| Meu Papa é Deus. Nada mais
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Sou um cristão sem Papa. Nada me obriga a gostar de Joseph Ratzinger. Nada mesmo. Não que me oponha aos seus olhos verdes ou à sua encantada cabeleira branca de Papa, cujos cabelos foram confiscados pelo apagar dos anos. Ou porque não saiba alemão ou tenha algo contra as aparências. Ou porque seja eu um desses cricris que vêem defeito em tudo e que achem chifre na cabeça de formiga e que tenha chegado à vida mordendo o útero da mãe.
Não gosto do Papa Ratzinger pela água que jorra de seus pensamentos e que respinga em todos nós. Pela terra que dá apoio a seus pés e que parece não respeitar as mutidões.
Ratzinger é um senhor conservador com um passado de proibições, de ausência social e que sempre se utilizou do Santo Ofício para intimidar a evolução do mais forte movimento que ama a sociedade do jeito que ela é: o cristianismo real.
Esse mesmo cristianismo que é comum a todos: ao negro e ao branco (e todas as raças); ao homem e à mulher (não se esquecendo aqui dos homossexuais, inclusive eles). Essa mesma fé que é comum ao peixe e à pedra; à água e ao fogo. Comum a quem se deleita nas riquezas ou quem vive na miséria, mas que se agarra na vida para vivê-la na plenitude do amor ou mesmo da dor, como todo bom filho de Deus.
Não gosto do Papa. Não vou mentir a mim mesmo. Não se pode num tempo de evidências querer esquecer o mundo como ele é. Não se pode condenar o amor homossexual nem o amor bandido só porque alguém (e esse alguém é o Papa) possa querer condená-lo por se julgar (o Papa) dono do que pensamos e dono do que devemos ser.
Não se pode opor ao uso de preservativos, nem à presença de divorciados na santa casa de Deus só porque achamos que isso seja realmente o certo. Essas proibições, Ratzinger as faz com toda vontade de quem assumiu o poder mais forte da Igreja.
Ratzinger até agora se fechou a todas estas questões. Outras pessoas tão importantes quanto ele no mundo admitem discuti-las, como já as discutem. O Papa dos católicos passivos (dos que só querem um representante de Deus na Terra) é somente Papa dos católicos passivos, dos que não se sentem incomodados com a injustiça nas pobrezas. Dos que acham que, se tudo vai bem em sua casa, todas as casas do mundo devem estar, também, bem.
Como ‘bom’ velhinho, a quem cabe, inclusive, nos excomungar, o Papa Ratzinger já começa perdendo. Perde em unanimidade até para a lendária figura carismática do Papai Noel.
Longe dos paparazzi e perto do papanazi (dizem isso dele), vou ficando por aqui, crente de que meu Papa é somente Deus.
Não posso confundir Ratzinger com Deus, e não posso ser infantil o suficiente de achá-lo melhor que eu ou de quem só tem uma perna ou um braço ou de quem passe dias sem ter o que comer. O Papa é apenas pop (mais um artista a render dinheiro) e graças à mídia que lhe tem dado ibope.
Ratzinger, por isso, é hoje tão humano quanto a gente. Depende tanto da água quanto nós dependemos para ter o corpo hidratado. O alimento que nos mantém vivo e respirando é o mesmo que o mantém em pé na terra. Post scriptum: Não podemos gostar de alguém que não tenha sido escolhido pelo nosso voto e que assuma a pretensão em querer nos representar e representar a esse mesmo povo diante de Deus.
O cargo de Papa hoje é de uma ditadura epistolar. Tão draconiana que sua forma, como é realizado o ritual, o pragmatismo, nos remete a rituais da Idade Média, onde o alcance da notícia sequer chegava (em massa) a quatro casas consecutivas.
Hoje não, a notícia é eterna!
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- Postado por: Santista às 08h37 AM
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Não. Eu Não Sou Feminista.
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Mulher, antes de recuar horrorizada e dizer "Não, Eu Não Sou Feminista" e você, homem, antes de pensar nas feministas como aquelas mulheres muito feias, mal amadas e potenciais inimigas, pare um pouco, respire fundo e tente rever os seus conceitos. Imagine, sem preconceitos, o que significava ser mulher há, digamos, duzentos anos passados. Imagine, você homem e você mulher, ter nascido mulher naqueles tempos. Vamos ver juntos, com carinho: 1. Você raramente teria a chance de aprender a ler e a escrever; 2. portanto, seu potencial já seria drasticamente reduzido. 3. Se você tivesse a sorte de aprender a ler, e tivesse acesso ao conhecimento e quisesse se manifestar, estaria proibido de falar em público. 4. Você não teria direito a escolher seus governantes. 5. Você não teria direito ao prazer sexual, a menos que se dispusesse a virar uma puta de bordel, mas mesmo assim raramente faria isso por prazer. 6. Você estaria submetido aos desejos sexuais do seu marido e não poderia escolher se queria ou não gerar filhos; 7. geraria quantos filhos a natureza determinasse (e também o apetite sexual do seu companheiro), arrebentando para sempre o seu corpo com as seguidas gravidezes e gerando mais rebentos do que talvez você pudesse sustentar. 8. Isso sem contar que, se você nascesse com algum dom (artístico, para as ciências, para a pesquisa, etc.) este raramente teria chance de se manifestar. 9. Você teria que se digladiar com outras mulheres para conquistar o melhor homem da cidade, sua única chance de ter alguma projeção social. 10. Você seria eternamente dependente do dinheiro desse homem e, se ele fosse a falência, você iria junto. Na história mais recente, a primeira mulher a levantar a voz contra esse estado de coisas foi Mary Wollstonecraft. Ela nasceu na Inglaterra em 27 de abril de 1759 e morreu em 10 de setembro de 1797, aos 38 anos de idade, exatamente 11 dias depois de dar à luz a uma filha, que se tornaria muito mais famosa do que ela, também como escritora: Mary Shelley, a autora de Frankstein, casada com o também famoso poeta Shelley. Mary Wollstonecraft escreveu mais de 30 obras e inúmeros artigos, quase na sua totalidade, sobre a condição feminina na sociedade. Musa dos movimentos sufragistas americanos, num século em que as mulheres que sabiam ler e escrever eram exceções, Mary causou furor com as suas reivindicações de igualdade de direitos para homens e mulheres. Na rabeira de Wollstonecraft veio toda uma geração de feministas sufragistas na Inglaterra e nos Estados Unidos. E até no Brasil. Foram mulheres corajosas, que ousaram desafiar os costumes vigentes, que se organizaram politicamente em agremiações, que foram presas, perseguidas, ridicularizadas e até mortas, para que nós, mulheres do século XXI, pudéssemos usufruir de todos os direitos que temos hoje. Na longa história da luta sufragista, está a ridicularização dos homens à reivindicação feminina pelo direito de votar. Temos inúmeras heroínas neste capítulo da história política da humanidade: Lucy Stone, Susan B.Anthony, Emmeline Pankhrust, as brasileiras Deolinda Daltro e Bertha Lutz, e tantas, tantas outras. É fácil hoje entrar no jogo machista de dizer que as feministas são feias, mal amadas, masculinizadas. Mas nós todos, mulheres e homens, precisamos sim ter uma certa perspectiva histórica, uma consciência das lutas passadas que trouxeram as conquistas presentes, para podermos exercer o nosso papel na história. E o nosso papel é político. O ser humano é, primeiro de tudo, um ser político. Mulheres desvinculadas de sua história política jamais serão políticas por inteiro.
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- Postado por: Santista às 11h39 PM
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Papa Pop
Mas nem bem o papa novo assumiu, e lá vem gozação......
Clika
Dá uma olhadinha vai!!!
- Postado por: Santista às 08h12 PM
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Os nossos desafios (e os deles)
Foi difícil esconder a decepção dos latino-americanos com a eleição do novo papa, Bento XVI. Da mesma forma, é difícil camuflar a necessidade da Igreja Católica em encarar de frente alguns desafios do nosso século. Os fiéis precisam de respostas condizentes às suas realidades e não apenas de uma lista de proibições.
É lamentável imaginar que muitos dos temas congelados por João Paulo II continuem sendo tratados com pouca importância pelo Vaticano.
Como proibir as pesquisas com células-troncos se elas podem representar a esperança de vida para quem sofre de Parkinson ou Alzheimer? Estarão eles condenados à morte? Eu queria ver se alguém com o filho na cadeira de rodas, condenado a não se recuperar mais, olharia nos olhos da criança e diria: "Desculpe-me, mas o embrião congelado é mais importante do que a sua vida!".
Como proibir o uso da camisinha se a Aids já infectou mais de 600 mil pessoas no Brasil e está à espera de novas vítimas? Sejamos realistas, com as conquistas das últimas décadas, nossos cidadãos não deixarão de viver plenamente sua liberdade sexual. Os preservativos estão salvando vidas.
Como não abrir o debate para uma maior participação feminina na Igreja Católica? Enquanto a mulher ganha espaço em todos os setores possíveis e imagináveis, a igreja continua fechada, restrita.
Como não aceitar, em hipótese alguma, o divórcio? É melhor marido e mulher se matarem dentro de uma casa, na obrigação de viverem juntos, do que reconstruir suas vidas separadamente "no amor e na paz do Senhor"? Realmente, quando nos debruçamos sobre a realidade, assustamo-nos com a disparidade entre o que a igreja manda e o que nos aflige no dia-a-dia.
Pensamentos medievais imperam. E eu não consigo entendê-los.
Daqui, dos meus poucos anos de vida e da minha pouca experiência em tudo o que se pode imaginar, mantenho a opinião de que a liberdade colhe mais frutos que a opressão. E também sustento a afirmação de que a igreja precisa se adequar mais à realidade, às aflições, aos problemas do seu rebanho.
- Postado por: Santista às 07h48 PM
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Governo ‘Eu sou mesmo é dirigente sindical’
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“Sou mesmo é presidente sindical.” Assim se definiu o presidente Lula, ontem, na abertura de uma reunião da Organização Regional Interamericana de Trabalhadores, em Brasília, onde defendeu a necessidade de mudanças na proposta de reforma trabalhista e ouviu críticas ao projeto. O presidente afirmou que estava à vontade para falar aos que lembrou serem seus companheiros. “Não sou presidente; estou presidente”, disse. “Todos podem estar certos de que, ao final do meu governo, me verão participando de uma assembléia.”
Depois de ouvir críticas de sindicalistas ao projeto da reforma trabalhista, Lula observou que o projeto que está no Congresso não foi construído unicamente pelo governo. Ele ressaltou que o projeto foi preparado com a colaboração de importantes entidades sindicais e com a “cumplicidade” do governo. “Se o texto apresentado não é perfeito, é porque não somos perfeitos”, disse o presidente.
Lula defendeu, no entanto, a necessidade das reformas. “A reforma sindical precisa ser feita, assim como a reforma trabalhista, que não é para tirar direitos dos trabalhadores, mas para adequar”, disse. Ele pediu que ninguém “saia pelo mundo” criticando o projeto, alegando que este foi fruto de sugestões de empresários e sindicalistas.
O presidente observou que toda reforma é difícil e sempre incompreendida por alguns. E disse que, do tempo em que era sindicalista para cá, muitas coisas mudaram. “O dirigente sindical tem que ser hoje mais impositivo, mais inteligente, precisa se adaptar aos novos tempos e não se limitar a apresentar reivindicação uma vez por ano e a reclamar três vezes por ano do governo”, disse. Para isso,“não é preciso sindicato”.
Caça-fantasmas – A reforma sindical proposta pelo governo Lula ao Congresso tem o objetivo de acabar com os sindicatos-fantasmas, que muitas vezes não possuem filiados suficientes nem endereços confiáveis, mas existem no papel com o objetivo de obter uma parcela do imposto sindical compulsório. Os dirigentes desse tipo de entidade puramente escritural são, segundo o governo, contrários a qualquer alteração porque vão perder o dinheiro que todo ano entra no caixa do sindicato sem fazer esforço algum.
No projeto de reforma está previsto que, para existir, os sindicatos terão que comprovar que contam com um mínimo de 20% de filiados na sua base de atuação. Ao contrário do que acontece hoje, os sindicatos terão que promover a negociação coletiva. Só assim poderão ter acesso à contribuição negocial que substituirá o imposto sindical. A contribuição negocial tem teto para sua cobrança e terá que ser decidida em assembléia e poderá ser cobrada de toda a base, sindicalizada ou não.
Além de acabar com as contribuições compulsórias e exigir representatividade, o projeto acaba também com o poder que a Justiça do Trabalho tem de impor regras nos dissídios coletivos. A reforma sindical trata apenas de mudar a forma de organização e de financiamento dos sindicatos, passando ainda a tratar legalmente as centrais sindicais, não avançando sobre as mudanças das leis que regem a relação entre trabalhadores e empresários. Essa parte, chamada de reforma trabalhista, está ainda em fase de discussão no Fórum Nacional do Trabalho.
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- Postado por: Santista às 08h21 AM
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Nosso racismo tem a desculpa de ser distraído. O que nos absolve é que não nos damos conta. O Grafite não considera o seu apelido racista. Como é negro e comprido, deve achar o apelido bem bolado. Também poderia ser chamado de Clarinete e acharia normal e simpático.
Assim como até negro usa “negrão” sem pensar, tem gente que se recusa a chamar negro sem o diminutivo, mesmo que ele ou ela tenha o tamanho do Grafite, porque não quer ser grosseiro. Implícita neste racismo que não se reconhece está a idéia de que caricaturar carinhosamente ou infantilizar o negro é uma maneira de consolá-lo pela sua condição de diferente. Entre o “negrão” e o “negrinho” está a nossa incapacidade de dar nome certo ao preconceito.
E não é só com negros. Há anos que o humor brasileiro recorre a estereótipos raciais sem medir o insulto: o judeu sempre retratado como um avarento de sotaque carregado, o japonês invariavelmente bobo etc., além do negro em suas várias versões de primitivo divertido. Isto melhorou de uns tempos para cá. A moda do politicamente correto, com todos os seus exageros, teve o mérito de chamar atenção para a grosseria inconsciente em tantos dos nossos hábitos culturais.
Da mesma maneira que esse carnaval que fizeram com o insulto do argentino ao Grafite, em São Paulo, com todos os seus exageros, serve para dar publicidade ao assunto racismo e alertar para as suas possíveis conseqüências. Não, não se prevê aparelhos de escuta permanentemente virados para o campo e a polícia interrompendo o jogo a cada troca de epítetos raciais. As confusões que isto criaria seriam enormes.
– Vamos lá. Ele chamou o adversário de #x%*wqf!
– Espera aí! #x%*wqf! não é raça. Ou é?
Mas que foi bem-feito, foi.
Também acho que não há razão para todo esse alarido sobre nepotismo em Brasília. A palavra “nepotismo” vem do costume dos papas de darem empregos a seus “nepotes”, ou sobrinhos. O Severino tem, portanto, todo o direito de estar contrariado com as cobranças que recebe. Não há notícia de – um! – sobrinho de papa empregado no Congresso brasileiro.
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- Postado por: Santista às 08h15 AM
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Não se pode cogitar uma sociedade politicamente avançada cuja elite dominante e governante busque em exemplos alienígenas soluções para problemas internos. Os países latino-americanos têm sofrido justamente deste mal. Imitam-se sistemas políticos de outros países, toma-se constituições emprestadas e por estes meios tenta-se resolver problemas próprios com soluções alheias.
Tudo isso por conta de um complexo de inferioridade já arraigado na consciência coletiva do povo latino-americano. Complexo este em face da cultura européia ou anglo-americana. O povo da América Latina é daqueles que pedem emprestado e que imitam as nações européias e a América do Norte. Busca-se ainda nestes países inspiração para suas leis, códigos e constituições. Não é necessário que espremamos muito nossos cérebros para que cheguemos à conclusão que problemas diferentes clamam por soluções próprias, e mesmo problemas de igual natureza tornam-se diferentes na medida em que a latitude se modifica.
Se as soluções servem apenas para uma determinada realidade problemática, quando aplicadas em outro lugar o resultado será sempre o mesmo: êxito algum. Daí a persistência já insuportável de inúmeros problemas latino-americanos, para os quais se buscou soluções anglo-saxônicas.
Não adianta – simplificando bastante o complexo problema de que tratamos –, por exemplo, adotarmos cá uma medida tomada pelos ingleses no seu campeonato nacional de futebol, como a que aboliu os alambrados dos estádios de futebol, para fazer com que o torcedor sentisse-se mais “dentro” do jogo. Ora, se por estas bandas com alambrado, fosso e policiamento reforçado já se invade o campo a todo instante, imagine sem estas barreiras. Pode parecer bobagem tratar de tal assunto, exemplificando da forma que fizemos, mas talvez não seja tão bobo.
Não pode haver uma discordância muito grande entre as normas que regem um determinado povo e o comportamento deste. Se há uma abismal distância entre teor da lei e o complexo culturológico de uma sociedade, o desrespeito àquele será inevitável, apenas uma questão de tempo. A psicologia coletiva de um povo é constituída de elementos como usos, costumes, tradições, crenças, artes, técnicas, preconceitos, e nada disso pode ser mudado apenas pela vontade de uma elite que quer ver o comportamento do povo-massa modificado a seu bel-prazer, através de novas leis que não atendem aos anseios populares.
Uma mudança legislativa qualquer pressupõe mudança comportamental da sociedade, e não o contrário, ou seja, não se pode tentar mudar determinada conduta mediante leis “decretadas” – no sentido atécnico –, mas estas (as leis) devem adaptar-se às novas realidades criadas e nascidas no coração popular.
Onde está então a ligação entre o atraso latino-americano e o seu complexo de inferioridade? Ora, leis, instituições e soluções importadas quando em não conformidade com a consciência coletiva de uma sociedade, alimentam o desrespeito às normas e induzem o povo a viver à margem da lei.
Os ingleses e os americanos são talvez os únicos povos civilizados que não pedem modelos emprestados, que não copiam instituições e que não importam soluções. Seus regimes políticos, códigos administrativos, suas soluções para problemas sociais, econômicos e políticos são exclusivamente seus, nunca inspirados em exemplos estrangeiros.
Podemos explicar o atraso latino-americano utilizando como ponto de partida as mesmas explicações a que recorremos para explicar o sucesso anglo-saxônico. O atraso da América Latina decorre – em parte, é bom que se frise, pois nenhum problema pode ter explicação simplista a ponto de se atribuir a uma única causa o problema de toda uma sociedade –, portanto, de seu complexo de inferioridade, exprimido pelo fato de se buscar sempre soluções alheias para problemas próprios, problema este que tem como decorrência um outro não menos sério – talvez até mais – que é a discordância, não muito rara, entre a norma e o comportamento social.
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- Postado por: Santista às 08h11 AM
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Houve rebuliço, foguetório e “viva!” depois de aprovado, numa das comissões da Câmara Federal, o projeto de lei proibindo a nomeação de parentes de autoridades para cargos comissionados, ou de confiança. Um jornal noticiou o acontecido com o seguinte título: “É o fim do nepotismo.” Tenho razões para apontar engano da parte daquele jornal. Fim coisa nenhuma. Os sinais emitidos nas últimas horas, vindos da própria Câmara Federal, indicam o contrário. A imprensa está noticiando o aumento, para mais de 50 mil reais, da verba de gabinete destinada à livre contratação de assessores. Então, aquele projeto dito antinepotismo em tramitação não passa de um engodo. Com uma agravante: se aprovado, pode gerar injustiças.
Bem disse José Genoino, presidente nacional do PT: “Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.” Essa filosófica do líder petista, quer significar o seguinte, se aplicada ao nepotismo: uma coisa é nomear o despreparado por razões meramente de parentesco importante. Outra coisa é nomear alguém que, embora parente de certa autoridade, preenche as condições inerentes ao cargo, sendo até necessário na função. O difícil é estabelecer claramente os limites. “Não basta que seja pura e justa a nossa luta. É necessário que a pureza e a justiça estejam dentro de nós.”
Será que os brasileiros, em sua maioria, querem mesmo o fim do nepotismo? Acreditarei nessa hipótese a partir do momento em que, numa campanha eleitoral, o eleitorado, assim como faz para reivindicar asfalto, habitação ou a queda dos juros, reunir-se com o candidato para propor-lhe o seguinte: “Terá o nosso voto se assumir o compromisso de, eleito, promover a extinção dos milhares e milhares de cargos comissionados ou de confiança criados claramente para a nomeação de apaniguados, sejam eles parentes ou não.” E mais: “Destinar o dinheiro economizado com a extinção dos cargos para a conservação das rodovias, para o Hospital do Câncer, ou a Vila São Cotolengo.”
O que se tem visto nas campanhas é exatamente o contrário. O eleitor tem procurado, muitas vezes, é arrancar do candidato a promessa de, eleito, arranjar-lhe um desses cargos. E é por isso que os políticos ficam espremidos. Eles procuram exatamente satisfazer às aspirações que lhes são expostas pela sociedade.
Um vereador de uma grande cidade contar com o auxílio de dois ou três bons assessores, um motorista e uma secretária, tudo bem. Mas vereador com quarenta assessores, sem ao menos manter qualquer contato com muitos deles por meses seguidos, exceto no período eleitoral, aí já é uma das formas de financiamento público das eleições. Então, a única saída é a drástica supressão dos comissionados, das exorbitantes verbas de gabinete e de cotas de indicações de cargos de confiança ao Executivo. Que façam política, mas com o uso de boas idéias, colocadas em prática na forma de projetos de lei, e com a luta por benefícios públicos tão necessários, em setores essenciais como Educação, Saúde, Infra-Estrutura e Segurança.
Enquanto aguardamos esse momento, estaremos convivendo com o nepotismo nas suas formas mais variadas: o cruzado, o direto, o indireto, o da nomeação de esposa para aumentar os vencimentos do marido ministro e por aí vai.
Como cada povo tem o governo que merece, será assim, até que um sonoro “basta”, que já se faz tardio, seja proclamado pelo próprio povo.
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- Postado por: Santista às 08h09 AM
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Iniciamos este novo milênio com a metade da população vivendo nas cidades. Segundo as previsões, em 2050 a taxa de urbanização no mundo chegará a 65%. As cidades são potencialmente territórios com grande riqueza e diversidade econômica, ambiental, política e cultural. O modo de vida urbano interfere diretamente sobre o modo em que estabelecemos vínculos com nossos semelhantes e com o território.
No sentido contrário a tais potenciais, os modelos de desenvolvimento implementados na maioria dos países da América Latina se caracterizam por estabelecer padrões de concentração de renda e de poder – assim como processos acelerados de urbanização –, que contribuem para a depredação do meio ambiente e para a privatização do espaço público, gerando empobrecimento, exclusão e segregação social e espacial. As cidades estão distantes de oferecer condições e oportunidades eqüitativas aos seus habitantes. A maioria da população urbana está privada ou limitada de satisfazer suas necessidades básicas – em virtude de suas características sociais, culturais, étnicas, de gênero e idade. Este contexto favorece o surgimento de lutas urbanas representativas, ainda que fragmentadas e incapazes de produzir mudanças significativas no modelo de desenvolvimento vigente.
É indispensável assumir o desafio de construir um modelo sustentável de sociedade e vida urbana, baseando nos princípios da solidariedade, da liberdade, da igualdade, da dignidade e da justiça social. Um de seus fundamentos deve ser o respeito às diferenças culturais urbanas e o equilíbrio entre o urbano e o rural. As lutas sociais por cidades mais justas, democráticas, humanas e sustentáveis constituem os princípios do direito à cidade, estabelecendo os compromissos e medidas que devem ser assumidos por toda sociedade civil, pelos governos locais e nacionais e pelos organismos internacionais – para que todas as pessoas vivam com dignidade em nossas cidades, orientando e contribuindo com as lutas urbanas e o reconhecimento dos direitos humanos.
O direito à cidade é o direito coletivo dos habitantes das cidades ao usufruto eqüitativo das cidades dentro dos princípios da sustentabilidade e da justiça social – em especial dos grupos vulneráveis e desfavorecidos – que se conferem legitimidade de ação e de organização, baseando nos usos e costumes, com o objetivo de alcançar o pleno exercício do direito a um padrão de vida adequado. Todas as pessoas – sociedade civil e governos – devem participar do processo de consolidação da cidadania, contribuindo com a construção, difusão e implementação do direito à cidade como um dos paradigmas deste milênio: um mundo melhor é possível. Devemos tomar as medidas necessárias para assegurar o direito à cidade para todas as pessoas, garantindo a participação dos cidadãos e proporcionando a capacitação e educação em direitos humanos a todos, promovendo esse aprendizado nas escolas públicas, universidades, pelos meios de comunicação.
Estabelecendo mecanismos de avaliação e monitoramento das políticas de desenvolvimento urbano e inclusão social, assegurando o direito a uma cidade sem discriminação de gênero, idade, raça, etnia e orientação política e religiosa, preservando a memória e a identidade cultural, estaremos consolidando a cidade enquanto espaço coletivo culturalmente rico e diversificado que pertence a todos os seus habitantes.
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- Postado por: Santista às 09h24 AM
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Ilusões perdidas, ocasiões desperdiçadas, dúvidas, medo e solidão, como pensamos a respeito da vida? Realmente imaginamos que os contratempos, as desesperanças, os sofrimentos nos orientaram sobremaneira. Nada que se passa conosco é inútil. Vamos através do tempo assimilando e nos conscientizando do certo e do errado, do que devemos fazer para sentirmos o maior prazer e como nos livrar da dor. Porém, como o aço, quanto mais agüentamos altas temperaturas, mais ficamos fortes e resistentes aos embates da vida.
As pessoas estão procurando o sentido das coisas. Compra livros, vai a analistas, escolhe um guru, reza, mas não o encontra. Claro, não há encontro com o sentido das coisas.
Para se saber o sentido das coisas é preciso criá-lo. Você é que deve fazer com que as coisas tenham sentido. Não adianta a muleta dos livrinhos de auto-ajuda, dos analistas cheios de problemas pessoais a resolver, dos gurus ascéticos e carentes de realidade e da oração sem fé, como uma troca.
Não basta também a boa vontade dos parentes, amigos e dos líderes religiosos, você tem de descobrir a sua própria história, o seu próprio eu, viver as suas próprias dores e alegrias.
Constantemente tenho ouvido frases como: “A minha vida não faz sentido”, “Isto não faz sentido”. E o que faz sentido para você? A vida dos outros? Calce as suas botas e descubra o seu mundo. Não é preciso ir à América para encontrar o Ser Supremo, nem ir a um “ashana” na Índia para ficar bem.
Você é que tem o caminho, o cajado e a escolha. Faça-o sem medo, no dia-a-dia, em meio à pontaria dos que lhe atiram flechas, como se você fosse o alvo. Você não é alvo, você é algo, torne-se especial, sendo simples. Não precisa usar as sandálias do pescador para se tornar puro, a pureza não vem do vestuário, nem dos olhos dos outros, ela vem do seu coração e quem o redime é a sua consciência, não o julgamento dos outros.
Cuide de você e já terá um grande trabalho. Que ser complexo é ser você. Ser você é ser único e não uma cópia de alguém ou do modelo que imaginam lhe cair bem. “É preciso ser um realista para descobrir a realidade.”
Não deixe que os outros façam as suas coisas e escolham seu destino, calce os seus próprios sapatos, caminhe a dura estrada e se, não encontrar estrada, faça uma.
Toda a força cósmica trabalha na condução das idéias administradas pelo livre arbítrio que nos foi colocado para gerenciar nossas vidas da forma mais próxima do bem, como única dádiva realmente vinda da vontade do Criador. Deus quer, deseja e pensa, tão-somente, na vitória do homem como seu semelhante na imagem da perfeição. Atingir o platô da dignidade, da honra e da justiça é inerente ao ser humano pelo atavismo natural de sermos filhos queridos da genealogia divina.
Deus nos chamou para sermos cabeça e não cauda, estamos na hora certa de aproveitar o contexto da época para divulgar o lado bom da vida. Não é iludindo ou escondendo embaixo do tapete as mazelas que infelicitam nossa gente que vamos crescer. A escolha é, exatamente, mostrando as belezas da criação como marcos de uma vida próxima de Deus, tendo sentido para todas as coisas.
Seja um Rondon, sem medo de florestas e de feras. Quem tem medo fica acuado e não vive, perde-se no labirinto e não encontra a saída e ela pode estar bem aí à sua frente.
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- Postado por: Santista às 09h22 AM
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FHC entrega Base de Alcântara a Tio Sam
18.08.202
Imagine a seguinte situação: um sujeito quer alugar um quarto da sua casa, onde você mora e vive. Propõe, como pagamento pelo aluguel, uma ninharia, alguns trocados. Exige, em troca, que você se mantenha bem longe do quarto; que renuncie até mesmo ao direito de sequer perguntar para quê servem algumas misteriosas caixas lacradas que o sujeito já diz, de antemão, que pretende levar para o quarto; proíbe, além disso, que você use o dinheiro do aluguel como bem entenda, ou que, finalmente, alugue outros quartos para outros inquilinos sem autorização prévia do tal fulano. Você toparia? Parece piada, mas estes são os termos do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas que o governo Fernando Henrique Cardoso assinou com Washington, em maio de 2000, assegurando aos Estados Unidos o direito de usar a base espacial de Alcântara, no Maranhão, estrategicamente situada na entrada da Amazônia. A posição geográfica da base – situada a dois graus da linha do Equador - é perfeita para o lançamento de foguetes. O preço do “aluguel”: 34 milhões de dólares anuais, bem menos do que um mísero cafezinho para os padrões de gastos e investimentos da indústria aeroespacial dos Estados Unidos.
Tudo por um “cafezinho” Em troca de um cafezinho, FHC garante a Tio Sam o controle total sobre a base de lançamentos, permite aos Estados Unidos desenvolver programas sigilosos, além de realizar operações sem o conhecimento das autoridades brasileiras. Nos termos do acordo, só as pessoas ligadas ao programa aeroespacial estadunidense poderão circular em Alcântara. Fica expressamente proibido o acesso e a circulação de brasileiros na base, mesmo que sejam parlamentares ou membros do Executivo (isto é, sequer o presidente da república poderá circular pela área sem autorização de Washington!). Além disso, nenhum material que chegar ou sair da base, de qualquer origem ou destinação, poderá ser sequer tocado por brasileiros. O acordo também garante a Tio Sam o direito de não comunicar às autoridades brasileiras a natureza ou a data exata em que serão realizadas operações ligadas ao programa aeroespacial norte-americano. E mais: Tio Sam exige que o dinheiro do aluguel não seja investido no programa aeroespacial brasileiro, e que o Brasil não estabeleça parcerias no setor aeroespacial com nenhum outro país sem a sua autorização prévia!
- Postado por: Santista às 09h38 PM
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Primeira base militar no Brasil “Na prática, o governo está permitindo que os Estados Unidos montem sua primeira base militar no país. Desconfiamos - e temos razões de sobra para isto -, que a base será utilizada para fins militares, com o objetivo de controlar estrategicamente a floresta amazônica. Com suas bases na Bolívia, Colômbia e Equador, eles já monitoram toda a parte oeste e sudoeste da Amazônia. Se controlarem Alcântara, terão monitoramento total”, afirma João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST. As implicações são óbvias. Tio Sam já promove operações militares de grande porte na Amazônia, usando como pretexto a “guerra ao narcoterrorismo” (isto é, os grupos guerrilheiros colombianos que não aceitam ocupar o papel de criados servis de Washington). Em Manta, no Equador, pleno coração da floresta, os Estados Unidos estão construindo o maior aeroporto da América do Sul. Para desalojar nações indígenas daquela região, despejam agrotóxicos altamente nocivos à saúde (um fungo transgênico produzido pela Monsanto, chamado “gás verde”). Está em curso a ocupação da maior reserva mundial de água, biodiversidade e recursos naturais do planeta. Só isso.
Capitulação tecnológica “O acordo é uma capitulação de soberania e de interesses. Impede, em suas cláusulas, o desenvolvimento tecnológico do país. Interdita, a rigor, nossa relação científica, imediata ou futura, que tanto nos convém, com os países tecnologicamente mais avançados do setor, como a Rússia, a China, a França, a Ucrânia e a Índia”, diz Waldir Pires. “O Brasil investiu mais de 500 milhões de dólares no setor aeroespacial nos últimos vinte anos. Com o desenvolvimento do projeto VLS (Veículo Lançador de Satélites), entrou para o rol das nações que têm algo a dizer em termos de tecnologia para o setor. Além das implicações políticas e militares, seria muito interessante para os Estados Unidos afastar um país com o potencial do Brasil deste mercado”, afirma o deputado.
Breve histórico
1980 - O governo brasileiro cria o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Com esse objetivo, desapropria por decreto uma área de 52 mil hectares, onde viviam cerca de 500 famílias, a maioria descendentes de quilombolas que sobreviviam de pesca e de agricultura de subsistência. 1990 – A área da base é ampliada para 62 mil hectares. Maio de 2000 - O governo assina o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com Washington, que garante aos Estados Unidos o direito de usar a base. Por força da Constituição nacional, o acordo precisa da aprovação do Congresso. 2001 - A Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados rejeita o acordo por unanimidade, a partir de um relatório do deputado Waldir Pires (PT-BA), que considera os seus termos lesivos à soberania nacional. Apesar disso, o acordo é aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, com base em parecer favorável do deputado José Rocha (PFL-PA). Cria-se um impasse. Março de 2002 - O acordo é encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, tendo como relator o Deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA). Após o parecer da comissão, que deverá ser concluído até o final do ano, o acordo vai a votação no plenário da Câmara.
Em defesa da soberania nacional
Em 24 de junho, um público de quase 3.000 pessoas lotou o teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no histórico ato que lançou o manifesto nacional contra o acordo que cede aos Estados Unidos o direito de usar a base de Alcântara. Participaram, entre outros, Dorinete Cerejo (Alcântara), João Pedro Stedile (MST), Waldir Pires (PT), Leonel Brizola (PDT) e o brigadeiro Rui Moreira Lima. Reproduzimos, em seguida, a íntegra do manifesto:
- Postado por: Santista às 09h37 PM
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“O mais antigo e legítimo princípio do exercício da soberania dos povos é a defesa da integridade do seu território. Princípio que lhe garante ação soberana inquestionável para desenvolvê-lo de maneira sustentável e oferecê-lo às gerações futuras. O Governo Fernando Henrique Cardoso está ferindo este princípio, ao acatar as inaceitáveis condições impostas pelo governo dos Estados Unidos da América, para utilização da Base de Alcântara, no Maranhão. O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado entre os dois governos, em maio de 2000, constitui-se numa peça que envergonha a diplomacia brasileira e num insulto à nossa soberania e inteligência. É inaceitável para um país soberano, sob qualquer ponto de vista, admitir que a área da Base de Alcântara seja privativa da autoridade do governo dos Estados Unidos, garantindo-lhe total privacidade na circulação de pessoas e equipamentos. O teor do acordo não nos deixa dúvida sobre as reais motivações geopolíticas e militares do governo dos Estados Unidos, ao exigir autonomia total em nosso território, justamente na entrada da Amazônia. E, sorrateiramente, este Acordo sepulta a possibilidade da Aeronáutica brasileira desenvolver um programa espacial autônomo e soberano. Além disso, coloca em risco as comunidades de remanescentes de Quilombos que há mais de duzentos anos vivem na região. É indispensável um gesto de altivez do Congresso Nacional, ao apreciar os termos deste malfadado Acordo, visando restabelecer o pressuposto da Soberania Nacional Nós, cidadãos e cidadãs, atento(a)s aos princípios e a defesa da soberania nacional e conscientes do exercício da soberania popular assegurada pela Constituição da República, nos manifestamos, exigindo: · Que o Congresso Nacional rejeite o Acordo. · Que se busque uma solução justa e duradoura para que todos os brasileiros que vivem no município de Alcântara tenham seus direitos assegurados e possam trabalhar e melhorar suas condições de vida. · Que seja assegurado o direito de nosso povo à investigação, à pesquisa, ao acesso e desenvolvimento de novas tecnologias pacíficas de exploração espacial.
Estaremos sempre dispostos a lutar contra os que, atendendo a interesses de grupos nacionais e estrangeiros, buscam fragilizar o primado da nossa soberania sobre o território nacional. Lutaremos, sempre e incansavelmente, por um Brasil socialmente justo, soberano e democrático.”
(Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro, 24 de junho de 2002)
Despejo dos quilombolas
Ao criar o Centro de Lançamento de Alcântara, em 1980, o governo desapropriou por decreto uma área de 52 mil hectares, o que implicou desalojar e transferir cerca de 500 famílias, descendentes de quilombolas, para agrovilas no interior do Estado. Em 1990, Fernando Collor de Mello destinou outros 10 mil hectares para a base. Resultado: outras 200 famílias foram para as agrovilas. Essas “transferências” são de uma violência brutal, não só por terem mudado radicalmente a vida de comunidades inteiras – que viviam de pesca típica daquela região específica -, mas também pela destruição de patrimônio histórico e cultural preservado pelos quilombolas. “O governo amontoou nas mesmas agrovilas grupos distintos de pessoas, não respeitando as diferenças culturais”, diz Dorinete Serejo Moraes, do MAB (Movimento dos Atingidos pela Base de Alcântara). João Pedro Stedile resume adequadamente o significado social de tudo isso: “Do jeito que está, a única solução econômica para essas famílias será suas filhas se tornarem prostitutas para atender aos soldados norte-americanos”.
- Postado por: Santista às 09h37 PM
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Crise de paradigmas
As recentes eleições municipais revelaram, em São Paulo, que a imagem do “prefeito tocador de obras” já não é suficiente para convencer corações e mentes dos eleitores. É só fazer um tour pela cidade para dar-se conta de que não há um rincão em que a prefeita Marta Suplicy não tenha cravado uma obra. Desde a Estrada de Itapecerica, hoje totalmente reformulada, até o prolongamento da Jacú-Pêssego. Por essas e por outras realizações, a prefeita chegou bem perto de 70% de aprovação popular. Esse índice invejável pareceria suficiente para eleger qualquer candidato. Menos para reeleger Marta Suplicy. E aí está a justificativa do título deste artigo. O Brasil inteiro sempre acreditou que o perfil de “tocador de obras” era suficiente para saciar a sanha desenvolvimentista do paulistano. Os exemplos se acumulavam: desde Adhemar de Barros (com quem surgiu o famoso mote “rouba mas faz...”) até, acima de tudo, Paulo Maluf. O tocador de obras que elegeu um poste, o desconhecido Celso Pitta, exclusivamente a partir de seu prestígio pessoal. Maluf, o grande tocador de obras, enredado por uma teia de acusações de desvio de verbas e pelo vexame do governo de Celso Pitta, teve desempenho sofrível nas recentes eleições. Tanto a decisão pessoal de Maluf, de apoiar Marta Suplicy (e, aí, não quero discutir os motivos, por si só ultradiscutíveis de tal apoio), como a opção de seu partido, em favor de José Serra, parecem não ter desempenhado qualquer papel de importância. A verdade é que o eleitor optou desde o primeiro turno. Tanto é assim que os resultados do segundo turno quase que repetiram os do primeiro pleito. A disputa não foi entre a prefeita “tocadora de obras” e o ex-ministro da Saúde “eficiente”. Marta perdeu para si própria. Nas ruas, era comum ouvir-se comentários como “o governo foi bom, mas não suporto essa mulher”. Seja pela conhecida arrogância da prefeita, pelo efeito das novas taxas sobre a classe média (o governo jamais conseguiu convencer quem paga dos benefícios, de longo prazo, de uma canalização de recursos para as periferias profundas da cidade, que, de resto, votaram em massa no PT), pelo impacto do affair Luís Favre/Eduardo Suplicy, pelo despautério de uma campanha eleitoral milionária, em aberto contraste com a história do PT, o fato é que os magos do marketing galináceo do governo nunca foram capazes de colar a popularidade do governo à campanha eleitoral. Esse coquetel permitiu, inclusive, que o tucano José Serra se apresentasse como personagem simpático - adjetivo dos mais discutíveis para quem o conhece de perto. O fato é que, nas últimas eleições, o paulistano mostrou que é um eleitor “normal”. Que não acredita mais no “rouba mas faz” nem nos prestidigitadores de obras maravilhosas. Que vota com a cabeça e o coração: traduz na urna eletrônica suas paixões e raivas, coerências e incoerências, como o fazem os eleitores de todo o país. Enfim, São Paulo mostrou que é parte desse Brasil que mistura coração, cabeça e bolso na hora de votar. Em tempo: sem discutir quem ganhou e quem perdeu, a verdade é que o eleitor não julgou o governo Lula nas urnas municipais, Votou em quem considerava mais competente para resolver seus problemas de habitação, trânsito, saúde e educação. E ponto.
- Postado por: Santista às 09h30 PM
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Alguém está nu...
Por muito tempo, o governador paulista Geraldo Alckmin desfrutou de imensa tranqüilidade política. Afinal, de um lado ele tinha a ex-prefeita petista da capital, Marta Suplicy, com seu estilo, digamos, ruidoso. Do outro lado estava o presidente Luís Inácio Lula da Silva, personagem também polarizador e naturalmente centro das atenções por ocupar o primeiro posto da nação. Alckmin conseguia transmitir uma imagem de serenidade e competência, aliadas à discrição que faltava a Marta e que não se pode exigir de Lula. Sucedeu discretamente ao carismático Mário Covas, gozou de tranqüilidade ainda maior por conta do controle que exercia sobre a Assembléia Legislativa – onde não funcionava nenhuma CEI (a CPI estadual), sempre foco de atenção de imprensa... Não por acaso, Alckmin foi reeleito com boa margem, em 2002, e teve papel de destaque na vitória de candidatos aliados às prefeituras de municípios importantes, em 2004. A começar, é claro, pelo também tucano José Serra, em São Paulo. Imagem sólida, certo? Do jeito que os marqueteiros gostam. Mas que durou pouco, muito pouco. Bastaram dois episódios pilotados com pouca habilidade pelo Palácio dos Bandeirantes para mostrar que o rei está nu. E podar bem raso as asas do tucano. A demissão – de uma hora para outra – de 1.700 funcionários da Febem, seguida pela previsível onda de rebeliões nas unidades, em março, colocou o governo Alckmin no centro dos eventos políticos. Pela primeira vez em anos. E embora afirmasse que as demissões visavam pôr fim aos maus tratos contra a molecada, o Palácio transmitiu à sociedade a impressão de que cortava funcionários sem ter quem colocar no lugar, aumentando a sensação de caos no sistema. O segundo golpe na imagem de Geraldo Alckmin viria com a eleição à Presidência da Assembléia Legislativa. O que deveria ser um episódio sonolento, transformou-se, por conta da incapacidade de articulação dos tucanos, em um pesadelo para Alckmin: uma aliança entre PT, PFL (aliado de primeira hora do governador), PMDB e partidos menores, elegeu o pefelista Rodrigo Garcia, derrotando Edson Aparecido, do PSDB. Alckmin reagiu muito mal. Hostilizou o vencedor, atribuindo o resultado a uma revanche do PT, pela eleição de Severino Cavalcanti à Presidência da Câmara dos Deputados. E indicou Aparecido à liderança do PSDB na Assembléia, o que apenas pôs mais fogo na briga com outros partidos. Finalmente, sem Marta e com a situação econômica dando fôlego a Lula, Alckmin viu-se alvo dos holofotes. Não por acaso, no início de abril, Fernando Henrique Cardoso rompeu um longo (e esperto) silêncio, declarando que “poderia” ser candidato ao governo paulista de 2006. O recado era outro. Com o brilho de Lula algo esmaecido pelo perfil conservador do governo, a raposa FHC percebeu que a Presidência não é, pelo menos agora, para o bico de Alckmin. E já pensa em afiar a ferramenta, de olho, outra vez, no Planalto.
- Postado por: Santista às 09h26 PM
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| Quem está certo, Chávez ou Lula?
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O jeito que as coisas vão, em breve a próxima guerra travada pelos EUA será aqui pelos lados da América Latina. Na semana passada, o presidente venezuelano Hugo Chávez pôs em funcionamento uma força militar que vai ser especialmente treinada para enfrentar um hipotético ataque dos norte-americanos. Sua justificativa é que os ianques ameaçam tomar o petróleo do país.
Como vem mostrando algumas reportagens do jornalista Jávier Godinho, publicadas pelo Diário da Manhã, o Brasil enfrenta uma situação parecida. Existe uma teoria de que os americanos planejariam invadir a Amazônia. A princípio, parece uma idéia maluca, mas não pode ser descartada. Pelo menos uma coisa é certa: se os americanos planejam mesmo invadir a nossa floresta, já contamos com pelo menos um aliado próximo para enfrentar as tropas de Bush.
Assim como fez Saddam, e andam fazendo Fidel Castro e os presidentes da Coréia do Norte e do Irã, o chamado “eixo do mal”, Chávez ousa desafiar o poder bélico dos americanos. O baixinho topetudo mandou um recado claro para Bush: “Soberania ou morte”, disse ele na sexta-feira, durante a cerimônia de criação da nova milícia, que vai incorporar, em sua primeira fase, um milhão de reservistas.
As riquezas da Amazônia brasileira já estariam sendo tomadas pouco a pouco por nações estrangeiras, principalmente os EUA. Uma das táticas utilizadas por estes países seria a atuação de ONGs que por lá estão se estabelecendo. Sob a desculpa de defender a floresta, essas organizações vêm angariando o apoio de índios e habitantes da região em prol de seus interesses.
O Exército Brasileiro está tomando algumas medidas, como a criação de bases ao longo de fronteira e a criação de forças treinadas para atuar na região. O governo até enviou uma equipe ao Vietnã para aprender táticas de guerrilha na selva. Mas ninguém ainda teve a coragem de manifestar um recado tão direto como o que foi dado por Chávez.
Temos que ter forças de defesa capazes de inibir invasões estrangeiras em nosso território. Mas é claro que seria uma insensatez pensar em preparar tropas para um possível conflito com os EUA. O País não suportaria tamanha crise. Lula tem sido bastante criticado por suas viagens. Mas ele insiste que está no caminho certo. E pode ser que esteja mesmo. Conquistar boas relações pelo mundo, pode ser mesmo fundamental para o Brasil assegurar sua soberania diante do mundo.
Lula e Chávez têm a mesma origem esquerdista. Um tenta expandir nossos horizontes diplomáticos pela Europa, Oriente Médio e África afora, e procura manter bons laços com os EUA. Já o presidente venezuelano adota uma tática bem mais explosiva. Defende Irã e Coréia do Norte em seus projetos de energia nuclear e se declara anti-americano. Ele vive repetindo que foi o governo Bush o responsável pelo golpe que, em abril de 2002, o tirou do poder por alguns dias. São duas formas bem diferentes de fazer política externa. O tempo dirá quem está certo.
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- Postado por: Santista às 07h02 AM
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| Nepotismo, cortar o mal pela raiz
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O patrimonialismo é, sem dúvida alguma, um dos traços definidores da formação social e do Estado brasileiro. Prevalece a mentalidade segundo a qual a coisa pública é uma extensão dos interesses privados. É uma deformidade da política brasileira, que tem se perpetuado ao longo da história.
O avanço da democracia, o fortalecimento das instituições e a modernização econômica contribuíram de certa forma para enfraquecer esse costume daninho.
Mas é preciso avançar mais, muito mais. O chamado “Brasil moderno” ainda convive com relações de clientelismo político.
O nepotismo é uma das mazelas do patrimonialismo que sobreviveram ao tempo. A prática se encontra espalhada pela administração pública, em todos os níveis e nos Três Poderes.
O mal ganhou agora nova visibilidade em função do debate travado hoje na Câmara dos Deputados. No Congresso Nacional, como em outras instituições, não são poucos os que se posicionam a favor do familismo na administração pública.
Mas, felizmente, como ocorreu na questão do aumento dos salários dos deputados, a sociedade brasileira se movimenta contra a teia do nepotismo. São cada vez mais intensas as reações contra cenas de nepotismo escancarado.
Portanto, além de positiva, oportuna a proposta de emenda constitucional, aprovada pela CCJ da Câmara, que proíbe o nepotismo na administração pública em todos os poderes. É apenas o primeiro passo. Há ainda um longo caminho a ser percorrido até que tal proposta possa ser vitoriosa no Congresso.
O desafio é votar uma lei moderna, atual, que desfira um golpe fatal no nepotismo. A emenda, por exemplo, não contempla o chamado nepotismo cruzado – que se configura pelo troca-troca de parentes por determinados políticos. Verdadeira cortesia com o chapéu alheio.
Esse salutar debate pode corrigir graves distorções, como o excesso de cargos ditos de confiança na administração pública. São normalmente preenchidos pelo critério do favoritismo e não do mérito. Se ainda não temos uma burocracia profissional, qualificada, muito se deve a esse tipo de nomeação, que costuma ferir o princípio da impessoalidade, um dos sustentáculos da democracia.
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- Postado por: Santista às 06h59 AM
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| João Paulo II, o conquistador
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É difícil encontrar alguém que, com sinceridade, visite sua consciência sem encontrar sinais de momentos em que buscou compreender o antes e o depois desta vida. Ao longo da história, civilizações geograficamente isoladas, florescendo em diferentes períodos, tiveram gerações sobre gerações de crédulos. E oravam em sua fé. Toda essa crença sempre esteve associada a três aspectos fundamentais: a existência de um ser superior permanente, de algum tipo de consciência após a morte e da dualidade bem e mal. Por isso mesmo todas as crenças são essencialmente uma só crença. Não trago na memória um registro sequer de civilização existente ou existida na ausência dessa dimensão humana. Segundo disse João Paulo II, foi Deus quem venceu no leste europeu e isso dá uma dimensão teológica pertinente à queda do muro de Berlim. Se questão da fé não se resolve com exemplos do passado, daqui ou de outro lugar da Terra, também nada se resolve colocando tal questão à margem. De modo que parece correto afirmar que pessoas se caracterizam também por algum tipo de fé e que a fé, na medida do homem, não tem necessidade de explicação.
A Igreja Católica Apostólica Romana – é esse o nome, acaba de perder o seu líder espiritual após um papado que durou 26 anos. Não é a maior igreja, não tem o maior número de fiéis e nem mesmo é hegemônica no continente Europeu, onde floresceu e de onde se espalhou para o mundo. É uma igreja com rituais tradicionais, mas os rituais católicos não são tão freqüentes e inflexíveis como os rituais de outras religiões. Também não é uma igreja de fanáticos fundamentalistas dispostos a morrer pelo paraíso imediato. Mas é uma igreja cuja trajetória está entrelaçada aos caminhos da civilização ocidental.
O século passado foi um século de grandes papas, e João Paulo II, com sua obra e seu testemunho, foi o maior deles. Se não podemos explicar a fé, podemos ver nele a força que ela tem. Sem território, sem economia e sem exército, o Vaticano é um estado simbólico. Seu chefe é a personificação desse simbolismo. Foi a maior celebridade mundial quem morreu. O mundo se curvou como não se tem notícia de que tenha se curvado, ao menos em tempos mais recentes. Possivelmente nunca antes terá se curvado tão solene e tão coletivamente.
A verdade é que tendo morrido como um mortal comum, o Papa viveu uma dimensão humana bem mais ampla e teve sobre si uma carga moral sem precedentes. Ele mesmo disse que cumpriria sua missão, mas que o pontificado lhe era pesado. Essa carga é compreensível. O chefe de um estado simbólico pontificou como a mais respeitada das vozes de seu tempo, mesmo quando disse coisas que muitos não desejavam ouvir. Beijou todos os chãos que pôde. Participou de todas as questões relevantes da atualidade, sem ter sobre elas senão o poder de seu testemunho de vida, de amor à vida, de amor ao próximo, de devoção ao seu sacerdócio, enfim, de sua fé. A fé, justamente ela, aquela que não se explica, removeu as montanhas que separavam os papas “prisioneiros do Vaticano” das comunidades que eles deveriam pastorear. A fé dele, que pasmou o mundo quando, repetindo o gesto do Cristo patrono de sua Igreja, ele perdoou publicamente quem tentou matá-lo em 1981. A resistência da sua fé nesses tempos de materialidade foi seu legado mais notável e mais respeitado.
Conservador para uns, revolucionário para outros, o papa João Paulo II mudou o rosto da Igreja Católica diante do mundo.
O sepultamento, na semana passada, reuniu combinações e contingentes impensáveis de fiéis e de chefes de estado. Com mais ou com menos bom gosto a imprensa mundial registrou os acontecimentos e interpretou os fatos.
Aguardamos a fumaça branca. Vem aí um novo Pedro em Roma. Seja quem for terá que enfrentar os desafios da Igreja nesse início de século. Seja quem for, não será escolhido para ser papa de nação ou continente algum. Quem alcançar um pouco do essencial no testemunho do Papa morto saberá que o eleito dos cardeais será um papa para a fé, porque é ela a força existencial da igreja que ele comandará.
Para o novo tempo que se inicia levamos a lembrança do bem que fez o que se foi. Ficou para nós a imagem do papa peregrino que aglutinou multidões por onde passou. Do papa que falava todas as línguas e celebrava a palavra com a força da sua verdade. Ficou a imagem indelével de João Paulo II, o papa polonês, o conquistador.
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- Postado por: Santista às 09h23 PM
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O destino dos brancos
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Estou preocupada com a raça branca, talvez porque eu mesmo seja branca. A raça branca está desaparecendo. Não sei qual é a estatística exata, mas parece que os brancos do mundo estão produzindo uma média de 0.25 filho por casal. Teoricamente, hoje seriam necessários quatro casais para fazer um filho branco inteiro. E é claro que uma fração de filho não garante neto a ninguém.
No Primeiro Mundo, que é onde existe a maior concentração de brancos, o problema preocupa as autoridades há algum tempo. Na Itália, não pára de aumentar o número de vagas nas escolas, os professores não sabem mais como lidar com classes tão vazias. Na França há programas de incentivo à procriação de franceses, com subsídios crescentes do governo para cada filho extra – ou seja, além da fração. E ouvi dizer que os governos escandinavos distribuem estufas entre os jovens casais, para o caso da falta de filhos se dever ao frio no quarto. Não está dando certo.
Os brancos simplesmente não estão se multiplicando.
A culpa mais remota é da industrialização. Com o fim das sociedades agrícolas, acabou a razão prática da família grande, em que filho era mão-de-obra. A culpa mais recente é de avanços – e recuos – econômicos, culturais e profiláticos: mulheres obrigadas a sair de casa para o mercado de trabalho, o declínio da família tradicional e da igreja como referências de costumes, os novos métodos anticoncepcionais – enfim, tudo que evita filho. Mas isso aconteceu na parte próspera do mundo. A parte pobre continua se reproduzindo como antigamente.
Agora, o seguinte. Os filhos brancos que não nascem seriam os que sustentariam os seus pais e pagariam suas pensões e seus remédios quando eles envelhecessem, se existissem e produzissem. O que traz um ângulo novo para a questão da lenta invasão em curso do Primeiro Mundo pelo outro. A migração do mundo fértil para o mundo próspero provoca choques e reações cada vez mais violentas, mas hoje um país de maioria branca que conseguisse se fechar por completo à imigração, para proteger sua homogeneidade racial ou sua melhor qualidade de vida, estaria condenado a desaparecer em pouco tempo, e bem-feito.
A idéia não deve ocorrer muito a guardas de fronteira ou propagadores da superioridade branca, mas cada escuro que entra, legal ou ilegalmente, no seu país é um contribuinte a mais para a sua aposentadoria.
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- Postado por: Santista às 09h18 PM
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| Guerrilha do Araguaia, mistério que persiste
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O 12 de abril não está gravado em vermelho na folha do calendário, mas o povo, as forças políticas democráticas e avançadas comemoraram esta data. Em todo o País, pelo mês de abril são prestadas homenagens ao legado da Guerrilha do Araguaia e à memória dos guerrilheiros – brasileiros e brasileiras que tombaram lutando pela liberdade.
O Brasil regozijou-se, neste ano de 2005, com a passagem dos vinte anos de sua redemocratização, os vinte anos do fim da ditadura militar. O principal legado do Araguaia foi, exatamente, ter contribuído para que a democracia voltasse a reger a vida do País. Evidentemente, o fim da ditadura militar decorreu do rol de lutas empreendido pelo conjunto das forças democráticas e avançadas do País. O Araguaia fulgura com destaque entre elas. Foi a resistência armada à truculência do regime ditatorial de maior duração. Durante quase 3 anos, menos de uma centena de guerrilheiros, com o apoio da população local, enfrentaram e resistiram a milhares dos efetivos das Forças Armadas. Essa resistência enfraqueceu a ditadura e fortaleceu o ânimo da oposição democrática.
Na história do Brasil, os oprimidos na maioria das batalhas que travaram, tiveram que empreendê-las duas vezes – a primeira, para protagonizar a resistência, a luta, a conquista, o fato histórico em si; a segunda, para divulgá-lo, fazê-lo reconhecido oficialmente e conhecido do conjunto da nação.
É que o Estado brasileiro sob o controle de classes dominantes retrógradas além de, literalmente, massacrar as lutas patrióticas, populares e democráticas, adotou usualmente os procedimentos de adulterar o significado dessas batalhas e de ocultá-las das páginas da história. Qualquer que fosse o custo, agiu para impedir ou adiar que as mensagens dessas jornadas chegassem ao conhecimento das amplas camadas da sociedade.
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- Postado por: Santista às 03h33 PM
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Esse modo bestial de combater os movimentos políticos e sociais que contestam o seu poder e interesses foi assimilado pelas elites locais, primeiro, pelos ensinamentos do colonialismo português, e posteriormente pelas aulas de atrocidades e torturas ministradas pelo imperialismo norte-americano.
Dois exemplos da nossa história, emblemáticos nesse sentido, são a Inconfidência Mineira e Canudos. No primeiro, a sentença da Coroa Portuguesa não se restringia a prender e a degredar os inconfidentes. E não bastou condenar o mártir Tiradentes à forca: “Que fosse esquartejado e os seus membros expostos em praça pública; que na sua casa se despejasse sal para que nela jamais voltasse a brotar sequer um ramo...” No caso de Canudos, a República brasileira sujou-se, nos seus primórdios, de uma mácula vergonhosa. O Exército realizou a covarde carnificina dos sertanejos e reduziu Monte Belo a cinzas. Assim exatamente se passou com a Guerrilha do Araguaia. Desencadeada em 12 de abril de 1972, na fase mais feroz da ditadura militar, esse movimento armado com menos de uma centena de combatentes, resistiu, heroicamente, por quase três anos às investidas de um contingente de mais 12 mil homens das Forças Armadas. Quando a resistência organizada se encerra em meados de 74, e, definitivamente, o conflito se finda, em janeiro de 75, se verifica que não havia nenhum prisioneiro. Os guerrilheiros que caíram nas garras dos efetivos das Forças Armadas, quase todos, foram covardemente executados. Outros que tombaram em combate, foram decapitados. Os corpos foram mutilados e lançados em lugares inóspitos e desconhecidos.
Essa selvageria foi, também, perpetrada contra a população da região do Araguaia. Ela foi vítima de violências, prisões arbitrárias e torturas. Com essas ações bárbaras, os militares visavam conter o apoio popular à guerrilha.
O Araguaia, enquanto reinava o arbítrio, teve sua divulgação sufocada pela severa censura imposta aos meios de comunicação. Os generais negavam a existência da guerrilha. O regime se apresentava como “todo poderoso” e com total controle da situação. Admitir, naquela quadra, a existência de um movimento popular armado que frontalmente contestava sua força era extremamente nocivo aos seus planos de existência prolongada.
De qualquer modo, à época, parcelas da opinião pública dela tiveram conhecimento pela imprensa clandestina, sobretudo pelas páginas do jornal A Classe Operária, órgão do Partido Comunista do Brasil desde 1925, e por veículos de comunicação do exterior. E, assim, de folha em folha, de boca em boca se espalhava a boa nova de que nas selvas da Amazônia, no sul do Pará e na região do Bico do Papagaio, então pertencente a Goiás e hoje ao Tocantins, a luta guerrilheira desfraldara a bandeira da liberdade.
Mesmo com tudo isso, resultou em nulidade o plano dos ditadores de sepultá-la num esquife de chumbo. Apesar de documentos oficiais referentes ao episódio permanecerem até aqui confinados, secretos, já são dezenas e dezenas as publicações, os estudos acadêmicos, as reportagens, que buscam elucidar suas diferentes dimensões.
A Guerrilha do Araguaia é um tema que persiste. A censura que lhe foi imposta durante tanto tempo, o confinamento, a destruição dos arquivos oficiais, represaram as análises, o interesse e as polêmicas que ela suscita. Mas o tema permanece de certa forma inconcluso também porque a consciência humanística e os valores religiosos do povo brasileiro não aceitam o fato de que se negue até os dias de hoje o direito humanitário dos familiares dos guerrilheiros e do Partido a que pertenciam, o PCdoB, de enterrarem em túmulo honroso os restos mortais dos combatentes.
- Postado por: Santista às 03h32 PM
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Em dezembro do ano passado o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu quebrar o sigilo dos documentos do Araguaia. O governo Lula, acertadamente, não recorreu dela em instâncias superiores, o que se espera, agora, dele, como um governo democrático, é que agilize as providências que são de sua responsabilidade para que apareçam mais esclarecimentos sobre o conflito, entre eles, o paradeiro dos restos mortais dos guerrilheiros. Cada mãe, cada pai que morre sem ver concretizado o legítimo e humano sonho de enterrar os restos mortais de seus filhos, resulta numa dor, num trauma que se prolonga. O Estado brasileiro, as Forças Armadas que dele fazem parte, o governo que é a instituição dirigente do País, têm esta dívida para com a consciência democrática da nação. Atender a essa legítima e humana exigência contribuiria para unir ainda mais o povo brasileiro com suas instituições. E todos que têm compromisso com o Brasil sabem o quanto é preciso, numa época histórica tão agressiva e instável, a coesão nacional em torno da democracia, do desenvolvimento e da soberania do País. “Onde estão os mortos e os desaparecidos?” Esta pergunta, lançada em 1980, ainda em plena ditadura, pelo movimento dos familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, com o apoio do PCdoB, o partido que a organizou, até hoje está sem resposta. O governo democrático do presidente Lula comprometeu-se publicamente em resolver esta questão. É preciso, como já dito, que o governo agilize o resgate desse compromisso. Nunca é demais lembrar que o corpo do goiano Divino Ferreira de Souza, o guerrilheiro Nunes, jamais foi encontrado. Sua mãe, dona Santinha, morreu em Goiânia no ano passado, já velhinha, mas sempre esperançosa de que a verdade viesse à tona, e sua luta é continuada pela família. Para além da dívida com a História, a não-abertura dos arquivos é também um ato de desumanidade, uma insensibilidade à dor de familiares que não esquecem seus entes queridos e almejam dar a seus restos mortais uma sepultura digna.
A abertura imediata dos arquivos da época da ditadura militar, entre eles os documentos referentes ao Araguaia, é uma exigência da consciência democrática e das forças democráticas do País, que não pode e não tem motivos para ser protelada. Esta providência, longe de debilitar a democracia brasileira, contribuiria, isto sim, para amadurecê-la. A nação e as instituições que a representam ao tomarem conhecimento dos atos bárbaros praticados, certamente adotarão providências para que condutas e ações hediondas, à margem dos princípios da civilidade, dos direitos humanos e do direito, jamais voltem a ser praticados em nome de instituições que formam o Estado brasileiro. Trinta e três anos depois, a Guerrilha do Araguaia, mesmo derrotada militarmente, continua a vicejar. Os guerrilheiros são celebrados pelo povo e amados pela juventude. As sementes que eles plantaram de convicção ao grande ideal socialista, de amor ao Brasil e à causa democrática e patriótica, germinam sem cessar.
- Postado por: Santista às 03h32 PM
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| Plano de recuperação judicial
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Determina a lei nº 11.101, de 09 de fevereiro de 2005, que disciplina a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência, que a proposta do plano de recuperação judicial deverá ser aprovada por credores que representem mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembléia e, cumulativamente, pela maioria simples dos credores presentes, quando os credores pertencerem às duas últimas classes, ou seja, à classe de credores representados por titulares de créditos com garantia real e à classe representada por titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou subordinados. Quanto à primeira classe de credores, a representada por titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho, a proposta deverá ser aprovada por maioria simples dos credores presentes, independentemente do valor de seu crédito.
Deixou o legislador, desta forma, sob a responsabilidade dos credores, o destino do devedor que pretende se recuperar judicialmente. É isto mesmo: o destino ou o futuro do requerente do benefício legal da recuperação judicial, desde que tenha havido objeção ao plano de recuperação judicial por qualquer credor, de qualquer importância e de qualquer categoria, passa a depender das deliberações da assembléia-geral de credores, que pode aprová-lo na sua inteireza conforme apresentado ao juízo, pode aprová-lo obedecendo-se os termos da rejeição provocadora da assembléia-geral de credores, pode ainda aprová-lo desconhecendo-se a objeção citada, mas com outras alterações deliberadas na própria assembléia, mas com a aquiescência do devedor. Pior, poderá ainda rejeitá-lo, o que significa literalmente a convolação do pedido de recuperação judicial em falência, pois, segundo os exatos termos da nova lei, rejeitado o plano de recuperação pela assembléia-geral de credores, o juiz decretará a falência do devedor.
Apesar dos aparentes paradoxos existe nesta questão, em princípio, o que poderíamos chamar de um ponto em comum, ou de um desejo idêntico entre o devedor e os seus credores, até porque a sobrevida daquele depende da vontade destes, e porque o recebimento dos créditos destes depende da sobrevida do devedor.
O que nós devemos acreditar, primeiramente, é que o devedor se encontre, ao requerer a recuperação judicial, em situação de crise econômico-financeira, e que o objetivo do seu pedido tenha realmente por fundo os reais fins e objetivos da nova lei. Devemos também acreditar que os credores, em ocorrendo qualquer objeção de qualquer deles, pois só nesta hipótese a lei lhes passa, através da convocação da assembléia-geral, a responsabilidade de deliberação do plano de recuperação apresentado pelo devedor, estejam imbuídos do mais profundo e sincero desejo de verem o devedor se soerguer, mesmo porque o recebimento dos seus créditos disto depende. Porque se assim não for, isto é, se qualquer das partes objetivar outros fins que não os acima expostos, poderemos observar na prática que qualquer delas poderá estar utilizando-se de dispositivos da nova lei para prejudicar a outra. E os fins da Lei, sabemos, são outros.
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- Postado por: Santista às 03h29 PM
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| Defesa agropecuária: alerta sanitário
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Devo fazer um registro: como faço parte do grupo de brasileiros que acredita no Brasil e que não está disposto a ser dominado pelo desânimo ou temor de ousar para crescer e levar a sociedade a novos caminhos de progresso econômico e social, acredito que as dificuldades intrínsecas à mensuração dos riscos citados em meus artigos anteriores, que tratam do descaso do governo federal com a defesa agropecuária, serão contornadas pelo nosso competente ministro Roberto Rodrigues.
Nos últimos cinco anos, o Brasil tem experimentado melhoras substantivas em sua postura externa e seu reconhecimento como País que leva a sério seus programas de defesa agropecuária, impulsionada pelo forte engajamento entre o setor público e o privado e os diversos elos da cadeia produtiva. Isso tem levado a uma crescente expectativa quanto ao avanço das exportações brasileiras em todos os setores do agronegócio e, sobremaneira, sobre as da pecuária.
Na raiz deste fenômeno estão: a preocupação dos países com a nossa capacidade de produção, qualidade, sanidade e competitividade; as restrições impostas aos EUA pelo Japão, Coréia, União Européia e demais países devido à ‘vaca louca’ em território norte-americano; o recente acordo entre Rússia e EUA que permite exportações americanas aos russos em em volumes superiores; liderança mundial do Brasil como exportador de carne bovina e aves; falta de novos “players” internacionais que possam suprir a demanda por proteína animal do mundo.
Isto significa que na prática somos percebidos como um País com alto risco para os nossos concorrentes, e nesse contexto de competição global, temos que estar preparados para qualquer tipo de retaliação justa, ou injusta, e para a aplicação de medidas fitossanitárias como forma de protecionismo. Ao escrever meus artigos, tento não personificar os responsáveis pela atual crise do agronegócio. No entanto, dadas as declarações do ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, de que o “agro é o melhor dos negócios brasileiros”, e “somos, talvez, uma das últimas fronteiras agrícolas do mundo”, teço alguns comentários.
Por qual motivo os ministérios da área econômica poriam em risco “o melhor dos negócios brasileiros” a fim de economizar R$ 250 mi para a defesa agropecuária? Ao mesmo tempo, por qual motivo teria a área econômica liberado R$ 400 mi para o Ministério do Desenvolvimento Agrário “responsável pela condução de uma política mal concebida e de resultados mais que duvidosos”?
Gostaria de assinalar que os ministros da área econômica – e, novamente, com ênfase especial ao ministro Palocci – contribuem para a concretização deste cenário, em que os nossos concorrentes, que nos últimos anos têm perdido mercado devido à concorrência brasileira, nos apliquem retaliações, levando a qualquer momento à perda de credibilidade internacional, já conquistada arduamente a altíssimos custos e de recursos humanos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao longo da última década.
A capacidade de competição do Brasil no mercado internacional está intimamente ligada à habilidade da constante e persistente luta na área de defesa agropecuária. Finalmente, desejo demonstrar o meu apoio ao ministro Roberto Rodrigues no que se refere à sua condução e implementação de medidas no âmbito da sua Pasta, a fim de evitar a adoção unilateral de restrições que venham a causar impactos ao setor exportador do agronegócio.
A modernização do Mapa, feita pelo ministro Roberto Rodrigues, certamente facilitará a concretização das ações para melhor atender as demandas internacionais e evitar sustos que prejudiquem o agronegócio, “melhor dos negócios brasileiros”.
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- Postado por: Santista às 03h26 PM
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Cachaça, uma riqueza nacional
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Produto genuinamente brasileiro, a cachaça limitou-se, por muitos anos, aos domínios do pitoresco e do folclórico pela conotação popular que a ela se relaciona, como, por exemplo, a trombeteada preferência do presidente Lula à conhecida “branquinha”. Significativamente, no Dicionário Houaiss listam-se 324 sinônimos para a aguardente de cana, cuja história quase se confunde com a do nosso País: data de 1535 a primeira cachaça que se fabricou no Brasil, em São Vicente, São Paulo.
Nas últimas décadas, a bebida deixou de interessar apenas aos curiosos para se fazer artigo de importância econômica, com peso crescente em nossa pauta de exportações. Contam-se hoje, não por acaso, 147 mil páginas sobre a cachaça, em português, nos serviços de busca da internet, número que sobe para 291 mil se considerarmos as que se apresentam em outras línguas.
Chegam a 30 mil os produtores brasileiros de cachaça, que engarrafam, por ano, 1,3 bilhão de litros, postos à venda sob o apelo de mais de 5 mil marcas.
O setor gera 400 mil empregos e vende cada vez mais para o exterior: 7,3 milhões de dólares em 1999, 10 milhões de dólares em 2003, e, estima-se, 14 milhões de dólares neste ano. Apesar do esforço, o volume exportado é ainda muito pequeno, corresponde apenas a 1% do total produzido.
Podemos fazer mais, muito mais, como fabricantes do terceiro destilado que mais se consome no mundo, depois da vodca e do soyu coreano. Com indústrias em praticamente todo o Brasil, são os Estados de Minas Gerais, sobretudo a região de Salinas, e de Goiás, principalmente a região de Orizona, os maiores produtores brasileiros de cachaça. Orgulhoso pela condição de goiano, arrisco-me a dizer, sem falsa modéstia, que nos alambiques de Goiás se obtém a melhor cachaça do Brasil e, conseqüentemente, do mundo.
Assim, a iniciativa privada e o governo federal devem somar forças para divulgar e defender a bebida brasileira por excelência. Produtores goianos já têm uma associação, na qual se destaca como pioneiro o ex-governador Ary Valadão, e já desenvolvem programas de qualidade no sentido de conquistar novos clientes no Brasil e no exterior.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, participou recentemente de reunião da Câmara Setorial da Cachaça, instituída há um ano para normatizar o setor e criar um selo de qualidade para o produto. Ao ministro, os fabricantes pedem que apóie a luta por incentivos fiscais e por novas linhas de crédito.
O secretário-executivo da Câmara Setorial, Ricardo Cavalcanti, destaca, entre outros projetos, a criação de um instituto que congregue os produtores e certifique a boa qualidade do produto. Foram encaminhados pedidos à Organização Mundial do Comércio e à União Européia para o registro da marca e o reconhecimento dos direitos de exclusividade sobre a cachaça como bebida nacional do Brasil.
A questão chegou, recentemente, ao jornal The New York Times, que comentou: “O Brasil espera vender sua aguardente nacional para consumidores de alta renda, dando a ele o tipo de selo que os franceses obtiveram com o direito exclusivo de chamar seu vinho espumante de champanha e os mexicanos conquistaram para a tequila”. Dessa maneira, acrescentamos: deixarão os Estados Unidos de pôr na cachaça que nos compram o esquisito nome de “rum brasileiro”.
Consumida pura ou como ingrediente da famosa caipirinha, de que os estrangeiros tanto gostam, a cachaça não é apenas matéria do folclore nem assunto restrito às mesas de bar: é produto de grande interesse econômico, pelas substanciosas divisas com que pode ampliar a participação brasileira no comércio internacional.
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- Postado por: Santista às 03h24 PM
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