que permeiam as declarações de imposto de renda. Nós, seres humanos, somos animais sociais. Somos todos absolutamente interdependentes. A atitude de um reflete no outro. O que dignifica a um, dignifica a todos. O que desmerece um, desmerece todos. A vida é uma constante troca. Precisamos de todos, na sociedade, para viver. Mas tendemos a pensar individualmente, apenas em nossa própria conveniência. Pensando apenas em nossos próprios interesses, sem considerar o que as nossas atitudes causam à sociedade como um todo, jamais seremos verdadeiros políticos. Jamais poderemos distinguir o verdadeiro homem (ou a verdadeira mulher) político do mero aproveitador que, da vida pública quer apenas "levar vantagem em tudo" para si e para os seus amigos e familiares. A política brasileira precisa, urgentemente, de pessoas que percebam essa interdependência que caracteriza as sociedades humanas. Pessoas do bem, que saibam que o seu próprio bem-estar, a sua qualidade de vida, depende do bem estar e da qualidade de vida de toda a sociedade. O resultado do egoísmo desenfreado, da péssima distribuição de renda, do orgulho imbecil e provinciano do sucesso meramente pessoal é isso que estamos vendo: uma multidão de excluídos sociais que acabam por ameaçar seriamente uma minoria elitizada que, para pensar que vive tranqüila, precisa ser prisioneira de sofisticados aparatos de segurança. O Brasil precisa de educação, de saúde, de dignidade, de solidariedade. E, acredite, tudo isso começa em cada um de nós, em nossas próprias atitudes, em nossa consciência. Já que todo mundo rouba, que mal faz eu roubar também? Já que todo mundo sonega impostos, que mal faz eu sonegar também? Já que todo mundo leva vantagem em tudo, que mal faz eu levar também? Enquanto persistir essa mentalidade derrotista, complacente com a desonestidade, com as atitudes politicamente incorretas, certamente erraremos mais uma vez em nossa escolha nas urnas. Certamente continuaremos a ter horror da vida política, sem perceber que o horror começa em nossa própria vida. José Ângelo Gaiarsa, o psiquiatra, sonhou um dia em fundar o Partido das Mães porque percebera, com sua brutal inteligência e compreensão, que às mulheres cabia a educação e a formação dos futuros cidadãos. Roseana Sarney, em seu ensaio à candidatura à presidência da República, estava tendo um sucesso estrondoso porque muitos brasileiros depositavam na figura feminina uma maior esperança de honestidade. Mas tudo foi pro espaço. Muita gente vota em mulher por causa dessa mesma esperança, de que ela seja menos corrompida, mais sincera, mais dedicada, mais honesta. Nos últimos anos, porém, tantos exemplos de mulheres famosas que exploram homens e gravidezes através de uniões interesseiras, tantas mulheres anônimas que aparecem nos noticiários policiais, podem fazer com que essa imagem(de uma maior seriedade) feminina se deteriore também. Qual é o mundo, qual é o País que deixaremos para os nossos filhos? Está mais do que na hora de nós, mulheres, metermos as nossas mãos na vida política brasileira, da mesma forma que, com a cara e a coragem, nos metemos na vida produtiva. Somos apenas 6% dos políticos nos cargos eletivos. Por que? Se somos a metade da força produtiva? Está mais do que na hora de nós, mulheres decentes e do bem, ousarmos participar da vida pública e contribuir, com os nossos valores femininos e maternos (de dedicação, honestidade, ternura e competência) para mudar, no Brasil, a imagem dos homens (e mulheres) públicos.
- Postado por: Santista às 09h42 AM
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| Nada de novo embaixo do sol
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Não sei se a história é cíclica. Não sei se tudo volta à mesma circunstância após um tempo ou se somente tudo se parece, simplesmente. Não sei se é por que já sou velho e já deu tempo de ver tudo (e se for por aí, a vida é mesmo muito sem graça). Ou se a criatividade é algo escasso na contemporaneidade. E, com bastante sinceridade, nem sei se essas respostas me interessam de fato.
Todas as dúvidas aí são só para contextualizar uma constatação que fiz recentemente: não existe nada novo. Tudo é repetido, cópia, plágio e, é triste, sem nenhuma originalidade. Tudo que se pinta como a mais nova revolução, a febre do momento, o que mobiliza a juventude, é de uma pasmaceira sem fim. Chato. Não consegue me animar sequer a levantar do sofá. Devo ser igual àquele tio velho, meio calvo, barrigudo, sempre com uma cerveja na mão e um resmungo qualquer nos lábios, que ainda acha Bukowski um gênio, Brigitte Bardot gostosa e que o rock morreu junto de Hendrix. Mais uma vez, não sei.
Mas o que me levou a todos questionamentos foi a mais nova febre ‘internética’ do momento, o tal de orkut. A primeira vez que vi algo sobre isso, na minha ignorância homérica, pensei: “Que é isso? We can work it out?”. Mas, após alguns amigos tentarem explicar, resolvi entrar no tal site (www.orkut.com) e fui proibido por não ser cadastrado. Lá vou eu, mais uma vez, pedir orientação para a santa Gabriela Lima, minha consultora de assuntos tecnológicos (e quem geralmente ouve os impropérios que solto sobre tudo que envolve computadores). Ela me manda o bendito (ou seria maldito?) convite. Após um milhão de perguntas, inclusive sobre minhas preferências sexuais, consigo entrar na minha página pessoal.
Tanto trabalho, tantas respostas, tantas páginas passadas, para nada. Que decepção! O tal não passa de uma evolução dos já chatíssimos ICQ, salas de bate-papo, Messenger e listas de discussão por e-mail. Com praticidade e pragmatismo, não serve para nada. Um pouco de radicalismo e descontando a força das hipérboles, é mais ou menos como a Feira da Marreta: tem coisa boa por lá, mas tem que procurar muito para achar.
Para quem não tem a menor idéia do que estou falando, vale abrir um parêntese explicativo. O orkut é uma comunidade virtual que você seleciona alguns de seus amigos para conversar (geralmente é gente que você pode encontrar diariamente ou conversar com um simples telefonema, mas isso não basta, para a molecada nerd-interneteira o legal é que seja pela rede) ou então entra em listas de discussão sobre assuntos predeterminados. Tem de tudo: desde coisas cabeças a mais infame. Por exemplo, você pode discutir o ícone do cinema novo, Glauber Rocha, ou até mesmo suas confissões sexuais. Do erudito ao trash. Da pérola ao entulho. Fecha parêntese.
Aí que vem minha pergunta: para que orkut se já existe tudo que ele faz e, talvez, até de maneira mais funcional? Melhor perguntar para o nerd que trabalha ao seu lado, ele deve ter argumentos para justificar a existência disso. Tudo bem, eu sei que perguntar isso é clichê, mas esse povo não tem nada melhor para fazer da vida? Pelo jeito, não. E esse é o tal do futuro do País.
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- Postado por: Santista às 10h16 AM
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Há palavras e expressões que adormecem. Ficam no passado, esquecidas, tal como hábitos que o quotidiano muda em nós, pouco a pouco. E, feito criança que cresce ao nosso lado, nem percebemos as mudanças. Só nos damos conta, mesmo, quando algo faz com que esses hábitos, gestos ou palavras acordem.
Li, dia destes, num dos volumes do Guia dos Curiosos (de Marcelo Duarte), que esse gesto hoje tão corriqueiro de se estender o dedo médio, dobrando os demais, surgiu na antiga Roma, tanto quanto o de “dar banana” (dobrar um dos braços, que é seguro pela mão oposta) e ambos simbolizam a mesma coisa. Alguém se lembra de quando fazíamos um círculo com o indicador e o polegar?
No último final de semana, um jogador do glorioso Flamengo foi suspenso porque “deu banana” para a torcida. Engraçado é que dar banana se tornou tão banal que significa apenas desprezo; mas o dedo médio em riste, apontando o céu - aí, não! Aí é xingamento brabo, tal como o anel feito com o indicador e o polegar, os outros três dedos a imitar um cocar indígena.
Ah, esse gesto tem outra peculiaridade: naqueles anos de 1970, quando a frase a ele equivalente era proibida entre “pessoas de bem” - incluam-se aí as pessoas do sexo oposto; rapaz nem moça falariam palavrões na presença de alguém do outro sexo -, uma amiga minha fez o gesto para uma colega; bem-intencionado, e para reduzir o constrangimento da ofendida, interpelei minha amiga; e ela, na maior cara-de-pau, esclareceu: “Ora, eu apenas fiz um gesto que quer dizer Caldas Novas: uma praça e três prédios”. Bem, eu disse Caldas Novas porque é minha terra natal; portanto, não é ofensa. Mas ela se referiu a outra cidade...
Há bem pouco tempo, ninguém falava “telefone” ou “ligar” – e seus derivados – sem que fechasse os três dedos centrais de uma das mãos, mantendo o mindinho e o polegar esticado; a mão, nesse gesto caricatural, era então levada à altura do rosto, simbolizando um prosaico telefone. E pensar que, antes que surgissem os telefones de teclados a gente “mimicava” discar com o indicador no ar, como a dizer “me liga!” ou “eu te telefono mais tarde”... Boas lembranças!
Essas coisas despertam-nos o riso; não o riso do escárnio, mas o riso da saudade benfazeja. Benfazeja é uma palavra rara, antiga. Uma amiga de longe estranhou, justamente anteontem, quando eu lhe escrevi na telinha “temeridade”. Como se vê, tenho exercitado isso de despertar palavras. Faz bem à memória, libera endorfina. O poeta Gabriel Nascente vive a despertar palavras. Ontem, ele sugeria à moça do café que o “poetamigo” ao lado precisava conhecê-la: “Ele sonha com um muxoxo seu”. Sempre tive “muxoxo” como um dengo, uma manha, um beicinho esticado; mas do modo como falou o poeta, a palavra ganhou o sentido de carinho, cafuné; mas no Houaiss, é: “MUXOXO s.m. Estalo com a língua e os lábios, acompanhado eventualmente da interjeição ah, indicando desprezo ou desdém. / Bico que se faz com os lábios, afetando descrédito ou indiferença. / Botânica. Árvore silvestre a que também chamam sapato-do-diabo. (©2002 Enciclopédia Koogan-Houaiss Digital)”.
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- Postado por: Santista às 09h25 AM
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A grande maioria da população brasileira, cerca de 81,2%, vive em áreas urbanas, restando 18,8% nas áreas rurais – diz o Censo 2000 do IBGE. Ainda assim, um dos principais problemas que enfrentamos é a questão agrária, o que fica evidente pela freqüência com que a mídia noticia ocupações de fazendas, espaços públicos, estradas ou agências governamentais por trabalhadores rurais sem-terra, que reclamam agilidade na implementação de uma reforma agrária. Em todo o País, um número considerável de pessoas se mobiliza na luta por terra, nela investindo a ponto de se submeter às precárias condições de vida em acampamentos, sem qualquer certeza de ter seus objetivos alcançados numa luta que assume às vezes tons dramáticos e violentos, com ameaças, agressões e assassinatos. Ao mesmo tempo em que a questão agrária ganhou evidência, tornou-se comum atribuí-la a um padrão concentrador do acesso à terra que, deitando raízes no nosso passado, deu origem ao chamado latifúndio – mais do que uma extensão de terra, um sistema de dominação que estava na base do poder dos proprietários, como um mecanismo de controle social, principalmente sobre aqueles que se encontravam no interior dos grandes domínios e de muitos que, mesmo estando fora, com estes se relacionavam.
Por trás dessa continuidade histórica – que aparentemente se estende até os dias atuais – ocultam-se rupturas, descontinuidades importantes, cujo reconhecimento pode facilitar a compreensão dos reais processos em jogo. Nem a grande propriedade nem a questão agrária são, hoje, o que foram no passado. Denunciá-las como vestígios de um período remoto a ser superado pode ter sentido como estratégia de luta política, mas não de pesquisa histórica. É preciso, primeiramente, desfazer o vínculo lógico que se costuma estabelecer entre a concentração fundiária e a questão agrária. Esta não é uma decorrência necessária daquela: se as duas se associaram no caso brasileiro, isso se deve a características particulares do nosso processo histórico; se, no passado, a questão agrária tinha em sua base o arcaísmo do mundo rural, hoje ela é resultante dos próprios processos de modernização da agricultura – e da sociedade brasileira de maneira mais ampla. A agricultura brasileira – ainda que não na sua totalidade – é um setor dinâmico, altamente produtivo, internacionalmente competitivo, apontando-se o agronegócio, como um dos motores fundamentais de nossa economia. A afirmação desse quadro, porém, não se deu sem uma contrapartida social significativa.
As políticas públicas para a área rural não apenas favoreceram as grandes propriedades, como resultaram em um aprofundamento da liberação de trabalhadores rurais. Incentivos fiscais propiciaram o estabelecimento de propriedades de dimensões gigantescas nas áreas de fronteiras da Amazônia Legal, levando à expulsão de pequenos posseiros que ali se encontravam. Políticas de crédito simpáticas aos grandes produtores, juntamente com a introdução do plantio de novas espécies, criaram condições para o uso intensivo de mecanização, com efeitos restritivos ao emprego rural. Mesmo setores mais tradicionais, como o do ramo açucareiro, foram beneficiados por subsídios. Outras ações – não diretamente voltadas para a agricultura, mas para o desenvolvimento nacional de maneira geral, como a construção de barragens para a instalação de usinas hidrelétricas – produziram também efeitos negativos, como o deslocamento de comunidades de áreas alagadas.
O problema atual é saber que tipo de desenvolvimento se deseja – mais ou menos inclusivo, mais ou menos propício à expansão da cidadania. Mais do que um lote de terra, a reforma agrária busca garantir aos trabalhadores bens e direitos aos quais, de outra forma, dificilmente teriam acesso, abrindo-lhes possibilidades distintas de futuro. Talvez por isso a luta por terra, reivindicação histórica dos trabalhadores rurais, venha nos últimos tempos atraindo também trabalhadores rurais urbanos. Ela demonstra que as migrações campo-cidade não são um caminho sem volta, que os destinos sociais não são inevitáveis, mas resultado das ações dos próprios indivíduos e dos grupos aos quais pertencem.
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- Postado por: Santista às 09h23 AM
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| Os estigmas do PSDB (final)
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“Se tivesse havido a CPI da reeleição, não teria havido a reeleição”. Esta afirmação é de Sebastião Nery em seu livro A Eleição da Reeleição (Geração Editorial, 1999, 371 págs.). Frase bastante definidora: os meios usados pelo governo Fernando Henrique, capitaneado pelo PSDB, atingiram as raias de tão gritante corrupção que o seu desnudamento total viria tornar moralmente insustentável a intenção do presidente de reeleger-se.
Impedir o escândalo acabou por ser eficaz: o presidente reelegeu-se. O orçamento de 1998 continha dotação de 600 milhões de reais para publicidade do govenro. A verba funcionou. Governadores (só o PMDB tinha nove), senadores e deputados federais dos quais se esperava a natural e coerente atitude de oposição, traduzível em candidatura própria, foram cooptados pelo governo federal e formaram nas fileiras da candidatura à reeleição. Muitos outros fatos podem ser relacionados para explicar o segundo sucesso eleitoral de Fernando Henrique Cardoso, entre eles o de que houve, por parte da esmagadora maioria da imprensa, uma lavagem cerebral coletiva em prol do presidente e contra Lula. Mesmo assim ficou historicamente registrado um sensível desgaste de Fernando Henrique Cardoso. Ele obteve apenas 33,87% dos votos (36 milhões dos 106 milhões de eleitores).
Além da decepção ante o comportamento do governo tucano no seu obsessivo propósito de casuísticamente (pois que em seu próprio proveito) impor o nefasto instituto da reeleição, estourou em novembro de 1998 o escândalo das fitas grampeadas no BNDES, as quais revelaram as imoralidades estigmatizadoras da privatização das telecomunicações. Todo mundo sabe que sob o pretexto neoliberal de diminuir o tamanho do Estado, o que na verdade nada mais significa que deixar livre o voraz e insaciável capital como instrumento para sobrepor o interesse individual ao interesse social, o governo tucano correspondeu o mais plenamente possível às ordens e às exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), implementando privatizações. Essa política de subserviência, agravada por cinco crises internacionais (o que prova o quanto a globalização econômica é perigosa e perversa para países ainda em fase de desenvolvimento), foi desastrosa. Em meados de 1998, a dívida interna brasileira correspondia a 38% do PIB. Passara a 41% daí a seis meses e em 1999 ultrapassara 46%! Quanto à dívida externa, nem se fale! O Brasil cada vez limitava-se, como até hoje, ao pagamento dos serviços da dívida (juros).
Em 2000, aconteceu também a prova da incompetência administrativa tucana, com a crise de energia elétrica. Os apagões, de triste memória, foram prova de imprevidência, falta de visão do governo e de planejamento. Resultaram em aumento do descrédito do governo federal. O PSDB se descrendenciou ainda mais para a eleição presidencial de 2002, em que seu candidato, José Serra, político de bela biografia, iniciada como líder estudantil, nas pesquisas, perdia para Roseana Sarney, Ciro Gomes e Lula. A desmoralização de Roseana, as gafes e mitomania de Ciro Gomes, ensejaram que o candidato do PSDB fosse ao segundo turno. Mas perdeu por 22 milhões de votos de diferença no confronto com Lula. E hoje, nas pesquisas eleitorais referentes à sucessão presidencial de 2006, mostra-se sem chance alguma diante do presidente Lula, que se beneficia do exercício do governo na pretensão propiciada pelo – repito – nefasto instituto da reeleição. Tão nefasto que motiva um político medíocre e desumano como George W. Bush a desencadear “guerra preventiva” contra um país arruinado (desde 1991) como o Iraque para enganar os norte-americanos. E, com isso, reeleger-se para infelicidade do mundo.
O PT acaba (foi na segunda semana deste mês) de propor CPI sobre as privatizações do governo do PSDB. Esse estigma, um dos vários estigmas tucanos, é ferida aberta. Nunca se cicatrizou.
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- Postado por: Santista às 10h44 PM
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Os escândalos de que resultaram as renúncias aos mandatos dos parlamentares envolvidos nas gravações telefônicas probatórias da inescrupulosidade do esquema governista tucano, no seu empenho sem limites para obter a reelegibilidade do presidente FHC, motivaram a oposição, PT à frente, a propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para ir ao fundo de questão tão rumorosa. As bancadas governistas, capitaneadas pelo PSDB, impediram a instauração da CPI. Se quem não deve não teme, aí estava a confissão pública da atuação corruptora dos empenhados na obtenção do instituto permissivo da reeleição do presidente da República, dos governadores e prefeitos. E o instituto inconstitucional acabou por sair tão aberrante que, para se eleger para outros cargos o detentor do mandato de chefe do Executivo precisava se desincompatibilizar seis meses antes da eleição; mas para se reeleger podia ficar no cargo até o fim do mandato... Não é esdrúxulo, antijurídico e imoral? Pois o governo tucano enfiou goela abaixo da nação a aberração escandalosa. O grande constitucionalista que foi o senador Josaphat Marinho verrumou a propósito:
“Todos esses elementos, originários do conjunto da Constituição brasileira e de boa doutrina, demonstram que a emenda, votada na Câmara dos Deputados, não justifica, por si só, nem diante de nossa tradição, a dispensa da desincompatibilização. O sistema constitucional a exige, por sua finalidade moralizadora do processo político contra o sofisma inspirado em decisão de evidente caráter circunstancial. Veja-se, ainda, que não exigir a desincompatibilização é permitir ao presidente, a governadores e prefeitos situação privilegiada no pleito, como titulares de posições que envolvem poderes e recursos largos, contra os concorrentes que estão na planície. Essa situação de privilégio é contra o princípio de igualdade, que a Constituição assegura a todos. Não vale invocar exemplos de outros países, em condições socioeconômicas e culturais diversas. A Constituição e as emendas que nela forem introduzidas devem retratar o nosso País e suas necessidades, e não a situação de outros povos. Aqui, pelas peculiaridades políticas e culturais, a democracia constitucional exige a igualdade entre os candidatos, para que os resultados eleitorais sejam legítimos. Instituir a desigualdade é cultivar o favorecimento indevido.”
O absurdo privilégio do exercício do poder político e econômico por candidatos à reeleição, propiciado pelo instituto aviltantemente enxertado na Constituição Federal sob a batuta do governo Fernando Henrique e, obviamente, do seu partido, veio a ensejar uma torrente de crimes eleitorais que desaguaram e continuarão a desaguar na Justiça Eleitoral, tal como pressentido por Josaphat Marinho. Já houve cassação de mandato de governador eleito à base do abuso do poder econômico e estatal. Muitos são os casos de prefeitos guilhotinados em razão desses crimes eleitorais. E muitos outros chefes de Executivo teriam recebido o mesmo castigo se os seus delitos houvessem sido provados e denunciados aos juízos e às Cortes com as atribuições de puni-los.
A referência do saudoso eminente parlamentar e constitucionalista baiano à invalidade da invocação de “exemplos de outros países, em condições socioeconômicas e culturais diversas”, diz respeito aos “argumentos” dos defensores da reeleição sustentados principalmente nos exemplos dos Estados Unidos e da França. É preciso, além da argüição das condições socioeconômicas e culturais diversas feita pelo jurista – e também político notável –, lembrar que o sistema eleitoral vigente nos Estados Unidos é gritantemente falho, tanto que um candidato que obtém maioria dos votos populares (caso do democrata Al Gore) perde para um menos votado (George W. Bush, em sua primeira eleição). Além disso, o método de apuração dos votos já se revelou reiteradamente obsoleto, dando margem inclusive a fraudes.
Quanto à França, cujo presidente tem mandato de 7 anos, renovável uma vez (o que permite 14 anos no poder), a reeleição de François Mitterrand atesta a inconveniência do sistema: Mitterrand e seu partido – o Socialista – terminaram os 14 anos desmoralizados. O uso prolongado do poder culminou em deplorável abuso corruptor dele.
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- Postado por: Santista às 10h42 PM
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Não foi difícil para Fernando Henrique Cardoso vencer sua primeira eleição, a de 1994. O desastre político e moral que fora o governo de apenas dois anos de Fernando Collor deixara o brasil em péssimas condições, situação caótica pode-se dizer. O confisco do dinheiro que o povo - classes médias altas, classes médias baixas e empresários - tinha depositado nos bancos causou prejuízos a todos e empobreceu a muitos. A decepção que os incautos sofreram ao cair no logro do "caçador de marajás" transformou-se em confiança e esperança no sociólogo de boa imagem que, colocado no ministério da Fazenda pelo sucessor de Collor, o vice Itamar Franco, pôs em prática o Plano Real. Uma síntese inserida na primeira página do Jornal do Século, do Jornal do Brasil, relativo à década de 1990, com o título "FH é escolhido presidente no Brasil do real", define com precisão aquela primeira vitória do respeitado intelectual de esquerda para presidente:
"Embalado pelo sucesso do real, Fernando Henrique Cardoso - ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, que lançou o plano - foi eleito presidente da República no primeiro turno, 54,3% dos votos. O real, décima moeda brasileira, havia entrado em vigor no dia 1º de julho, em substituição ao cruzeiro real, que continuara circulando até o fim do mês. No Brasil do real, a passagem de ônibus e o bilhete do metrô do Rio custam R$ 0,35. Já o litro de gasolina é comprado por R$ 0,537".
Já a reeleição de Fernando Henrique constituiu-se numa história de deplorável construção. Viria a ser um processo viciado. Não existia na Constituição o instituto da reeleição. Propiciador de ações inescrupulosas, deletérias, profundamente danosas ao Erário, acintosas à ética e à moralidade administrativa, era indesejável. Mais que indesejável, afronta à constitucionalidade ao se pretendê-lo para o presidente em exercício. O máximo - embora, como dito, indesejável em face dos crimes eleitorais que causa - seria a adoção para o próximo período presidencial, para o sucessor de Fernando Henrique. Mas, como assinala a objetiva e brilhantemente Rubem Azevedo Lima em "A vitória da minoria"(A Eleição da Reeleição, de Sebastião Nery, 2ª edição, 1999, pág. 11), "a organização do processo viciado, que culminou nas eleições de outubro (de 1998), começou desde a posse do próprio presidente. Estimulado pela vitória de seu candidato, por maioria absoluta de votos, no primeiro turno das eleições de 1994, o esquema vitorioso, nem bem assumira o controle do Congresso, em fevereiro de 1995, apresentou o projeto de emenda constitucional, instituindo o princípio da reeleição presidencial para o período imediatamente subseqüente. Na ocasião oportuna, com o apoio da imprensa e a pretexto de que o direito à reeleição, embora expressamente proibido pelos constituintes de 1988, era democrático, o Congresso votou e aprovou essa emenda, sabe deus como. Tal votação fora acompanhada pessoalmente por diversos ministros, e os jornais relataram, no dia seguinte, vários casos de mudanças de voto, em troca de favores governamentais. Uma pesquisa da Folha de S. Paulo, feita às vésperas da sessão em que se votaria a emenda, indicara a derrota da tese da reelegabilidade presidencial para o período subseqüente".
Acontece então o que seria o fato mais estigmatizante para o PSDB. Conversas telefônicas de dois deputados nordestinos vieram provar que o esquema governista estava a funcionar com a compra de votos parlamentares para a aprovação do instituto que estabeleceria a reeleição - ou reelegibilidade do presidente da República. A prova era tão contundente, tão irrefragável, que os dois deputados tiveram de renunciar ao mandato, a fim de não serem processados, cassados e verem perdidos os direitos políticos por oito anos, como vieram a fazer anos depois, por outros escândalos, Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. Era o primeiro estigma de condenação história do PSDB.
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- Postado por: Santista às 10h41 PM
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| Manifesto de Comemoração dos 25 anos do PT
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Os homens e as mulheres, as crianças e os idosos, os portadores de necessidades especiais fazem a história nas condições datadas, situadas, vivenciadas e protagonizadas pela história de um, dois três, dezenas, centenas, milhares e mesmo milhões de militantes petistas, socialistas, democratas, libertários, revolucionários, reformistas.
Todos e todas militantes que desejam um mundo novo de paz e justiça social. Sim, desejam e realizam com seus sonhos e seus engajamentos um admirável mundo novo de solidariedade, trabalho, cidadania, respeito e dignidade humana livre e libertadora.
Livre para voar neste século XXI de todas as amarras, ignorâncias, preconceitos, discriminações, opressões e explorações dos filhos de Deus, dos condenados da terra urbana e rural. E assim excluídos das possibilidades de uma pátria para todos de muita casa, pão, poesia, mel , amor, alegria, felicidade.
E esperança de vida digna ontem, hoje e quem sabe amanhã, se agirmos como sujeitos de uma nova história, porque uma nova história é possível se dermos conta de nos unirmos e partilharmos com liberdade, responsabilidade e generosidade, os frutos da terra, da água, do ar, da fauna, da flora, da cidade, todas cidades saudáveis. E dos campos, todos os campos formosos floridos de mil grãos cheios de gotas de orvalho das manhãs, dos dias, das noites e das madrugadas que saciarão as fomes e as sedes do mundo acima e abaixo dos cerrados de mil biodiversidades.
De oriente, do trigo, do arroz, da uva que fazem o pão e o vinho da ceia celebrativa da nazarena vitória da vida sobre a morte. Morte matada, morrida, mesmo antes de nascer, de viver, de trabalhar e de morar nos parques oestes, nos ginásios, nas anapus, nas baixadas, nas florestas, nas roças, nas ruas, e nas encruzilhadas e encomendas armadilhas e ardis do poder que tudo pode e impune fica, como aconteceu em Eldorado de Carajás, candelárias, chacinas de tristes e inacabadas sinas.
De oriente para ocidente latino-americano de tantas frutas, frutos do mar e da terra, batatas, da cana garapa saudável e do milho amarelo, branco, colorido. Milho vermelho e verde de mil alimentos de índios, negros e brancos de santos dias, rosas e margaridas, nativos e natividades, oscavus dos cerrados. Chico Mendes Amazônicos, Chês de muitas estradas e motocicletas revolucionárias, bolivarianos, zumbis viventes, e Tiradentes das derramas inacabadas e inconclusas por esta América do Cruzeiro do Sul e da Senhora de Guadalupe de São Francisco de Assis.
Somos esta história brasileira que rompe da ditadura, levanta as bandeiras vermelhas estreladas, combatendo o bom combate por uma pátria cheia de fé e alegria, de esperanças e plurais origens sociais e geográficas antes e depois de mares nunca dantes navegados. Somos militantes, simpatizantes do Partido dos Trabalhadores dos sindicatos e das centrais. Das associações de moradores às comunidades de base, dos grêmios e centros acadêmicos das escolas e universidades e dos artistas aos comunicadores sociais. Dos empreendedores aos produtores, promotores de bens e paz para e face necessidades e aspirações humanas.
Somos servidores do povo que elegeu vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, o presidente Lula e os aliados que nesta história de vinte e cinco que vêm realizando um novo jeito de parlamentar e governar cidades, Estados. E o País, para melhorar as condições de vida e da dignidade do povo brasileiro.
Somos quem cai e levanta, que ganha e perde, quem erra e acerta. Somos gente de uma nova história que caminhamos e cantamos novas canções e ações com lutas políticas e sociais. E com ferramentas surgidas, nascidas das lutas e conquistas sociais. O PT surge como parte de massas do povo trabalhador das cidades e dos campos. E que constrói as riquezas e que também quer participar da distribuição destas riquezas, bens, rendas e frutos do seu suor/trabalho.
Em nosso manifesto de fundação, afirmávamos que nascemos das lutas sociais pela resistência, pela democracia, pelas diretas já, pela anistia, pela constituinte, pela cidadania, pela soberania. E pela solidariedade nacional e internacional de todos os povos, etnias e culturas, crenças e ciências a serviço do bem e da humanidade de Gandhi, Tereza, Lumumba, Luther King, Hélder, João XXIII. E de João Paulo II de Deus onde a verdade liberta (doa a quem doer) e a justiça realiza (custe o que custar) na história.
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- Postado por: Santista às 09h56 AM
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Memória. Utopia, sempre. Queríamos um partido aberto, amplo, democrático, e temos hoje o comprometimento com a causa dos trabalhadores das cidades e dos campos na vida nacional. E na busca de uma globalização solidária, do desenvolvimento sustentável, da educação e saúde, do emprego e do empreendedorismo, da ciência e tecnologia, do conhecimento a serviço de uma sociedade mais justa e fraterna.
O PT evoluiu nestes vinte e cinco anos e permanece ao lado das lutas políticas e sociais para a construção de um estado democrático de direito e de suas instituições civis. E de movimentos sociais livres, autônomos, responsáveis, plurais, ecumênicos e capazes de realizar os direitos humanos. E a democracia, a liberdade, a cidadania e o respeito, a diversidade, a cultura, a paz, a justiça social, o trabalho e a vida como valores, usos universais, necessários para a concretude das metas do milênio. São metas e objetivos do terceiro milênio, segundo a ONU, para melhorar o mundo.
E, principalmente, a vida dos povos excluídos, marginalizados neste neoliberalismo, selvagem, neoimperial de guerras, terrorismo, exclusões. Nestes próximos dez anos, o mundo precisa erradicar a pobreza e a fome, universalizar a educação básica. Promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil. Melhorar a saúde materna, combater o HIV/Aids, malária e outras doenças. E garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial pelo planejamento, cooperação, intercâmbio, partilha. E parcerias mundiais, sim, pelo desenvolvimento com eficiente, suficiente, crescente e saudável produção de bens e serviços.
Tudo com uma distribuição justa, plena de recompensa, eqüidades, acessos e consumos universalizados. Tudo é possível se a alma não é pequena, diz o poeta. O PT é partido orgânico e programático que ensina e aprende com os outros e com a história. Para se realizar mais e melhor como partido político.
Único partido no Brasil que escolhe seus dirigentes de forma direta por meio do processo eleitoral, que, em setembro próximo, renovará seus diretórios municipais, estadual e nacional. E assim, dando vitalidade e mobilização aos organismos partidários, debatendo, disputando, decidindo pelo consenso e pelo dissenso. E estabelecendo maiorias e hegemonias democráticas, transparentes. Ação ética e representativa para a unidade de ação política livre e libertadora.
Viva o PT e todas as forças políticas do Brasil. Viva o/a militante e simpatizante petista que, no trabalho, nos estudos e aprendizados, na família, na recreação e lazer e nas manifestações e nas mobilizações culturais, políticas e sociais colocam a estrela no peito e a bandeira nas mãos e, de corações abertos, gritam palavras e realizam ações pela liberdade. Sempre liberdade que abre suas asas sobre o Brasil e o mundo, com democracia aqui e alhures. E sempre de forma direta, representativa e participativa, com cidadania para todos.
Oxalá! agora e neste século, realizemos mudanças urgentes, que devem ser feitas pelo presidente Lula, por forças aliadas e forças de oposição, movimentos sociais, centrais, igrejas, Ongs, movimentos juvenis, mulheres, negros, índios, migrantes, políticos. E sempre pelos militantes petistas nestes e nos próximos vinte e cinco anos de vida operosa e frutuosa, generosa e amorosa para o presente e o amanhã brasileiro. Quem viver, verá e participará de um Brasil realmente para todos.
- Postado por: Santista às 09h55 AM
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| Trabalhadores do ABC fazem história
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De um instante para outro, Severino Cavalcanti, o deputado folclórico que sempre era eleito para um cargo na Mesa Diretora da Câmara Federal, ao usar o expediente de lançar sua candidatura avulso, para uma negociação durante o processo eleitoral, manteve sua candidatura. A falta de diretrizes sólidas e uma liderança autêntica levou o Partido dos Trabalhadores a se rachar ao meio, levando Severino para o 2º turno, contando com apoio do chamado “baixo clero”, todo esperançoso de vantagens pessoais e mordomias propostas pelo deputado pepista. Na disputa final, os partidos de oposição e até mesmo setores governistas não perderam a oportunidade para impor fragorosa derrota ao governo Lula.
Defendendo suas teses extravagantes e pouco éticas, Severino aos poucos se transformou em figura de destaque, mais pela sua coragem de enfrentar publicamente questões como nepotismo, empregando seus filhos e reclamando de não ter outros para dar-lhes o mesmo tratamento, que por valorizar a instituição que preside. De concurso para escolha de rainha da uva a desfiles escolares, Severino tem sido convidado, como a atração maior do evento. Sua tarefa principal tem sido viajar e conceder entrevistas ao sabor das platéias que o prestigiam.
Revigorado pela conscientização que aos poucos adquiriu, de que é o segundo da linha sucessória, ficando atrás apenas do vice-presidente José Alencar, Severino Cavalcanti passou a se preocupar com sua segurança pessoal, nas incursões que faz em suas aparições diárias.
Foi hilariante e até cinematográfica a pantomima que montou para comparecer ao ato público de políticos e empresários, realizado em Anápolis dia 29 próximo passado, em prol da construção da ferrovia Norte/ Sul. Depois de exigir dos organizadores da manifestação que colocassem batedores da Polícia Militar para garantir sua segurança, negou-se a descer no Aeroporto de Anápolis. Alegou que, pela importância do cargo que ocupa e seu valor para a estabilidade da democracia, não podia correr risco, desembarcando num aeroporto de pequena dimensão. Exigiu e conseguiu desembarcar na pista da Base Aérea, única, segundo ele, capaz de garantir integridade física de uma autoridade tão importante.
O mais interessante aconteceu no desenrolar do evento: marcado para as 10 horas, só aconteceu após as 12 horas, porque Severino atrasou, impedindo que começasse no horário. Todos os convidados estavam lá a partir das 9 horas, esperando apenas pela figura de Severino, grande atração do evento. Foi interessante assistirmos autoridades como presidentes dos Tribunais de Justiça, de Contas do Estado e dos Municípios, além dos deputados federais e estaduais, prefeitos, lideranças políticas e empresariais, todos interessados na construção da Norte/Sul, aguardando pacientemente a chegada de Severino.
Mauro Borges e Iris Rezende, dois dos mais dinâmicos governadores do Estado, humildemente se transformaram em anônimos quase desconhecidos, com a chegada “gloriosa” de Severino, que nada tinha a dizer e pouco conhecia sobre o assunto em debate.
Felizmente os trabalhadores da Força Sindical, no 1º de maio, receberam como devem ser recebidos todos os que não exercem com ética e respeito o mandato que o povo lhes confia: deram vaia de 1 milhão de vozes ao Severino, colocando-o no lugar que merece. Os líderes da Força Sindical, que acreditavam numa manifestação calorosa ao seu convidado especial, puderam comprovar que a massa trabalhadora não está satisfeita com Lula, mas não aceita retrocesso de aéticos e nepotistas. A classe trabalhadora do ABC, que fez Lula presidente da República, coloca Severino no lugar do qual nunca deveria ter saído. Os que se apressaram em ser fotografados ao lado dele e ficaram em fila para ter seu autógrafo devem estar arrependidos e até envergonhados.
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- Postado por: Santista às 09h51 AM
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| Orkut, a paranóia dos sem-amigos
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É difícil acreditar, mas o orkut me pegou. Com muita relutância, muita vontade de poupar tempo, acabei na network de algum grande amigo. Primeiro, o mentor Carlos Brandão fez o convite, depois surgiram outros. E estamos aqui, e agora, no orkut dos amigos dos amigos dos amigos.
Quem não sabe o que é orkut deveria ignorar o assunto. Não é um vírus, mas parece. Ou melhor: é um maldito vírus da cultura. Modismos são que nem retrovírus, com alta variabilidade de espécie. Quando assimilamos a nova onda sempre surge, em seguida, algo para suplantá-la. O vírus RNA é desse jeito, por isso a dificuldade em buscar vacinas. Estamos sempre saindo de um vírus desses para cair noutro. O caso aqui é de febre mesmo. E funciona. Como modismo ele também vicia. Agora mesmo estou conectado via cinco amigos a mais de trinta milhões de pessoas. A idéia do orkut se baseia em uma quimera científica: é a teoria de que, com o mínimo encadeamento de quatro pessoas, podemos chegar a qualquer ser humano. É assim: pela lógica, todos nós estamos interligados nesse mundão de quase 7 bilhões de humanos.
Exemplo: quero enviar uma mensagem para a Madonna. Meu primeiro contato será chegar no governador(1), que vai acionar Lula(2). Por sua vez, nosso presidente conversará seriamente com George W. Bush(3) e repassar meu importante recado. Por fim, o dirigente americano liga no celular da Madonna(4). Pronto. A teoria funciona assim. A ciência nos dá segurança teórica. O orkut nos mostra a prática de forma superficial. Vale pelas conferências e grupos de discussão. Mas nem de longe vai fazer você amigo da Madonna. No afã de mostrar que é um cara legal, com muitos amigos no pé, já tem orkuteiro falsificando o programa. Ele inventa amigos imaginários para mostrar que sua ‘galera’ é maior do que a que acompanhou Odisseu nos mares bravios. Parece também uma comédia do Steve Martin. O cara tá lá todo infeliz, solitário e resolve dar uma festa. Como não tem amigos para convidar, ele acaba contratando uma loja de manequins de roupa (aqueles de plástico). Espalha os bonecos pela casa. Liga o som. Quem passa na rua imagina que a balada é a melhor da 5ª Avenida, em Nova York. E só tem ele. Coitado.
Acontece que a rede não dá contato físico. É uma inversão tecnológica, um instrumento para vender alguma coisa para alguém em algum canto do mundo. Não leve muito a sério os orkuts da vida. Faça como meu amigo Henrique Morgnantini, que declarou sua origens para a entrevista preliminar do site: Ilhas Cayman. Sim, o cara nasceu na ilha da lavagem de dinheiro. Logo, brinque mas não salive nem tenha tremedeira só de pensar em orkut.
Amigo é bom para abraçar, despertando a produção de ocitocina em nosso organismo. Não é por nada não, mas a rede mundial de computadores tende a produzir psicopatas. Ela mexe com outros hormônios e neurotransmissores mais recônditos. Daqui para frente será gente falando sozinho, inventando sonhos que teve com um parceiro que nunca viu ou mesmo reproduzindo sintomas típicos de que tem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Já encontramos hoje internautas que entram dez, quinze, vinte vezes ao dia em sua caixa de email. Só para ver se recebeu o email do flerte que teve dias atrás em um chatvoice.
E o pior não é nem entrar no orkut dos outros. Como o sujeito precisa ser convidado por alguém para freqüentar o site, já tem gente grilada com as regras – que é separatista e politicamente incorreta. Por isso já existe o Movimento dos Sem Orkut (MSO) no mundo. Para essa gente, como integrante da comunidade Che Guevara, prometo anunciar minha senha e login na próxima semana. Assim, os integrantes do MSO podem se autoconvidar. Mas olha a paranóia que isso vai dar: você será amigo de você mesmo?
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- Postado por: Santista às 07h14 PM
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A imagem de Lula segura a política do governo ou a política do governo segura a imagem de Lula? Fiz-me esta pergunta recentemente enquanto analisava a imagem dele no Brasil e no mundo. Retorno hoje de uma viagem de quase duas semanas aos Estados Unidos e me impressiona ver a fama do nosso presidente no exterior. Agora, enquanto o leitor lê este artigo, estarei nos ares rumo à minha querida Goiânia.
Fora do País, Lula tem status de chefe de Estado promissor, pacificador e de diplomata. Ele figura entre os presidentes mais prestigiados da atualidade. No Brasil, continua com a imagem preservada junto à população. A idéia é mantê-lo protegido das atitudes da base governista que desagradam à opinião pública. Por exemplo, se a equipe econômica faz uma manobra que mantém alta a taxa de juros, Lula fica, de certa forma, resguardado, pois em seu discurso joga a responsabilidade para a equipe.
Há alguns dias, um dos meus assessores me contou que participou de um fórum na internet, dentro da famosa comunidade Orkut, a “febre” dos internautas no mundo inteiro. Ele me dizia que num grupo denominado “Comunicação e Política” se discutia o marketing no governo Lula. No fórum, constatou-se que o presidente teve sua imagem praticamente “intacta” devido às estratégias de Duda Mendonça. Entretanto, com a proximidade das eleições, a oposição usará os mesmos artifícios criados que Duda usou para manchar a boa “pinta” do presidente.
Desde que assumiu o governo, quebrou protocolos, dispensou formalidades, abriu mão de tradições. Acredito que fez isso por que não se desligou de sua raiz popular. Duda trabalhou bem a face popular de Lula e deu a ele o perfil de vencedor que nós almejamos alcançar. Do ponto de vista da identificação, é muito bom para o Brasil ter um presidente que saiba o que é passar fome e o que é desemprego. Nada como a experiência para tornarmo-nos preparados para lutar.
Lula demonstra que seu ideal é realmente ver o Brasil crescer. Quebrou inúmeros paradigmas. Já foi pisado pela mídia, pelos intelectuais, já foi chamado de analfabeto, de incompetente. Grandes revistas o tacharam de muitos nomes. Mas hoje é bajulado, paparicado. Mas está na hora de colocar os pés no chão. A oposição vai atacar nos pontos frágeis do governo. Vai tocar nas questões que abandonaram o discurso rumo à prática. As promessas que ainda não saíram do campo teórico para construção da realidade.
Da mesma forma que Lula ganhou carisma, virará alvo de críticas por que o desemprego continua e a miséria alcança mais de 40 milhões de brasileiros. Marqueteiros da oposição vão buscar o viés da identidade de Lula versus anseios da sociedade. Vão levar as críticas ao governo para o patamar das emoções de cada cidadão.
No campo racional, poderão trabalhar com os desgastes em torno de alguns nomes da equipe e de suspeitas de envolvimento em ações corruptas. Tudo isso acaba arranhando a imagem do presidente também. Mesmo assim, creio no sucesso do governo, nas manobras conscientes da equipe econômica e nos projetos sociais. Lula demonstra querer mesmo viabilizar as transformações necessárias para que o Brasil dos sonhos seja não apenas um projeto no papel, mas que se torne real. Estamos todos torcendo por isso.
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- Postado por: Santista às 07h11 PM
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| Maldita hora que entrei na internet
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Preste bastante atenção: a internet não é o paraíso que falam. Nem é essencial para nossas vidas. Aliás, para ser franco, não queria desanimar viciados, mas vivíamos muito bem sem a world wide web, que hoje, ao lado do oxigênio e hidrogênio, parece ser elemento fundamental para nossos sonhos e desejos. Nesses tempos, ser internauta é ser hype. É gritar viva Messenger, Chatvoice, Orkut, Blogs e outras babaquices virtuais. Se antes eu era um cordeirinho, um cyber-officeboy dessa engenhoca ditadora, agora tenho lutado duramente com meus hormônios, com meus vícios, para reduzir o uso dessa mídia desleal, capitalista e desumana. Estou entrando no MR-8 da antitecnologia. De fato, depois de usá-la por cerca de dez anos, vejo que a internet se consolida como terreno invasivo e massificador da injustiça social. De repente, ela pode nos tirar dinheiro e liberdade, que são valores fundamentais dos seres humanos e devem ser preservados a qualquer custo. Não será, afinal, a internet que suplantará o iluminismo e as garantias individuais. Façam suas apostas: a guerra será travada em tribunais. Nerds e interbobos precisam de uma lição moral.
Todo esse lengalenga é para reclamar não da rede mundial de computadores em si, mas da tecnologia perversa – a parteira da internet e de seus desvios. Recentemente, a Embratel (faça um 21) enviou uma conta telefônica para minha casa. As ligações cobradas foram feitas para países da África, como o Guiné Bissau.
Pois bem, retornei a ligação para a Embratel. Queria saber do que se tratava. Estive na África, mas posso garantir: não deixei amigos no continente. E mais: nem passava pela minha cabeça o DDI de Guiné Bissau. Mas a telefonista garantiu que eu teria ligado para esses países via internet em busca de páginas de sexo. Bem, como qualquer um, não nego que, raramente, entro na Playboy e outros sites gratuitos com peladonas de todo mundo.
Não era disso que a Embratel estava falando, mas de provedores que oferecem serviços pagos na África – verdadeiros paraísos fiscais, terras sem lei. Segundo o 21, eu teria contratado e pago para ver vídeos ou fotos eróticas. Antes fosse, pois o ciclo do contrato bilateral-oneroso-comutativo teria se conformado com a satisfação do cliente. Ao contrário, não tive qualquer satisfação visual ou orgânica. Pior: o contrato foi feito sem aceite, repleto de vícios amplamente reprimidos nas legislações de consumidores.
Não só não vi nada do provedor africano como também fui invadido por um email que, ao ser aberto, instala automaticamente um programa dentro do meu computador. O autoexec é um monstro verde e gosmento pior do que se imagina: desliga sua conexão com a internet e faz ele próprio a ligação para os dados do provedor africano. Resultado: meu computador começou a travar. E eu sequer sabia o motivo até a telefonista da Embratel, já escolada nessas reclamações, informar que tudo é fruto da cabecinha maléfica dos inventores desse programa e da empresa.
O que mais intriga é que a Embratel aceita contratar com estas empresas. E melhor: nessa hora os criminosos que criaram o provedor e o programa devem estar milionários. Sim, porque eu e mais 30 mil brasileiros devemos cerca de R$ 30 milhões para a empresa. Imagine agora o mundo! A máfia do autoexec chega em seu computador com emails simples como o que encontrei na caixa de mensagens. Abri depois de ler o título "Re: você anda sumido". O "Re" de resposta denota que alguém está respondendo uma mensagem que você enviou. E o "você anda sumido" é clara referência a algum conhecido. Ao abrir o maldito postal, a surpresa: nada escrito, nenhum conhecido. Apenas o vírus do autoexec, que não acaba nunca. Você deleta, ele volta de novo. Deleta e ele reaparece com outro nome, como "painel de controle".
É sofrimento demais, irmãos: confesso, é um verdadeiro inferno cibernético. Dante teria tido um troço com essa invenção em forma de labirinto de dados, bytes e falcatruas. A solução é pagar a Embratel, bloquear o 21 e nunca mais abrir email. É esquecer a nova mídia ou aceitar a tortura. Cada conectada que você faz atrai cerca de 100 cookies. Você sabe o que é isso? Nem queira saber.
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- Postado por: Santista às 07h10 PM
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| Internet é coisa do capeta
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Desconfie, caro leitor, de tudo o que é muito bom e a baixo custo! Um fato simples, que todo mundo sabe, mas parece não querer acreditar: para ter qualidade, tem que custar algo. Mais óbvio, impossível! Não precisa ser de preço exorbitante como aqueles jeans de shopping, em que a etiqueta tem preço maior do a quantidade de bobagens que o Lula profere. Contudo, algum tem que sair da carteira para atingir um patamar mínimo de qualidade. É triste dizer isso, mas para algo de graça ser bom é difícil.
Pode saber que aquele churrasco liberado, com cerveja por conta e mulherada de dar inveja em desfile de escola de samba, tem coisa errada. Alguma barca no meio caminho lhe aguarda, pronta para propor uma revisão nos conceitos, uma conta de relação custo-benefício, em que você, invariavelmente, chegará à conclusão de que todo sacrifício para conseguir tomar algumas sem colocar a mão no bolso não compensa.
Internet é assim, meu caro! Ela fica posando de boazinha, mas, na verdade, é uma serpente de índole semelhante à da senhora Macbeth. Programas de compartilhamento de músicas e filmes, um mar de informações sobre qualquer tipo de assunto, comunicação instantânea, e-mails, orkut e... pop-ups! É, nada é perfeito... Os comerciais estourando na cara enquanto se navega pela rede são um verdadeiro estorvo. E pior ainda são aqueles que, assim que você fecha um, mais três são abertos. E mais pior ainda são aqueles que, sem dar nenhum aviso prévio, abrem e lhe oferecem conteúdo adulto (para usar um termo politicamente correto), jogos de cassino e green card para os EUA. Ou seja, tudo quanto é tipo de lixo. E não adianta indicar o óbvio: “Instale um anti-pop-up!”. Esses programas atrapalham demais a navegação em vários sites.
Outra praga da internet é o tal do spam. Numa averiguação mental e sem um pingo de rigor técnico/científico, acredito que, de cada 40 e-mails que recebo, um realmente é para mim. Aqueles que vêm com uma introdução do tipo: “Olá, Pablo!”. O restante é só para tentar me vender alguma coisa. E muito comumente estapafúrdias.
Quem disse que eu quero e/ou preciso aumentar as dimensões do meu pênis? Que tipo de interesse eu teria sobre os mitos e verdades que cercam a celulite? Por que sempre me tentam convencer a jogar na Mega-Sena acumulada por meio de minha caixa de e-mails? Por que acham que sou estúpido o suficiente para abrir aquele e-mail que tem um vírus em anexo? Esse povo podia ao menos ser um pouquinho criativo! E, mais uma vez, não adianta indicar o óbvio: “Bloqueie esses endereços!”. Isso é igual piolho, para cada que você mata, aparecem mais dez para lhe atazanar.
Se formos pesar os prós e os contras da rede mundial, não sei se o resultado será positivo. Mas a gente segue na rede, baixando de graça discos do Neil Young e recebendo e-mails que garantem o mapa completo para ficar bombado sem esforço físico. E o mundo continua a rodar do mesmo jeitinho...
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- Postado por: Santista às 07h09 PM
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A Internet tem coisas interessantes; as últimas de que soube são programas como Orkut, Netqi e Gazzag, que inscrevem milhões de pessoas, mas que, para meu desencanto, cai na mesmice da falta de informação útil. Vejam, de modo mais simples, as comunidades sobre cidades. Um bando de jovens mal-informados repetindo apenas que este ou aquele lugar são “maneru”, “legau” e outros conceitos do gênero, todos escritos com erros intoleráveis de grafia – mas eles respondem que “é a linguagem da Net”; nessa “linguagem” deles, não se usa acento, nem pontuação e as palavras não têm erre no final, isto é, os verbos são ama (amar), compra (comprar), esta (estar) etc. Quero vê-los em concursos e testes de empregos.
Ninguém quer saber mais da História. Esses moços (pobres moços) – com licença de Lupicínio Rodrigues – não sabem sequer os nomes de seus avós! Mas há as ilhas maravilhosas, sempre. Como uma comunidade que abri, dia destes, sobre a bossa nova – a música nacionalíssima do final dos anos 50 que, até hoje, encanta os mais sensíveis. Ronaldo Youle, cidadão carioca de 64 anos, indagou: “Como se justifica a identificação de jovens com um movimento musical - por muitos considerado elitista e jazzistíco - e que já completou 47 anos?”. Eles mesmos, os moços, não souberam esclarecer: apenas sentem que são melodias gostosas de se ouvir, com letras que falam de coisas que nos agradam muito... Luiz Antônio, também do Rio de Janeiro, argumenta: “Da mesma forma que se gosta de Bach, de Beethoven, dos Beatles, de Cole Porter. Música de qualidade é eterna”.
Aí entram outros coroas – claro que eu também pus a colher de pau – e tentam explicar; ou entender. Para mim, o “samba da beira-mar” e (ou) as letras de “sol, sal e sul” dizem tudo o que mexe com as principais características dos humanos reacionais: o sexo deixa de ser apenas um apelo animal, sobe à cabeça e vira coração.
Falta poesia na vida brasileira. Somos a nação cujas letras musicais mais se aproximaram da poesia. Claro que falo dos seresteiros desde Chiquinha Gonzaga até a Geração de Ouro - com Chico, Milton, Gil, Djavan, Caetano e tantos mais, passando pelos irresistíveis autores – de poemas e canções – da bossa nova.
Hoje, estamos aí, nas mãos das gravadoras que impingem a música comercial fácil. A gente fica mais feliz com O Barquinho e Chega de Saudade; mas impõem-nos os recados medíocres dos letristas da moda, conclamando a “galera” a bater o pé...
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- Postado por: Santista às 06h53 PM
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| A nova e grande tendência do mercado
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As mudanças sociais ocorridas no século passado delinearam um novo perfil nos papéis exercidos na sociedade ocidental. As mulheres estão entre os que assimilaram estas mudanças de maneira mais radical. Certamente porque tenham sido as principais agentes destas transformações, após anos e anos de luta para verem seus direitos garantidos e respeitados.
Estudos realizados dão conta de que, em virtude destas mudanças, a presença maciça da mulher nos mais diferentes espaços faz com que o mercado esteja cada vez mais ávido em conquistar a alma e o bolso feminino. É todo um arsenal de coisas montado para ampliar o nicho de mercado e vender seus produtos. De lingerie a carro, de eletrodomésticos a títulos bancários e daí por diante. Para a sociedade de consumo, a nova tendência de mercado é um prato cheio para que as empresas ganhem mais e mais dinheiro, já que, sabidamente, atualmente as mulheres representam mais de 50% da população brasileira.
O que me preocupa é que, ainda pelo viés das conquistas feministas, vemos surgir uma outra tendência de mercado, esta mais sutil e perigosa: de programas, palestras e serviços voltados para a mulher que não trazem nenhuma contribuição para a sua emancipação, ao contrário, reforçam a idéia de mulher supérflua, consumista e que não gosta e nem é capaz de pensar.
Num primeiro olhar fico feliz quando, no mês da mulher, vejo proliferar uma quantidade enorme de atividades em nossa homenagem. A princípio chego a pensar: - Que legal! Vamos estar aprofundando as discussões em busca de soluções para os inúmeros problemas que ainda atingem a maioria das mulheres brasileiras. Mas quando passamos os olhos pela programação de um ou outro evento, os assuntos que prevalecem são sempre aqueles que ligam a imagem da mulher ao mundo fácil do consumo, do dinheiro, da beleza estereotipada.
Nada de falar da falta de programas que contemplem a saúde, a sexualidade, o direito de a mulher decidir pelo seu próprio corpo, ou mesmo de discutir os preços inflacionados da comida que vai à mesa das brasileiras, hoje quase 40% na condição de chefes de família. Nada de polêmicas, nada do que possa representar discussões desagradáveis e de engajamento. Apenas a superficialidade!
Todo o cuidado é pouco nestes momentos! Qualquer evento que enxergue a mulher com direitos e deveres, como cidadã, não pode ser planejado sem prever o problema da grande maioria das mulheres empobrecidas, alienadas, injustiçadas!
Discutir questões femininas como se tivesse discutindo a melhor forma de manter um casamento, sem colocar a figura do homem como parceiro e co-responsável, deixando o ônus do fracasso nas costas das mulheres; discutir o espaço público, sem falar das milhares de excluídas; discutir beleza, sem antes discutir submissão milenar da mulher e como re-construir sua história, fazendo com que ela se redescubra, linda e poderosa como ela é, sem ter que seguir o padrão estabelecido pela mídia... me desculpem as companheiras dos eventos dedicados às mulheres, isso é discurso vazio, sem nenhum objetivo... Ou melhor, com o único e exclusivo objetivo do mercado consumidor, de vender seus produtos para um público-alvo que está cada dia mais presente na economia do país: as mulheres!
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- Postado por: Santista às 06h22 PM
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| Rui Barbosa e o nepotismo
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O nepotismo, não sei se os leitores sabem, é o cargo ou emprego que os sobrinhos (nepotes) e outro parentes de alguns papas exerciam na administração eclesiástica. Essa preferência ou favoritismo de determinados administradores em nomear parentes próximos tem grassado assustadoramente no nosso País. Conta-se que pedidos de empregos e favores para parentes tiveram início, já no descobrimento do Brasil. Pedro Vaz de Caminha, que escreveu uma carta detalhada ao rei Manuel I, de Portugal, contando (em 7 folhas) o grande feito, aproveitou-se do ensejo e pediu ao monarca um favor. É que seu genro, Jorge Osouro, havia sido condenado ao degredo na ilha de São Tomé por ter roubado uma igreja e ferido o padre. Caminha, então, pediu perdão para o parente e foi atendido em 1501, quando o citado rei soube que o escriba tinha sido morto pelos árabes durante um ataque à feitoria de Calicute, na Índia.
Rui Barbosa, que até hoje conserva o apodo de “Águia de Haia”, definia o empreguismo, em 1920, assim: “É um animal multimâmico de mil tetas, este a que se chama nação. De cujos peitos se dependuram, aos milhares, as crias vorazes da mamadura, mamões e mamadores para cuja gana insaciável não há desmame”.
Publico o conceito acima, mas o jurista, no período em que esteve no governo, entre 15 de novembro de 1889 e 21 de janeiro de 1891, ocupante do cargo de ministro da Fazenda do Marechal Deodoro da Fonseca, fez nada menos que 1.251 nomeações de próprio punho, sendo, talvez, o homem público que mais distribuiu sinecuras naquela época. O historiador José Murilo de Carvalho publicou, em setembro de 2000, um ensaio Rui Barbosa e a razão clientelista, no qual, tendo como fonte a correspondência recebida por Rui na época em que ocupou o cargo, relata que essa “glória nacional” nomeou, a pedido de seus pares, três ou quatro parentes mamadores das úberes tetas da incipiente república. O jornalista João Gabriel de Lima, sob o título O balcão da águia baiana (Veja, de 06-09-2000) narra o seguinte: “Praticamente todos os políticos importantes da época pediram favores a Rui, uma espécie de superministro que apitava quase tanto quanto o presidente da República. Dois deles se destacam: Deodoro, o curioso é que sua família inteira era composta de pidões. Mulher, irmãos, sobrinhos, tios e até cunhados – ao todo, são 74 solicitações computadas por Murilo de Carvalho. O próprio Deodoro fez 25 de próprio punho. Ele não se envergonhava de usar papel timbrado do próprio governo e, por ter relações de amizade com Rui, empregava uma linguagem informal, chamando-o de “compadre”. Já Floriano Peixoto preferia os tratamentos tradicionais. O “Marechal de Ferro”, que mais tarde em seu governo pregaria a austeridade, é autor de vinte pedidos, em geral, de empregos para colegas de armas.
Como estão vendo, leitores, a prática do nepotismo e do empreguismo é antiga e se confunde com a própria história do Brasil.
Quando redigia esta crônica, li pelos jornais que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados estava prestes a aprovar uma Emenda Constitucional que veda o nepostismo, isto é, a contratação de aprentes até segundo grau nos três poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Lembrem-se os leitores que o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcante, defende publicamente essa abominável prática.
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- Postado por: Santista às 09h16 AM
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Apresentadora matinal de um dos melhores programas da TV Globo, a boneca platinada dá sinais de senilidade. Ou de infantilidade.Melhor dizendo, de plena ignorância: se fosse telespectadora de boa parte dos programas de sua própria emissora, ela aprenderia que não há mais, no Brasil, fronteiras à civilização. Nem mesmo no tocante às raríssimas aldeias indígenas.
Dia desses, entrevistando Glória Pires e Cléo, a platinada Ana Maria deu-lhes boas-vindas perguntando: “De volta à civilização?”. Ora, ela nasceu no sertão, a diferença é que aprendi cedo: o preconceito geográfico é de uma estupidez sem limites. Como, aliás, qualquer preconceito. Conceito só se formula “pós”, nunca “pré”. A goianada agradece a manifestação de defesa da Cléo, enquanto a mãe permanecia em silêncio.
Dona Glória Pires já exercera sua empáfia, lá pelos idos de 1996 ou 97, ao pedir a cabeça de um jornalista em dois empregos no mesmo grupo porque o moço criticou o músico Orlando Morais, goiano e marido de Glória; ela não gostou e o profissional, competente, viu-se na rua.
Quando decolou de um supersônico da Força Aérea Brasileira, Ana, a vetusta platinada, não foi informada de um fato banal: estava na Base Aérea de Anápolis, a 50 km de Goiânia e uns 150 km de Brasília. Ela deve dormir até tarde aos domingos, para se vingar dos dias em que acorda muito cedo para apresentar seu Mais Você, um dos melhores programas da Globo (apesar dela; palmas para as equipes de retaguarda), ou veria o Globo Rural e saberia que mesmo as fazendas são, hoje, dotadas da mais sofisticada tecnologia – e que, em Goiás, como em quase todo o país, empresas e residências rurais são dotadas de eletricidade e telefonia, o que põe todos esses pontos em contado com a Internet.
Os goianos,já estão habituados com essas manifestações de rejeição: Roberto Carlos chamou Goiânia de “fazenda asfaltada” e, depois, enviou paus-mandados para negar o que disse; Pepita Rodrigues disse que, viu cobras e onças pelas ruas Goiânias; Léo Jaime, goiano que ganhou brilho nacional, declarou-se “Paraíba” numa entrevista, isto é, renegou Goiás (esqueceu-se, talvez, que só aqui existe Jaime como sobrenome); e Luana Piovani também fez beiço de desprezo ante o nome Goiânia quando surgiu comentário sobre um possível romance havido aqui com outro ator global.
Mas, dona Braga (que pena! Tenho tanto apreço por esse sobrenome), há outras pessoas, ainda “mais você” nesse esforço de rejeição. E, veja bem, até a poetisa Adélia Prado, que tenho como ícone da moderna poesia brasileira, já torceu o nariz para Goiânia, antes. . A poetisa de Divinópolis apenas ignorou solenemente todos os esforços para ser intrevistada, por jornalistas Goiânos e, poucas semanas após, um poeta vivente em Portugal, divulgou na Net entrevista que ela lhe concedera sem esforço.
Mas Goiânia é uma cidade que, agregada às que lhes fazem limites, chega perto de dois milhões de habitantes. Nada falta por lá. Em termos de escolas, recursos tecnológicos, comunicação e ciência. Os Goiânos tem referências médicas de várias especialidades, um amplo leque de universidades. O estado de Goiás é destaque como produtor de gado e de grãos. Tem analfabetos, sim tem; São Paulo não tem? Rio não tem? E sua cidade natal, senhora Braga? Também é, no seu conceito, fora do âmbito do que se tem como “civilização”?
No ano passado, minha amiga Gisele passou no Rio de Janeiro. Em Ipanema, um carioca daqueles que pensam que o Brasil acaba na Serra dos Órgãos, aproximou-se, conquistador. Notou que o sotaque era diferente e quis saber de onde era ela. Em seguida, “raciocinou”: “Goiânia... Lá tem mar?”. E minha amiga: “Não, não tem; mas tem bons professores de Geografia”.
A lição vale para Ana Maria Braga.
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- Postado por: Santista às 09h11 AM
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GOSTO das solidões enormes e dos silêncios profundos porque são a porta de entrada para o isolamento das meditações que liberam a mente para encontrar o ponto de separação entre o pensamento e o sentimento.
O pensamento, essa força gerada pela central da inteligência que faculta a pessoas diferentes terem as mesmas iniciativas, é o fio que sobe de nós para as antenas cósmicas transmissoras das descobertas captadas pelos inventores no núcleo das idéias.
O sentimento, essa energia emitida pelo plano da inspiração e distingue uma pessoa da outra conforme o grau de sua sensibilidade, é a linha que desce das estações do universo e nos possui com o dom da criação.
Há pessoas diferentes que se repetem iguais nas obras do pensamento, mas ninguém penetra na intuição de outro e produz o mesmo feito no sentimento.
Portanto, o pensamento sublime é o que vai do cérebro para as fontes do conhecimento universal, aperfeiçoa-se no vôo da sabedoria e volta enriquecido pelo sentimento humanista. Já o pensamento isolado do sentimento é pássaro que plaina nos espaços e não enche os ares com o seu canto, é lenha que se queima até criar as cinzas que adubam e não segura o fogo na luz das brasas, é árvore que dá frutos e não se engalana na beleza das flores, é gente que fabrica o violino e não produz a música que se toca nele.
O pensador pode premeditar e dissimular a sua intenção no que pensa. O inspirado não consegue ocultar e disfarçar a sua reação no que sente. Ambos possuem o dote de criatividade, mas o sentimento é onde se tornam divinos os gênios do pensamento.
OH!, dirigentes públicos desses tempos de pensamentos tão solteiros de sentimentos, repensem seus atos e objetivos! Por que correm com tanta pressa para o poder das riquezas materiais, se há uma sepultura parada esperando-os um dia em algum lugar?
Meditem sobre o verdadeiro sentido dessa vida.
Estão de passagem aqui na Terra. Vieram para trabalhar uma etapa da evolução de seu aperfeiçoamento espiritual, e somente alcançarão o merecimento da doação celestial através de ações que promovam a melhoria desse mundo e o amor entre as pessoas.
Reflitam sobre a sua conduta e avaliem se o que estão fazendo não os deixa em débito no ajuste final de contas das graças recebidas de Deus.
Observem e constatem como só perduram as glórias humanas que levam para a consagração na posteridade os que realizaram muito para o próximo em tudo que construíram para si mesmos.
Verifiquem a sina dos exemplos e compreenderão que não há vaga no destino dos eleitos para os valores levados na bagagem dos egoístas.
Escutem aquela voz que clama na consciência nos momentos de erro e ouvirão que, por onde a pessoa passe, ela tem de deixar ali o seu rastro, abrindo o caminho que a levará a Deus e a coloque para sempre no coração dos seus semelhantes.
Revejam-se, políticos de honra e palavra descartáveis à vontade das conveniências de suas ambições de poder! A obra não vale pelo tijolo de suas construções. Fica pelo vulto que a história erige em cima dos monumentos e um dia a humanidade não reescreva a sua biografia e a reduza a pó no chão dos séculos.
TODOS nós somos uma célula da vida gravitando em torno de uma vocação própria. Cada qual nasce predestinado a cumprir o seu destino, assim como tudo tem função específica no conjunto das forças que movem a natureza e sustenta: na gota, o oceano; no grão, a montanha; na centelha, o incêndio; no sopro, a tempestade; e, no cérebro, o engenho onde Deus guardou o mistério e a ciência da Inteligência Suprema que nos revelará a origem do mundo quando atingirmos a perfeição espiritual.
Toda pessoa é semelhante a toda pessoa, mas ninguém é igual a ninguém. Cada um de nós tem a sua finalidade própria na manutenção da vida e não deve aceitar nada que o desvie de sua vocação. Não é fácil ser autêntico consigo mesmo. Só os obstinados resistem à pressão das oportunidades adversas à sua aptidão e não agem conforme querem os que, em verdade, nos estão modelando à vida deles.
Prevalece na ordem da espécie humana uma campanha subliminar, e até inconsciente, para modelar a pessoa às mesmices e mantê-la no ramerrão das vontades da sociedade. Começa em casa. Os pais gostam da laranja e têm um ofício, e ensinam os filhos a comerem a mesma fruta e os induzem a seguirem a profissão deles. Continua na escola. Os professores aprenderam de um jeito e educam os alunos no modo do seu aprendizado. Aumenta no emprego. Os chefes trabalham de uma maneira e exigem que os funcionários sigam o seu método acostumado. A sociedade completa a massificação psicológica. Impõe a formação cultural das tradições e discrimina os que destoam dos costumes vigentes. E essa manipulação geral e sistemática do caráter individual tem o mesmo processo de domesticação das reses no rebanho e acaba tirando a pessoa do eixo de sua vocação, que é a razão de viver de todo ser humano.
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- Postado por: Santista às 09h04 AM
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Dificílimo, hoje em dia, amar o próximo como a nós mesmos. Primeiro, muitos próximos, na família e nas proximidades, buscam-nos somente para filar bóia ou tomar dinheiro emprestado; depois, tem a imensa maioria dos próximos a quem não podemos sequer dar a chance de se aproximarem de nós (assaltantes, empresários inescrupulosos, vendedores de carros usados etc.); finalmente, os próximos distantes, aos quais nem mesmo conheceremos nesta encarnação.
Outra dificuldade, conhecida de todos, é amar pessoas egoístas, arrogantes, agressivas ou viciosas. Saindo pela tangente, os santos “se apiedam” deles, mas, como santidade não dá sopa, neste planeta próximo da barbárie, acabamos sentindo aquela piedade feroz de um amigo americano, que, vendo certo bandido na televisão, indagou, como que a Deus: “É esse tipo de traste que devo amar como a mim mesmo?”. Sem chegar a tanto, existem aqueles que, diante de ofensas e prejuízos graves, em vez de perdoar e amar o próximo safado, dizem só desejar “justiça”; outros, que “Deus me vingará” e até certos espiritualistas, nada espirituais, que invocam autêntica fórmula de magia negra, repetindo o nome do ofensor, que agora transforma em vítima, afirmando: “Faça-se somente a justiça”. Não querem que o outro escape de jeito nenhum da lei de causa e efeito, coisa que, se fossem mesmo espiritualistas, saberiam impossível.
Mas, sem contar os muitos espécimes de próximo, a carestia também faz seus estragos na segunda parte do mandamento-síntese de Jesus, que vimos comentando. Rindo, sim, pois diante do hilariante ser humano, se não rirmos, odiaremos. Não o riso do desprezo, mas aquele sorriso compreensivo e solidário que temos diante das peraltices infantis. E voltemos à carestia, antes que o texto fique assim com ares de sacristia e pastor.
Pra começar, ninguém mais consegue fazer os tradicionais telefonemas aos filhos ou irmãos, nos fins de semana. Ficam uma fortuna. Principalmente se pais ou irmãos nordestinos, pois será como ligar para um time de futebol inteiro. José, João, Antonio, Pedro, Paulo, Luiz, Francisco - e quando se acabam os apóstolos e santos católicos mais conhecidos, vêm os nomes estrangeiros: Claudiciley, Svelian e Wercilaw, se é que não descambam para Itália e França, com os Pierres e Pietros - pois não é que Raimundo, Severino, Manoel e Maria estão caindo em desuso, até no Maranhão e Piauí?
Visita-los, ou aos amigos, faz outro rombo no orçamento. Com o preço dos combustíveis, só de bicicleta, quando moram perto. Aí vêm os ladrões, roubam bicicleta, relógio, dinheiro, tênis - e você ainda sorrirá, com a boca escancarada, cheia de conformidade, porque lhe deixaram a cueca e a vida. Não se conhece ainda, na crônica policial, caso em que o próximo ladrão tenha levado calcinhas, provavelmente porque, no tamanho brasileiro, não servem mesmo pra nada!
Leve sempre a família inteira para essas visitas amorosas, justo na hora do almoço ou jantar, pois, todos comendo de graça, vale o gasto no posto de abastecimento. Demore-se horas a fio, veja seu time perder na televisão do parente ou amigo e beba quanta cerveja puder. Quanto mais tarde voltar pra casa, menor a despesa com energia e alimentação. O próximo, coitado, não está fazendo mais que sua obrigação de servi-lo como a si mesmo
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- Postado por: Santista às 10h55 AM
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Pai com mais amor
As constantes mudanças nas relações entre os casais – fruto de uma sociedade em freqüente evolução – imprimem nova dinâmica na forma de como os pais podem e devem criar seus filhos.
Essa realidade vem abrindo espaço para o surgimento de um personagem cada vez mais atuante nos dias atuais: a do novo pai, este mesmo que, na ausência da mulher, tem educado de forma convincente e harmoniosa seus filhos.
Não resta dúvida que nada substitui a mãe, mas com os crescentes problemas, inclusive os de separação, não há outra saída a não ser buscar condições ideais para que uma nova relação entre pai e filho se estabeleça sem qualquer trauma.
Como é esse novo pai: um homem sensível, carinhoso e participativo. Ele tem procurado conquistar seus espaços. Para isso, não mede esforços no sentido de dividir a obrigação em trabalhar a educação e a sua função no mercado de trabalho.
Ao assumir essa nova função, o homem moderno demonstra quebrar conceitos antigos do machismo e ergue a bandeira das transformações, ao reconhecer a importância da mulher tanto na educação dos filhos quanto no processo produtivo do país. |
- Postado por: Santista às 10h54 AM
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A gente não gosta dos velhos
| A gente não gosta dos velhos
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Eu e você não gostamos de velhos, melhor encararmos o problema de frente. Velho é chato, tenta podar nosso crescimento com seus conceitos retrógrados, precisa de cuidados constantes. Quando pobre, então, que sofrimento. Vira um estorvo para a família. Fica caro para os filhos. Um incômodo para genros e noras. Um saco para os netos. A gente vai saber, quando crescer, que os idosos mais ranzinzas são um poço de ternura e conhecimento. Sem velho não haveria mundo, não haveria história, não haveria eu nem você.
O velhinho que caminhava pela Rua A na sexta-feira parecia com meu avô até no mal de Parkinson. Moreno, atarracado, carrancudo, saco de latinhas na mão esquerda, mão direita revelando-lhe a doença, passos firmes à minha frente. Idoso, se a saúde deixa e está disposto, tem de trabalhar mesmo – e catar latinha é um trabalho como qualquer outro, apenas menos rentável. Ganha um dinheirinho, diminui a de
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