| Porque são diferentes filhos dos mesmos pais
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Não poucas vezes nos perguntamos por que são diferentes filhos dos mesmos pais, criados na mesma escola doméstica e do mundo e como educá-los corretamente. Eis aí um tema demasiado complexo.
Para o educador Petit Senn, “os filhos tornam-se para os pais, consoante a educação que recebem, uma recompensa ou castigo”. É uma regra geral sujeita a exceções. Há muitos filhos maus de pais justos, que se esforçaram ao máximo para os tornar bons, como há filhos bons de pais maus, que lhes foram modelo inútil de perversidade.
Por que isto acontece? Vamos raciocinar juntos, a partir da premissa de que a criança é um espírito que dorme. Antes do espírito reencarnar, ele cai em sono profundo, esquecendo seu passado, muitas vezes tenebroso, para recomeçar na nova experiência na Terra. Nascendo, vai acordando aos poucos, lentamente percebendo o mundo e se mostrando como é na realidade. Os pais lhe proporcionam unicamente o corpo físico. Quem cria espíritos é Deus, o artista sublime que não produz cópias, mas somente originais. Nossos filhos, a rigor, não são nossos filhos, mas nossos irmãos.
Muitos filhos são espíritos mais adiantados do que seus pais. Os espíritos mais antigos são os mais sábios e melhores, porque já aprenderam e sofreram mais. Logo nos primeiros anos, a criança começa a revelar tendências, boas e más, que trouxe de outras vidas. É, então, dever dos pais proporcionar-lhe educação, pois desde tenra idade precisa ser moldada para o bem, corrigida com carinho nas más inclinações. É de pequenino que se torce o pepino, e quem não foi educado até aos sete não o será aos dezessete. As crianças são seres que Deus manda a novas existências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, Ele lhes dá todos os aspectos da inocência. Ainda quando se trata de uma criança de maus pendores, suas más ações são cobertas com a capa da inconsciência.
Em matéria de desajustes infantis, segundo Francisco Cândido Xavier, o remédio eficaz será sempre o amor dos pais, no recesso do lar. A harmonia em família é a construção de um futuro promissor para todos. Desajustes costumam ser o reflexo da falta de amor em casa, geradora de amargas perturbações. O saudoso médium de Uberaba não concordava com a omissão paterna ou materna. Corrigir com brandura e responsabilidade é dever de pai e mãe. A propósito, Chico Xavier até contou esta história:
“Vocês, por certo, conhecem a lenda do marajá que não permitia que fossem contrariados os desejos do seu filho de seis anos. Certo dia, o menino manifestou o desejo de montar um elefante, no que foi prontamente atendido pelos servos. Montado, não quis descer. A criadagem lhe serviu, ali mesmo, o café, o almoço e o jantar e, à noite, como se negasse a vir para o chão, armaram-lhe uma cama no dorso do paquiderme. No dia seguinte, preocupado com a insistência do filho, o marajá mandou chamar um médico, um psicólogo e um professor, que também não conseguiram convencer o petiz. Aflito, recorreu a um velho tibetano, que, santamente, vivia na montanha. O ancião veio, pediu uma escada e, usando-a, subiu no elefante. Lá em cima, imediatamente cochichou meia dúzia de palavras ao ouvido do menino, que tratou de apear. Encantado com tão extraordinário feito, o marajá e o sábio montanhês travaram o seguinte diálogo:
– Afinal, que disse o senhor ao meu filho, para que ele o atendesse tão depressa?
– Determinei-lhe: Desça agora, ou vai levar uma surra de vara”.
Nem mimos exagerados, que incentivam o egoísmo, nem a frieza do desamor, que empurram o petiz para o abandono. Os pais humanos têm que ser os primeiro mentores das frágeis criaturas de volta às provas no planeta. Devem lhe ser modelo de seriedade, honestidade, bondade e determinação quando preciso.
É do padre Charboneau esta beleza de reflexão:
“Só uma vez nosso filho terá três anos e estará doido para sentar em nosso colo. Só uma vez ele terá cinco anos e quererá brincar conosco. Só uma vez ele terá 10 anos e desejará estar conosco em nosso trabalho. Só uma vez ele será adolescente e verá em nós um amigo com quem conversar. Só uma vez ele estará na universidade e quererá trocar idéias conosco. Se nós perdermos essas oportunidades, nós perderemos nosso filho e ele não terá pai”.
Dos Preceitos Maçônicos, consta esta beleza de conselhos:
“Quando fores pai, alegra-te mas compreende a importância da tua missão. Sê um protetor fiel do teu filho. Faze que ele até os 10 anos te obedeça, até os 20 te ame e até a morte te respeite. Até os 10 anos, sê seu mestre. Até os 20, seu pai e, até a morte, seu amigo. Ensina-lhe bons princípios de preferência a boas maneiras. Que ele te deva uma gratidão esclarecida e não uma frívola arrogância. Faze dele um homem honesto de preferência a um homem astuto”.
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- Postado por: Santista às 07h46 AM
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| Tudo podia ser ruim e não é
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Há algo muito estranho no mundo dos homens. Essas pobres almas que se lambuzam de vaidades e perdem a oportunidade de viverem e mostrarem porque realmente estão vivas. Pela manhã, ele (ou ela) acorda, faz as necessidades, se alimenta, pega o destino e vai para mais um dia de trabalho. No almoço rasga com os dentes a carne sangrenta do animal morto e entreolha para os outros como se fosse o grande proprietário do território. Dono de todos os juízos. O grande juiz de seu tempo.
À tarde, na volta enfadonha do turno do trabalho, se sente só, mas cercado de colegas. Conversa, emite grunhidos que nem a percepção da alma entende e se fecha no confinamento do ‘eu sozinho’. É só mais uma máquina de serviços.
No começo da noite, no retorno ao lar, xinga a falta de paciência do trânsito. Atônito, busca com o olhar, e em inquisição, as mortes sobreviventes da loucura frenética dos carros e devora na fome das paredes do estômago a última carne sangrenta das horas. O olhar após a comilança se posta como se flutuasse, como se suspenso no ar.
O sono vem logo como se nada mais viesse: um fio tênue a puxá-lo para dentro de si, nos braços de Morfeu. Aqui a vida tem seu verdadeiro descanso temporal.
Não há nada mais importante no mundo do que a própria vida. Muitos temem morrer porque não conhecem o outro lado dela. Não há clareza, nem amor na vida dessas pessoas porque não percebem o verde que se renova a cada segundo no jardim de sua casa, nem a vida que nasce a cada minuto à sua volta num cântico diário de fraternidade.
Só percebem e respeitam as coisas quando enxergam nelas seu perfume superficial. Diferentemente dos japoneses, que acordam agradecendo a Deus e fenecem nos acordes noturnos do sono da mesma forma, somos ingratos a tudo. Não agradecemos a ninguém por nada e ainda cometemos os mais variados pecados, delitos de xingamentos e ações nada agradáveis: verdadeiros mantras que nos negativam a vida toda.
Por que somos feitos de verniz e casca dura e não somos a maciez que a vida pede para que sejamos? Por que olhamos as pessoas com desconfiança e temos nossos filhos e esposas como posse e não como confidentes e amores de braços abertos para o sorriso da vida?
Por que somente nos momentos de dificuldades, da morte ou a pertinência do mal é que pedimos a Deus? A cobiça, a inveja e o ciúme têm feito de nós meros acessórios do oportunismo e falsos crentes da luz divina.
Por que pensarmos ou agirmos de forma a nos rasgar por dentro como rasgamos a carne sangrenta do animal sacrificado que nos planta essa doença e que cresce dentro de nós todos os dias?
O câncer não é essa ulceração da célula que nos molda o espírito, mas os xingamentos e a carne podre que ingerimos dia a dia. Respiro com respeito cada célula como se fosse a última de meu corpo. Só eu posso dar a mim (e aos outros) o amor verdadeiro: a oração diária da vida.
Será que sabemos agradecer a Deus as coisas boas que nos acontecem?
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- Postado por: Santista às 07h42 AM
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Eu tinha cinco anos quando um dos meus tios me colocou nos ombros para ver o papa João Paulo II de perto, nas ruas de Aparecida, interior de São Paulo. No começo dos anos 80, aquela época estranha em que vestíamos calças verde-limão com camisetas laranja e morríamos de medo que um piti entre Ronald Reagan e a União Soviética desse um ponto final no planeta Terra, a imagem de João de Deus era de esperança. Já minha mãe, sindicalista e simpatizante do bloco vermelho, gostava de cantar aquela canção do Kid Vinil e seus Heróis do Brasil que dizia assim em seu refrão: “João Paulo segundo/ Isso aqui é o terceiro-mundo”. Eu achava engraçado, parecia uma piada, mas era uma crítica. Era a primeira relação papa versus cultura pop que eu, inconscientemente, presenciava.
Logo, a esperança deu lugar ao medo. O Papa, como é do seu feitio à frente de uma instituição tradicionalmente conservadora e reacionária – e se não for assim, descaracteriza-se – resolveu enfrentar a cultura popular e combater com veemência os atos mais tresloucados de um showbizz engatinhando no terreno da megalomania. Uma das inimigas favoritas de João Paulo II foi a material girl Madonna. No clipe da canção Justify My Love, de 1990, a cantora fazia caras e bocas sensuais entre cruzes, dentro de uma igreja. Foi duramente criticada por João Paulo II, que chegou a proibir a exibição do vídeo em diversos países católicos. Madonna hoje é Esther, nome judeu. Afronta?
Tudo porque o Papa é pop, já dizia Humberto Gessinger na violentíssima letra de O Papa é Pop, música e álbum também de 1990. Na canção, o gaudério canta que “o Papa levou um tiro à queima roupa/o pop não poupa ninguém”. A popularidade e a cultura da morte não poupam ninguém, seja um maluco cabeludo de óculos-aro-de-tartaruga chamado Lennon ou o chefe da igreja com mais adeptos no mundo.
Dois anos depois, a cantora irlandesa Sinead O’Connor, durante o programa humorístico Saturday Night Live, estava sob estranha influência. Cantando War, hino de Bob Marley, à capella, vestindo branco e cercada de velas, Sinead gritou “lutem contra o verdadeiro inimigo” e picou uma fotografia do papa João Paulo II. Silêncio. Corte para os comerciais.
O mundo se mostrou indignado. Frank Sinatra se apresentou para socar a cantora na boca e ensiná-la bons modos. A cantora nunca explicou claramente porque fez aquilo. Se por obra divina ou não, acabou dando um tempo dos palcos. Em 1997, durante uma entrevista para uma revista italiana, pediu o perdão do Santo Homem. Veio o perdão, pero no mucho. Sinead encasquetou na controversa congregação do bispo Michael Cox, sendo ordenada padre – só que o tal título foi recusado pelo Vaticano, recebendo o rótulo de “bizarro” do próprio Papa. Preocupados com a salvação eterna, os executivos da rede de TV NBC, que exibe o Saturday Night Live, se recusam terminantemente a reapresentar a imagem da foto sendo rasgada, nem autorizam que outros a usem.
Na via contrária, os rock stars com juízo sabem que é interessante manter laços de harmonia com o pontífice. Bob Dylan, aquele cantor que durante trinta anos dizia viver “batendo na porta do céu” (Knocking On Heaven’s Door), ajoelhou e tocou para o único homem que realmente tem as chaves do Paraíso. No dia 27 de setembro de 1997, logo após quase passar dessa para melhor, Dylan (judeu) com seu chapéu de caubói legítimo entoou duas canções para um interessado João Paulo II (líder daquela igreja que se calou ao massacre dos judeus) –, que declarou depois que Dylan “representa o melhor tipo de rock’n’roll” e “é uma pessoa espiritual”. Fico curioso em ler a crítica que João de Deus faria da nova canção do Latino.
O Papa é pop. Na 15ª Jornada Mundial da Juventude, em Roma, começo do século 21, o item mais vendido nas ruas era uma camiseta escrita “Wojtyla, sou ligado em você”. As metáforas são tantas que não vamos fazer nenhuma. É a via-crucis de um homem do pop. Um homem que não escuta somente Bob Dylan. Em 1979, no México, o Papa foi saudado por um coro de crianças que cantava a música Amigo, do rei Roberto Carlos, e pediu a letra da música. Quando veio ao Brasil pela segunda vez, em outubro de 1997, ouviu o Rei cantar Nossa Senhora e Jesus Cristo, acompanhado de um coro de mil e duzentas crianças e mais dois milhões de mortais. Em 2000, recebeu e abençoou o vocalista do U2, Bono Vox, coordenador da campanha Jubileu 2000, em prol dos países endividados do terceiro mundo. Bono agradeceu cantando a belíssima One à capella. O Papa também ouviu e gostou muito das canções de um mineiro radicado em Taubaté (SP), conhecido por padre Zezinho, que cantou a famosa Oração pela Família ao pontífice em 1997. A composição acabou traduzida para outras cinco línguas. Isso é que é ecletismo.
Ano passado, o ex-beatle Paul McCartney teve que reduzir pela metade o volume de sua apresentação em Roma para não perturbar o sono do Papa. Por essas e outras que o próximo papa vai encarar uma dura missão. Comandar uma religião que perde adeptos rapidamente e ainda manter a aura pop do cargo. Não é fácil substituir João Paulo II, o único Papa que teve a vida retratada num gibi da Marvel Comics, a mesma editora do Homem-Aranha, Hulk e X-Men. E com roteiro da lenda Stan Lee. Digno. João Paulo II foi um super-herói. Visitou mais de 115 países. Sobreviveu a um atentado à queima roupa. Detalhe: quando foi eleito Papa, já tinha 58 anos. Super-herói.
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- Postado por: Santista às 07h39 AM
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| Reflexão para pais e filhos
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É um passado longínquo o tempo em que os pais faziam e aconteciam. Nos dias atuais, os pais, via de regra, pisam em ovos ao falar com os filhos. Quando falo de pais, estou me referindo ao pai e à mãe.
Todos os que foram e são pais nestas três últimas décadas sabem a diferença entre o que viveram, enquanto filhos, e o que tentaram ao quebrar as barreiras do relacionamento humano, estabelecer vínculos de amor e laços de ternura.
Existem muitos dilemas no relacionamento pai e filho. É lógico, racional e educativo estabelecer limites, agir com firmeza, mas o coração amolece e a vaca vai para o matadouro. Os filhos, desde cedo, são exímios em testar os pais, pedindo o que podem e não podem, o que devem e não devem. Ao menor sinal de fraqueza, a criança vai ganhando terreno e adquire hábitos que, quase sempre, comprometem a sua vida. Como as coisas do mundo não são fáceis, os que recebem tudo podem ficar despreparados para os embates do dia a dia, por toda a vida.
É imprescindível que se deixe claro o que é certo e errado e isso vai depender dos valores dos pais. Daí é essencial que a relação entre pai e filho seja baseada na franqueza e não se crie um escudo protetor isolando o filho da realidade. Os erros provocam conseqüências e isso os pais, mesmo cortando seus corações, devem deixar que aprendam para não repeti-los.
Os filhos costumam exagerar na atenção que necessitam. Nem tanto ao rio, nem tanto à margem. Distribua o seu tempo. Há tempo para tudo e isso não quer dizer que os filhos tenham o direito a usar todo o seu. Você tem compromissos e desejos outros. Use o bom senso e não fique com sentimento de culpa por umas férias necessárias ou um fim de semana para desanuviar o juízo. Não prometa o que não pode e não fique estabelecendo comparações. Os filhos são severos na cobrança do prometido e não aceitam referências ao filho de fulano ou ao irmão que dá bom exemplo. Os filhos podem até mentir, mas não gostam de saber que seus pais mentem.
É bom que você tenha fé para transmitir a seu filho, mas é ruim que transmita a idéia de um Deus que pune e cobra. O “nosso Deus” é solidário, nos ama e entende as fraquezas de todos nós.
Não enrole nas respostas. Se não sabe, diga. Um dia o filho vai saber que também não sabe. Não banque o durão. Há uma diferença entre ser firme e duro. As pessoas firmes têm e mostram sentimentos. As pessoas duras escondem ou escamoteiam.
Respeite os medos do seu filho. Não brinque com os fantasmas dele, você ainda tem os seus. Por outro lado, mostre que o medo faz parte da vida e só quando o entendemos é que podemos superá-lo.
Não queira que o seu filho seja você. Ele tem 50% de outros genes e vive um tempo novo que não é o seu. No máximo, queira que ele conheça você para entendê-lo e estabelecer uma relação de paz em que o bem-querer não é uma virtude, mas um processo de aprendizado contínuo, a partir da tolerância e do respeito à individualidade do outro.
A unidade e o bem-estar entre pais e filhos dependem da integração harmônica de toda a família. Devemos ser pais comprometidos com o perdão sério, que manifesta profundo desejo de aproximação, que prioriza seu filho, que ensina, que ama.
Já os compromissos dos filhos devem ser de filhos que têm desejo de estar próximos de seus pais, que aceitem incondicionalmente os seus pais, que façam confissão de amor a seus pais, que se disponham a obedecer, que façam parte dos planos de seus pais.
Muitas são as forças tentando destruir a relação de pai e filho, e por esta razão, faço esta reflexão para a boa convivência de ambos, lembrando que Deus é pai e filho.
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- Postado por: Santista às 09h51 AM
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