E por que sim?
É, já está aí, chegando a toda a brida, de batom e esmalte, botox e silicone, o festejado, cantado e recantado dia 8 de março, o Dia da Mulher, dia de se outorgarem comendas, títulos, mimos àquelas que, desde o finado segundo milênio, caminham decididas e quase imbatíveis por trilhas nunca dantes imaginadas, em busca de espaços, conquistas, reconhecimentos. E depois da queima dos sutiãs, e bem antes do silicone, lembraram-se da lei da gravidade, coadjuvada pelo tempo, e retornaram os indesejados para o guarda-roupa. Melhor prevenir do que ver despencar. E foram em frente. Com eles.
Mas um só dia é muito pouco. Quero mais. Quero todos. No mínimo, incontáveis. Se for para questionar a função da mulher nas várias vertentes da vida, 365 dias é absurdamente pouco. Nesse caso, melhor inventar um tempo maior. Todavia, se for só para homenageá-la... hum... hum... é, os 365 já quebram o galho! Melhor não dispensá-los.
É bem conhecida minha posição: sou contra um dia para a mulher. Até porque o acho tão-somente alegórico, festivo, discriminatório e, fora isso, inócuo. Dia de luta? O que se resolve ou se decide nesse dia? Todos os dias são de lutas. E os resultados consistentes, reais e significativos vêm daí. Além do quê, não somos mais minoria, não somos mais sombras, espectros, marionetes... Não estamos mais “atrás de um grande homem” (e se o tal fosse “pequeno”, qual seria nossa posição?). Não monopolizamos mais o “trono” de “rainha” do lar (há “rei” também nele), para nos contentarmos com um bombom quando podemos ser donas da caixa inteira.
Um dia não nos basta mais. É bom que se lembrem de que o avental cedeu lugar ao terninho; o fogão, à mesa de trabalho; a vassoura, ao teclado (éramos rainhas ou bruxas?!) e estamos por aí, ativas, eficientes, “chefe” de família, “cabeça” da casa, comandando, encabeçando listas de concursos, de vestibulares, de frentes de trabalho... O segundo lugar, hoje, nos espanta. É que já nos habituamos ao primeiro. Mudamos os valores machistas, adequamos a Constituição aos nossos interesses-cidadãos, rompemos as barreiras das profissões “masculinas”, tornamo-nos donas do nosso corpo, do nosso destino, do nosso prazer. Abdicamos da condição de objeto sexual (só se é, hoje, por opção ou por gosto. Mesmo para as adeptas da mais velha profissão mundana). Conquistamos muito, mas não ainda o bastante, bem o sabemos. Apesar disso, não há motivo para que nos discriminem com um “Dia Especial”. Existe o “Dia do Homem”? Acredito até que, se ainda não existe, o instituirão logo, logo, pois a classe já faz por merecer; além do mais, estão requerendo direitos nunca antes sonhados... Coisas da modernidade. Ou da abolição daquela velha doutrina que renegava a mulher à categoria de “sexo frágil”. Um senhor disse-me: “Vou exigir que a mulher abra a porta do carro e puxe a cadeira pra mim. Direitos iguais, deveres também.” Aviso a quem interessar possa: não conte comigo!
No passado, a instituição de um dia, com a chancela de “protesto”, para lembrar e repudiar o massacre contra as mulheres americanas, primeira fresta de acesso feminino à contextura real, foi válida. Mais que isso: um marco que abriu os olhos do mundo para o verdadeiro “padecer no paraíso”, alcunha de ostracismo, de não-direito à genuína cidadania, de confinamento a um mundo do tamanho de uma casa, à condição de mãe (abnegada, despojada, delicada, zelosa...) e de esposa (virtuosa, prestimosa, carinhosa, prendada...). Era só o que nos permitiam ser. Abrimos as portas do tempo, escancaramos as janelas da vida e reivindicamos nossos legítimos direitos. No decorrer dos tempos; não, em apenas um dia simbólico e anual. E como hoje é dia 6 (e não, 8), minha homenagem poética às mulheres: Carrego em mim tantas marias/ e em meu ventre,/ sangue, estrelas e fomes./Se me querem santa, maçã ou serpente,/se me querem seda, seios ou lua.../ me mostro Maria de todas as dores,/me faço esfinge, mulher simplesmente.
- Postado por: Santista às 03h26 PM
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A estrada
O que dizer a respeito da estrada? Estamos em meio ao caminhar. Nossos passos se movimentam em determinada direção. Que direção? Que objetivos traçamos? Quais as nossas metas em face do desafio de prosseguir? O que nos espera? A quem encontraremos? Quais respostas buscamos no desenvolver de nosso esforço?
O caminho somos nós que fazemos, mas não determinamos o porvir. Podemos optar pelo trafegar lento mais sempre adiante. Ou, por nossa própria ousadia, empreender uma maratona a mil na ânsia de chegar a algum porto mais cedo. Em qualquer uma das alternativas, desde já vale lembrar que, pelo percurso, nem tudo será flores. É lógico que vão se interpor obstáculos e dificuldades. É a vida.
O caminhar é a vida e a vida é a estrada. Quantos compreendem que estamos numa missão? A partir daí, escolhemos o melhor trajeto, o mais apropriado, aquele que teoricamente nos trará maiores resultados e maiores vantagens. Mas o que planejamos nem sempre acontece tal e qual. É no inusitado que aprendemos. Em outras palavras, sem o desafio, não existiriam maiores razões para seguir em frente. Pedras, pedregulhos, espinhos, pontes, desvios, obstáculos, flores, sombras, verdejantes paisagens, chuva, sol e a leveza do ar fresco em lugares distantes. É possível imaginar mil situações para o caminho, cada uma bem distinta da outra. Na nossa existência também é assim.
É bem provável que pretendamos sempre o belo e o manso abrigo das árvores, mas é preciso que se compreenda a importância do deserto em nossas experiências. Deserto é lugar de procura, de descoberta, de aprendizado, de intimidade consigo mesmo. No deserto é você e Deus. Não há absolutamente nada a recorrer senão a Ele. É a oportunidade para o mergulho em nossa própria alma e, desta autêntica viagem, com certeza poderemos encontrar cura para as nossas feridas, consolo para as nossas angústias – e principalmente a paz que tanto almejamos.
O bom é saber que depois do deserto, como resultado de nossa perseverança e da nossa disposição para buscar um sentido mais construtivo para o nosso caminhar, virá finalmente a terra boa, a brandura do amanhecer na primavera que nos acolherá em conforto e abrigo. A terra se apresentará para a semeadura, mas, mesmo diante da perspectiva do fruto almejado, é preciso que não erremos, para não permitir que de nossas mãos seja lançada ao solo qualquer semente que se assemelhe à amargura, à desilusão, à vingança, ao mesmo qualquer fagulha de ódio que sorrateiramente tenha conseguido se alojar em algum ponto de nossos corações.
A semente é você quem escolhe, assim como o seu caminho. Trata-se de um viagem pelo seu próprio interior, desvendando tudo aquilo que se encontrava oculto e, na sua paralisia em dor, gerando males que seriam como o câncer que se apresenta incurável. Daí porque investigar a nós mesmos é uma atitude não apenas de co-nhecimento próprio, mas uma necessidade para não permitir jamais que se instale a apatia em seu desejo insistente de morte.
Os que se estacionam e buscam apenas sombra e água fresca permitem que seu interior se acomode em hábitos e tradições que terrivelmente planeja a sua eterna desistência de tudo. Infelizmente tem sido assim para muito gente, mesmo jovens que deveriam estar no estremecer de suas dúvidas e buscas. Quantos não querem mais caminhar, nem conhecer caminhos? Quantos se sentaram à beira da estrada e se esqueceram de buscar a próxima estação? A vida só tem sentido enquanto sinônimo de batalhas e desafios. Mas não são poucos os que optariam pelo sono duradouro fechados em suas concepções pessoais, em seus mundos próprios, fechados ao novo, fechados às experiências maravilhosas que compõem a sagrada luta.
Está na hora do despertar. E, ao abrir a janela, olhar o horizonte e perceber que, para alcançá-lo, é preciso primeiro se lançar no caminho.
- Postado por: Santista às 03h23 PM
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10 idéias para quando você estiver sozinha em casa
Outro dia li numa revista uma matéria bem bacana sobre dez idéias para quando os homens estiverem sozinhos em casa. Então decidi escrever a nossa versão, a das mulheres. Ainda que sejam raras as vezes em que conseguimos ficar a sós — o banheiro não conta —, sem criança pedindo colo, sem marido zapeando a TV justamente quando íamos dar uma sacada melhor no vestido da Gisele Bündchen.
1 – Ao contrário dos homens, não gaste o tempo a sós para vestir a camiseta mais esburacada e o short mais escroto e ensebado. Essa é a hora ideal para experimentar melhor na frente do espelho o vestido lindo de morrer comprado na última liquidação, guardado a sete chaves no armário. Afinal, já pensou no escândalo se ele visse que comprou roupa nova duas vezes no mês? E o mais legal ainda, aproveite para fazer mil poses sem ninguém espreitando a cena ridícula.
2 – Zapeie o armário dele. Faça um limpa, separe as camisas que odeia e ele insiste em usar para doar ao bazar de caridade. Não se esqueça daquele tênis que nunca viu água e sabão que ele usa todas as vezes que vai ao cinema com você. Se estiver lá dando mole, jogue-o no lixo. Cuecas e meias furadas então, nem se fala. Incinere-as. Se não deixar vestígios ele nem vai perceber. Faça a vistoria mensal nos bolsos de todos os casacos.
3 – Se ele deixou o celular ou a agenda para trás, faça aquela triagem que sempre sonhou. Delete endereços se for o caso.
4 – Passe toneladas de cremes no rosto, no corpo e nos pés sem ter de ouvir que está cheirando a mato ou sei lá o quê. Se é adepta dos tratamentos naturais, coloque rodelas de pepino dos olhos, mel no cabelo e faça esfoliação no corpo. Repita 100 vezes o seu mantra. Mas cuidado, certifique-se de que a porta está mesmo trancada. Vai que ele volta.
5 – Vá ao banheiro com a porta aberta. Tome banho e cante a todo pulmão. Só o vizinho vai estranhar.
6 – Assista seu programa preferido na TV sem as malditas interrupções do controle remoto.
7 – Fale horas a fio com sua melhor amiga e conte todos os seus segredos de liquidificador. Quando vier a conta telefônica, finja que não é com você.
8 – Releia as cartas e bilhetes dos seus ex. Só evite chorar porque aí não terá como explicar os olhos inchados. Releia também o diário, reveja as fotos proibidas que ele nunca viu e nem nunca vai ver.
9 – Se estiver com fome — e animada — prepare um jantarzinho do jeito que gosta: arroz integral com gengibre e curry, frango grelhado e saladinha. Abra o vinho e tome toda a garrafa.
10 – Se for para detonar, coma arroz e feijão requentados, com um fio de azeite em cima, e bolachas recheadas de sobremesa.
- Postado por: Santista às 03h22 PM
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A falta que Axl faz
Nunca fui fã do Guns N’ Roses. Em alguns momentos, para ser bem sincero, eu cheguei a odiá-los. Toda aquela panca, aquela ansiedade em parecer rebelde, em se mostrar roqueiro maldito parecia forçado demais para o meu gosto. Jogar cadeira em jornalista, da janela do hotel, e descer no público para pegar fotógrafo no tapa eram “fake” demais aos meus olhos.
Mas ouvi os discos, sim. Acho o Appetite for Destruction um dos grandes marcos do rock recente. Só que tocou tanto no começo da década passada, que não dá mais para ouvir – assim como quase todos os discos da Legião Urbana. Eu particularmente não tenho mais paciência para Welcome to the Jungle, Paradise City e, principalmente, Sweet Child O’ Mine. Essa última me dá até uma ojeriza.
Quando eu entrei na faculdade arrumei um emprego num escritório de contabilidade para cobrir os gastos. Bem em cima da salinha onde eu enganava em horário comercial com uma hora de almoço, era o quarto de um pré-adolescente filho do chefe. Embalado pelo sonho juvenil de ser roqueiro famoso, o moleque dedicou-se com afinco à aulas diárias de guitarra e violão. Em um dado momento, aprendeu aquela famosa introdução de Sweet Child O’ Mine. Você sabe qual. O garoto tocava essas notas, repetidamente, durante cinco horas seguidas. Todos os dias. Durante exatos três anos. Nesse meio tempo, vendi meu Appetite for Destruction.
No entanto, como essa vida é uma verdadeira montanha-russa, estava um dia na filha do cinema “de arte” de Goiânia e não pude deixar de ouvir dois “alternativos” (a quê, eu não sei, talvez ao bom senso), como se autoproclamam, comentarem o quão bom é a cena musical dos dias de hoje. Que a cada semana, um novo nome com um novo disco indispensável aparece. Eu, sinceramente, não me empolgo muito com nada novo que vem de fora desde 1999. Ano passado, o único disco que valeu a pena foi o How to Dismantle Atomic Bomb, do U2. Os rocks e as baladas que existem nessa bolacha humilham 99% das bandas novas. Todos devem se enforcar em suas gravatinhas com as guitarras verdadeiramente rasgantes de The Edge. Enfim, digressões...
Voltemos a Axl. No final da conversa, um deles agradeceu aos céus por estar vivendo esse momento tão “iluminado” do rock internacional. E fez uma galhofa: “Imagina se estivéssemos em 91, com Guns N’Roses e Michael Jackson tocando sem parar?.” Mentalmente, tive que defender o velho Axl. E ainda por cima usando Sweet Child O’Mine. O caso do filho do meu chefe não é isolado. Nesse instante, em algum lugar do mundo, algum novo roqueiro tenta aprender os acordes de Sweet Child O’Mine. É aquele tipo de música, como Satisfaction, Smoke on the Water, Stairway to Heaven, entre outras, que atravessam gerações com o mesmo gás. Que sobrevivem as décadas, aos finais de suas bandas, ao que for. E eu pergunto: qual música de qualquer banda da safra 2000 vai sobreviver mais duas décadas? Que banda vai comover milhares de gregos e troianos num domingo qualquer carioca, com o Guns fez em 2001, no terceiro Rock In Rio? E isso é o rock. Não é só um gênero musical. É atitude, é vontade, é atravessar décadas apaixonando todo tipo de gente. O resto – isso aí que aparece toda semana – é só perfumaria.
Por essas e outras que, Axl onde quer que esteja, sacode a pança branca, pega uma cerveja e adia mais uma vez aquela ida ao estúdio para finalizar o tão esperado disco novo. Ele pega a Rolling Stone e vê: Franz Ferdinand, Scissor’s Sister, Jet, Raptures, Libertines... Axl pode sorrir e descansar em paz.
- Postado por: Santista às 03h21 PM
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| Casamento não é brinquedo!
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Uma família compreende marido, esposa e filhos. Alguém definiu a família como sendo a “célula- mater da sociedade”, daí a importância na preservação da integridade e unidade da família que se inicia com o matrimônio, instituição secular e universal com fortes e indeléveis emoções. Já quiseram até destituí-lo, sem sucesso. O homem não encontrou e certamente não encontrará nenhuma fórmula de união superior ou comparável ao casamento.
Para muitos o amor é irracional e irrecorrível. Influências externas e idéias do resto do mundo têm pouco valor. Nas questões de amor e felicidade, o balizamento vem do inconsciente. Quando a família é constituída regularmente pelos pais, filhos, irmãos, avós e netos, a união torna-se mais sólida. Por princípio, o matrimônio consiste em um vínculo indissolúvel. Os compromissos e a responsabilidade com a prole são inadiáveis e intransferíveis, conforme veredito de Jesus Cristo em Mateus 19:5 e 6 “E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
A religião sempre exerceu um papel fecundo e profícuo na união familiar. Porém, apesar da tradição cristã, os jovens hoje consultam menos os líderes religiosos nas crises familiares. Mesmo com os padrões familiares vigentes, não será possível prever quem casará com quem ou quais casamentos serão bem-sucedidos. O casamento envolve uma fusão das famílias originais dos cônjuges. O homem casa com a família da noiva. Quem casa um filho perde um filho. Quem casa uma filha ganha um filho, já afirmaram sabiamente nossos antepassados.
A sociedade atribui ao homem e à mulher papéis distintos a serem desempenhados. De acordo com o critério histórico, a mulher era orientada para a concepção, criação e manutenção da vida. Dons invejáveis e insubstituíveis. Cabia aos homens transformar a natureza com idéias e ações inventivas.
A conquista social da mulher trouxe-lhe sucesso e glória, mas subjacente a isso encontrou frustrações e desordens com a competição profissional. O casamento patriarcal bem-sucedido ainda desponta como uma união de valores imensuráveis. A mulher é a rainha do lar.
Quando a consciência do cônjuge, o posicionamento familiar, da religião e da sociedade relaxam, a separação conjugal alcança níveis insuportáveis. Há famílias que se desintegram completamente, chegando o número de separações igual ou superior aos casamentos consolidados. Em Goiás vivemos um período de intolerância conjugal, cujos índices de separações são altíssimos, as pessoas já conscientizaram deste fato degradante. Como conseqüência, a angústia da solidão, suicídios e desvios do comportamento. Nas separações prematuras, compulsivas e generalizadas, o desajustamento entre os filhos atinge o máximo. Incompetência e evasão escolar, adição às drogas, fumo, inadequação sexual, marginalidade e criminalidade.
Aos meus leitores que buscam o matrimônio ofereço alguns conselhos: nunca casar por dinheiro, nunca casar por que se casam, nunca casar com alguém doente de ciúmes, nunca casar com alguém comprovadamente preguiçoso, nunca casar sem amor e nunca casar sem a aprovação de Deus; pois o casamento não é uma válvula de escape, não é brincadeira. É uma união que deverá durar a vida inteira.
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- Postado por: Santista às 09h09 AM
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